Contrariando o que foi pedido por alguns, eu volto (de novo) a escrever aqui. Novamente, não sei se voltarei a ser frequente mas de qualquer forma já é alguma coisa.
Muito se passou desde que parei de ser frequent-poster aqui. Mas agora volto a escrever pelo mesmo motivo que escrevia antes. Vocês que já liam (ou olharam os posts antigos) sabem do que estou falando.
Não me sinto confortável em ser tão direto quanto era antes mas vou tentar, me utilizando de imagens...quem sabe dá certo.
Sentado no cais no entardecer vejo você partir. Decerto que você não tem mais o mesmo significado que tinha pra mim mas nunca deixará de ser especial. Vejo você se afastar lentamente na imensidão escura enquanto as luzes na costa vão pouco a pouco se acendendo. Mas não para mim. Apesar do colar de pérolas do litoral, estou nas sombras. Não choro por ti, choro pelo que sua partida representa. O quanto queria estar partindo para o outro lado da imensidão. Me sinto amarrado, prisioneiro deste lugar.
Tenho a sensação de que ainda existem assuntos a resolver por aqui, espero que se reolvam logo para que possa voar alto e longe...bem longe. Quero me sentir livre. Quem sabe te encontrarei ou aqui, para irmos juntos, ou lá para comçarmos juntos. Quem é você? Onde é "lá"? Eu não sei. Sei que aprendi muito nesse tempo que estive com você mas chegou a hora de partir. Eu sabia que esse dia iria chegar...e ele veio.
Agora estou à beira do cais. A brisa fresca do mar lava meu rosto enquanto a escuridão vai dominando o mar. Não a vejo mais, tudo está escuro. O coração aperta. Mas não sinto o choro no rosto.
Olho para o céu onde as primeiras estrelas aparecem. Em breve o céu estará diferente. Em breve será uma outra costa e não estarei só. Estarei com você, quem quer que seja.
June 01, 2010
The shore
March 08, 2009
Walking dreams
In a corner of my room I found my girlfriend's bag that she left with me the day before, after all I'd pick her up at her office so she actually couldn't carry her stuff along.
On top of my bed my typical travel "uniform" comfortable jeans, a t-shirt and some roomy shoes. On the desk my wallet, the mobile phone and the sunglasses, after all there is sun in Europe, right? I emptied my backpack since it was full of college stuff, and I wouldn't need that where I was going, and replaced the notebooks with the camera bag, an extra set of clothes, the iPod with it's charger along with the mobile's.
This time I wouldn't bring the good old travel guides since I didn't have one to where I was going and I didn't actually want to buy one...well...you know me, I'm too cheap to do that.
After lunch I triple-checked everything (well...I do that): clothing, bathroom stuff, spare contacts, perscription glasses, backpack, camera bag, travel documents, plane ticket, wallet, money, bank cards, iPod, mobile phone, girlfriend's bag, sunglasses...everything there. Check. Then something clicked in my head...yes! The watch, I totally forgot about it. I got it inside the closet and placed it in my right arm (I'm a leftie, you know).
Three forty five. Time to go. I rang the cab and afterwards called my girlfriend telling her that I was about to leave home heading towards her office so she had to start wrapping things up there. A few minutes later, the taxi arrived and I left towards downtown, twenty minutes later I picked her up and we went straight to the airport.
That was a dream I had last night, I didn't wake up because of any alarm, I just did. Of course I was upset to have it interrupted like that but all I can do now is hope that it happens...soon.
August 24, 2008
Dreamcatcher
Olhando pra tràs as vezes nos damos conta de coisas que as vezes tomamos como banalidades diárias vêm afetando nossas vidas. Não irei ser tão direto, eu acho, ou tão preto no branco mas antes que me perguntem: não é disso que estou falando.
Me dei conta que fazem dez anos que, pela primeira vez, segui para a Pedra do Arpoador e comecei a perceber que não pertenço a esta costa. Sentado no topo do monolito de pedra vendo as vagas se chocarem contra si, tive a sensação de que eu não fazia parte daquele cenário. De que eu era totalmente inadequado àquilo tudo. Por mais bela que fosse a paisagem que se descortinava a minha frente, e acreditem, era uma tarde belíssima, e por mais agradável que pudesse estar o clima algo dentro de mim dizia: este não é o seu lar.
Mas como minha experiência em visitar outros lugares era muito mais limitada do que é hoje, esta idéia passou como um sussurro pelos ouvidos mas se enraizou na cabeça. Ao passo que fui conhecendo outros lugares, outras culturas, outros modos de pensar e afins eu fui criando bases que no final só corroboravam com aquela brisa que me mostrou que meu lugar não é aqui.
Desde então muito foi feito, muito suor, lágrimas, tentativas, fracassos sempre com o objetivo final de se alcançar o graal. Hoje, dez anos depois, ainda estou aqui. Longe de casa, e com um sentimento de inveja daqueles que conseguiram cumprir o que durante todo esse tempo eu tenho tentado e nunca conseguido: ir embora.
Tenho a sensação que estas pessoas estão se apropriando deste meu ideal, deste meu sonho enquanto fico aqui em uma luta quase que quixotesca em busca do retorno ao lar que nunca vem. Mas sendo como sou não desisto e vou continuar até o dia em que eu deixar de existir.
April 06, 2008
Beneath the waves
Imaginem como seria o céu noturno sem nuvens e sem estrelas. Imaginem o firmamento negro e lúgubre da noite impiedosa e solitária. Este é o cenário que me circunda.
Vou ao convés ao nada consigo enxergar. Não existe nada no céu acima de mim. Estranhamente não existem estrelas para me guiar no meu caminho, muito menos a lua para me dar alguma noção de direção. Sinto que estou a horas a deriva neste lugar e, incrivelmente, a alvorada não se avizinha.
É uma eterna madrugada fria e solitária. O único som que ouço é o das vagas indo de encontro ao casco da embarcação. De resto um silêncio só comparável com a solidão vivida ali.
Entro na cabine e busco as cartas de navegação...onde será que estava? Que lugar era esse onde não existe nada no céu e onde jamais amanhece? Como fui parar ali? Porque estava ali? Nada fazia sentido.
Lembrei-me de minha velha bússola e, com seu auxílio, resolvi aproar o barco para o oeste. Não que isso faria alguma diferença já que o ar estava imóvel.
Mas uma pergunta não saía de minha cabeça: como fui parar ali? Lembro de estar estudando minha rota na cabine com a ajuda das cartas e que, por algum motivo, acabei pegando no sono e quando acordei estava preso nesse lugar estéril, sombrio e solitário.
Dias se passaram...dias que viraram semanas... a vida se tornou insuportável a bordo do barco. Já cogitava em medidas extremas para por fim àquela vida preso naquele lugar. Até que, depois de muito auto-convencimento, resolvi amarrar uma corda no meu pescoço e depois no mastro do barco mas quando iria amarrar a corda em mim fui tomado por uma sensação de pavor que me deixou paralisado. Não tinha coragem para dar cabo de minha própria vida. Um instinto inexplicável de auto-preservação surgiu e me impediu que fizesse o pior.
Em desespero, comecei a berrar e em um impulso me atirei no mar em uma tentativa inútil de tentar me afogar nas calmas águas que circundavam o veleiro. Após inumeras tentativas resolvi permanecer na água agarrado a escada na parte de trás do casco. O tempo passava, a exaustão tomava conta do corpo já castigado até que minhas forças expiraram e nao pude mais me apoiar no barco.
Senti o mar me envolvendo pouco a pouco. As águas ficavam cada vez mais frias ao meu redor e tudo ficava cada vez mais escuro. Nunca pensei que era possivel um lugar tão escuro quanto aquele. Era como se uma enorme sombra se materializasse e tomasse posse do meu corpo. Antes que pudesse imaginar tudo estava acabado. O fim tinha finalmente me encontrado.
February 25, 2008
Over the hills and far away
Segunda feira de manha. Existe momento maior de ressaca na semana? Duvido. Escrevo após ler o jornal onde pude ler sobre a derrota do Botafogo, e a subsequente e ridícula choradeira do técnico da equipe e do presidente do clube, e sobre a entrega dos Oscares (vulgo homens carecas, dourados e pelados).
Não irei comentar sobre a partida de futebol visto que irei causar feridas profundas (...not!) em minha ampla (...not!) base de leitores, além de provocar comentários inflamados que virão a causar somente uma queda no nível dos comentários sempre pertinentes daqueles que habitam este espaço.
Já sobre os Oscares só alguns comentários: o Javier Bardem parecia que tinha fugido do zoológico, ou que era um primo do elo perdido. Me irritou sobre maneira o apresentador (Jon Stewart) pronunciar de maneira esquisita o nome da Cate Blanchett...quem não sabe o que estou falando que veja no VocêTubo. Falando da atriz australiana, por mais que a Tilda Swinton seja excepcional ainda acho que a atuação dela em "I'm not there" valeria mais a premiação.
Uma constatação positiva: a Björk não apareceu e isso é digno de sorrisos e suspiros de alívio. De resto, é o resto. O canal E! mostrou as futilidades de sempre antes, durante e depois da cerimônia. E sobre a transmissão do evento em si só um comentário final: ainda bem que existe o SAP.
Mas voltando. Este não é um post sobre o Oscar. Deixo isso para as especialistas (vocês sabem quem são), quero falar de ressaca. Antes que perguntem: não enchi a cara ontem. Não bebi após gargalhar com a vitória do Flamengo nem com as pérolas do cartola alvinegro dizendo que o "Botafogo é time de macho".
Estou de ressaca com as memórias de dias não muito distantes, onde estava em casa. Em um lugar em que podia sentir em cada milímetro do meu corpo que eu pertencia àquilo tudo. Saio na rua, olho ao redor e sinto uma total e irrestrita incompatibilidade com o ambiente que me cerca, com o céu sobre minha cabeça, com o vento quente que bate no meu rosto.
Não desprezo o lugar onde estou agora, mesmo porque existem coisas aqui que me ajudam a aliviar essa sensação de incompatibilidade, existem pessoas que tornam isso um pouco mais tolerável. Mas por mais fantástico que as outras pessoas achem que é tudo isso que nos cerca eu acho que está na hora de juntar as coisas se seguir adiante de volta ao lar, de onde não deveria ter saído.
February 18, 2008
Rock me Amadeus
Afternoon at downtown Vienna. The cloudy skies above Stephansplatz were giving one of Vienna's landmarks (the Stephansdom in case you don't know) a grim character: a misleading one. This impressive gothic church, consacrated at 1147 AD, towering 136 meters above the square is everything but grim. It's colourful rooptops and the flamboyant architectural details state that this place of worship was made to impress and it works damn well.
Right next to the church, a group of street artists were performing a very weird dance, I cannot describe it to you fellow readers because I just wouldn't know where to begin.
As I walked around the busy streets of downtown Vienna I felt that the bad impression I had of the city when I first went to the Belvedere was very unfair. The decadent-old-eastern-Europe feeling of the Südbanhof area was totally different from the charming old architecture of this area. As I passed by these old buildings and the beautifully preserved monuments I started to feel Vienna's true nature and character: it's a mature city but not an old one. Austria's capital is an open minded middle aged person. I'd say that the city's character matches Austria's famous artist Falco (when at his peak naturally).
I didn't have any plans that day, all I wanted to do was to walk around Vienna without any particular place to go. If I could see a building that was able to get my attention, I'd walk towards it. And so I found the Sisi Museum at the Hofburg. I wasn't much surprised, actually I thought that it took too long for me to find anything Sisi-related, since plenty of people go to Vienna to be where she went.
As I walked through the palace I ended up in the beautiful Heldenplatz where I saw the sunset behind Vienna's historical buildings. As the night slowly came and the city lights started to show I realized that the dream was close to an end. Vienna was my last stop and I didn't want to cross the pond back "home", after all I was at home so what's the point, right?
With that idea in my mind I walked towards the Museumsquartier with its beautiful squares and buildings but that thought just would gte out of my mind. As I walked towards the U-Bahn the air became somewhat sweet and tender, I'm not able to explain but it felt like something was telling me that I was right: I was "home".
PS: Now for the yet famous super-quick-travel-tips, featuring Vienna
PS1: Like Gustav Klimt? Go to the Belvedere, they even have one Van Gogh there.
PS2: Don't judge Vienna for the Südbanhof area.
PS3: Schoss Schönbrunn: if you go snickers are a must.
PS4: Like classical music? Mozarthaus is the place to go.
PS5: Don't be on a diet since Austria is famous for their food, specially stuff with chocolate and marzipan.
PS6: Stephansdom is worth the visit.
PS7: So is Peterskirche.
PS8: Austrian beer isn't as good as the bavarian one but still pretty decent.
PS9: Don't be afraid of the Döner Kebap joints. But don't pay more than 3 euros for one.
PS10: Try Imbiss too.
PS11: Falco is still big in Austria, so expect to see his face somewhere.
PS12: When crossing the street watch for the bikes...and trams...and cars...and buses.
PS13: If you understand a bit of german you notice that the austrian accent is very funny.
PS14: Euro 2008? Austria's team sucks.
PS15: Prader: worth a visit.
PS16: Vienna Opera House: gorgeous!
PS17: In case you don't know or remember Falco here he is:
PS18: The above picture is of Vienna's Opera House and it isn't mine.
PS19: I know nobody is going to see this new addon to this post but I totally forgot about this Falco video. It shows a lot of Vienna. The song is called Vienna Calling (naturally):
PS20: RIP Falco ( 19/02/1957 - 06/02/1998)
January 23, 2008
So don't tell Scotty
Venho por meio desta avisar a meus caros 2 leitores que estarei ausente por um tempo, afinal pseudo-blogueiros também tiram férias. Não prometo atualizações de onde estiver mas quando retornar ao lar certamente farei.
Nesse meio tempo recomendo utilizar os 10 segundos que vocês utilizam do seu tempo comigo para coisas lúdicas como observar os pássaros, ir tomar um chopp no botecão da esquina ou qualquer coisa do gênero.
Aos que gostam de blogs recomendo os linkados à direita da página.
E é isso. Saudações simpáticas (e hipócritas) e até daqui a uns dias!
January 03, 2008
Midsummer Night's Dream
Never have I seen such dark skies. Don't remember noticing how many shining pearls the night has. The moon with it's many colours gave the dark room a cold yet meaningful glow. Like a candle it refuses to let darkness cover everything between four walls.
I'm standing on the window on this warm summer night. The streets are empty: it's 3am. The windows of the neighboring buildings tell me that there are few people like myself: insomniac. The bed doesn't seem so cozy, the pillow not has good as it used to be.
The streets are lit but all you can hear are the trees breathing with the wind, I can almost hear the thoughts of other insomniacs like myself. A needle touching the ground can be loud like a jet plane but you don't have these at this time of the night. The world seems frozen, waiting for the dawn of a new day when people will wake up and fill the world with life again.
But don't be fooled. There's life in this frozen world of late night. When everything seems to be black and white, pay closse attention to the discreet signs that life gives us: the smell of the flowers, the tree branches moving... It's around us also during the day but their delicate beauty isn't noticed.
Perhaps some people can't sleep because of their fascination for this delicate beauty, perhaps in some sort of way their minds think that it's a waste to get disconnected from the outside world when it shows us this almost hidden spectacle.
Who knows?
October 11, 2007
Time goes by
"Good afternoon, ladies and gentlemen. Welcome aboard our Boeing 747-400 and to flight 247 to London, Heathrow Airport, with a stop at São Paulo, Guarulhos. Our flight to São Paulo will last 45 minutes and the continuation to London will take 13 hours."
Assim comecou o retorno ao lar, com uma inglesa com seus 35 anos, com um sotaque fantástico, fazendo o speech do vôo. Mas eu não prestava a mínima atenção nele. A ponte aérea Londres - Rio já tinha impresso esse texto em minha mente, assim como as instruções de segurança que se seguiram nos monitores do avião.
Resolvi ignorar tudo isso e olhar pra fora. Comecei a lembrar da minha infância sentado no finado terraço do aeroporto. Esperava minha mãe retornar de São Paulo onde trabalhava durante a semana. Meu pai sempre me colocava sentado no parapeito da sacada e me mostrava os aviões. Ficava fascinado com aquilo tudo e sonhava, um dia, estar dentro de um daqueles monstros metálicos.
Cá estava eu, dentro de um deles. As vezes não nos damos conta mas sem perceber realizamos, todo dia, um pequeno sonho de infância que fica esquecido no passado.
Infância...não almejava ir embora. Estava feliz ali. Estava realmente em casa, com meus pais, família e amigos. Jogar bola na rua (inclinada), jogar bonequinhos com "para-quedas" da janela dos amigos, passear de bicicleta... realmente as coisas são mais simples quando se é uma criança.
Porque almejar mudar se a vida era boa onde estava? Porque desejar sair de casa? Engraçado como o conceito de casa mudou durante todos esses anos, a vida simples da infância se tornou atribulada e incompatível com o lugar onde estava.
"Ladies and gentlemen, welcome to São Paulo, Guarulhos International Airport. The outside temperature is 26 degrees. We'll remain on the ground for 1 hour and 30 minutes, during this time drinks will be served and the crew will be available for any inquiries. Thank you for flying British Airways."
Já estava em São Paulo. Meus pensamentos foram tão longe que não percebi a decolagem e o pouso. Engraçado como essas coisas fazem a gente se desligar da realidade que nos cerca.
Realidade..que me foi jogada na cara com uma sensação horrível de não estar adequado às necessidades da sociedade, de não se sentir parte integrante da comunidade onde vivia.
Com essa sensação pensei a respeito e vi o que era preciso para que me sentisse em casa de novo. A solução foi ir embora e fazer vida nova, e fiz o que foi preciso para que isso acontecesse.
"Attention, crew, prepare for takeoff."
Será que não percebi o tempo passar de novo? Não importa.
O avião descola-se do solo paulista, vou subindo em direção ao infinito velozmente mas minha mente foi mais rápida. Já estava em casa, com a mala, colocando a chave na porta da frente.
October 09, 2007
There's no place like home
Toca o telefone:
- O senhor pediu um taxi para o aeroporto? Pergunta a voz na outra ponta da linha.
- Sim, agora a pouco.
- Pode descer, por favor. O carro está chegando.
Agradeci e desliguei o telefone. Busquei minha mala, e a tranquei com um cadeado com senha. Alguns amigos que trabalham no aeroporto me disseram que ele não adianta muito mas virou um vício de viagem. Verifiquei minha mochila:
- Deixe-me ver...carteira...chave de casa...passaporte...livro...roupa extra...desodorante...escova de dente...escova...
Tudo me parecia estar lá, como havia deixado na noite anterior. Sabendo disso, coloquei a mochila nas costas, apanhei o material fotográfico, afinal como poderia voltar para casa sem minha inseparável câmera, e a mala e desci para embarcar no taxi.
Chegando na calçada ele já estava no meu aguardo e quando me aproximei, o motorista prontamente saiu do taxi para me ajudar com a minha carga. O taxista era um senhor com uns 60 anos, baixinho com boina e bigode. Parecia uma caricatura. Sempre solícito e sorrindo ele ajudou a guardar meus volumes no porta-malas do carro.
Após o entrar no carro, o taxista prontamente acelerou e lá fomos nós rumo ao aeroporto. Durante a viagem até a Ilha do Governador, resolvi ligar para meus pais e me despedir deles. Minha mãe parecia estar feliz com o fato de eu estar me sentindo em casa no meu posto, apesar de tão longe de casa.
- Um beijo, querido. Boa viagem! Quando chegar em Londres, me avise...você sabe que fico preocupada.
Após ela dizer isso me veio o velho chavão: "Mãe é tudo igual, só muda de endereço."
Após desligar com ela, o simpático taxista me fez uma pergunta:
- Desculpe me intrometer, mas o senhor está de mudança?
- Não não. - respondi- Estou voltando para casa.
- Ah sim...e, pelo jeito, o senhor mora longe daqui.
- Sim. - respondi-
- Deve ser difícil.
- E é mas a gente se acostuma.
Fiquei com essa conversa na cabeça. Engraçado...apesar de ter nascido e de ter sido criado aqui nunca, realmente, me senti em casa. Nunca tive muita dificuldade para me adaptar à vida fora do Brasil, apesar das previsões quase que apocalípticas dos meus amigos e parentes.
Casa... para mim é o lugar onde você se sente parte de um todo. Onde você se sente confortável o bastante para ser si mesmo. Um porto seguro para a mente e o corpo.
- Bom dia, senhor. Alguma preferência de assento?
Levei um baque. Estava tão absorvido em meus pensamentos que nem me dei conta que já tinha não só chegado no aeroporto, como retirado minha bagagem do taxi, pagado o taxista e já estava sendo atendido pela companhia aérea.
- Você tem algum na janela do lado direito?
- Deixe-me verificar...sim. Qualquer fileira?
- Pode ser.
- Ok, senhor. O senhor vai despachar somente esta mala?
- Sim, aqui está.
- Obrigado, senhor. Aqui está seu cartão de embarque. Se quiser pode aguardar no lounge o embarque.
- Obrigado.
- Boa viagem.
Após segui para o lounge da empresa, onde fui para a janela e comecei a olhar para fora.
Casa...o conceito estava circulando na mente... Seria o lugar onde nascemos, ou lugar onde nos criamos ou o lugar onde nos sentimos bem? Apesar de ter definido anteriormente que era a última opção, ainda estava reticente.
A dúvida persistia, afinal, aqui tinha meus pais, a família, os amigos mais antigos... mas não me sentia bem. Não fazia parte daqui e este lugar não tinha muito a ver comigo. Mas lá...apesar de estar longe da família e dos amigos mais antigos, eu tinha meu trabalho, e outros amigos que também me eram queridos. Além do fato de me sentir parte da vida do lugar. É inegável que me acostumei de tal sorte com a capital inglesa que às vezes tenho a impressão de ter nascido lá e de ter morado lá a vida toda. A vida é engraçada mesmo...
- Atenção passageiros do vôo British Airways 247 para Londres, favor embarcar no portão 10.
Era o meu chamado. Uma sensação agradável tomou meu corpo de assalto. Como um cobertor quente numa noite fria. Era aconchegante. Senti, também, um certo alívio de estar voltando para casa. Casa...é. Estava retornando ao lar, minha vida me espera.
September 24, 2007
To the end of the world
Ever felt like you don't belong to the place you are? Ever had the constant feeling that you're not meant to be where you are? Ever thought that you'd be better off living elsewhere?
If you ever had these ideas you know how I'm feeling right now. I wand to go away, far away from this place. To a new world where things are different, where I feel part of a whole, where I can finally say: "I'm home, at last."
I feel unfit. Feel like my values are worthless, my ideals..meaningless.
I'm doing my best to get my things and get the hell out of here, hope I succeed and become a citizen of the world instead of staying in this wall-less prison, chained to this land.
I wish to liberate my mind, my body and my soul and expand my horizons to eternity, making my conscience meet the great blue sky spreading it's wings.
To wrap up I quote (again) this famous poem by Manuel Bandeira:
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
PS: For some weird reason when I read this poem Amsterdam pops up into my mind.