Showing posts with label madrugada. Show all posts
Showing posts with label madrugada. Show all posts

September 20, 2008

Dear Friends

Volto a este blog, ainda sem muita inspiração é verdade, devido a uma ocasião especial: dar os parabéns a duas pessoas que estimo muito: Phê e Bia. Inclusive posto hoje de propósito visto que hoje é o dia que se encontra exatamente entre o aniversãrio das duas. Parabéns a vocês, todos os clichês repetitivos de aniversário (que você, Bia já ouviu ontem e que você Phê ouvirá amanhã até os ouvidos serem gastos hehe). Além de todos os clichês eu desejo que vocês não mudem nunca porque pra mim, se mudar estraga.

Bom, tentando levar isso aqui a frente. Ontem a noite, como acontece quando o verão se aproxima, a lua começou a aparecer na janela. E isso tem efeitos estranhos em mim. Não que eu seja o lobisomem ou sei lá o que (bela piada, hein?) mas me trouxe algumas lembranças. Talvez porque a luz começou a iluminar a miniatura de Torre Eiffel que tenho em cima da mesa que trouxe da França mas bateu uma saudade grotesca de tudo aquilo. Cacete, que saudade de tomar um vinho num café no Quartier Latin, que saudade de passear às margens do Spree e de cruzer apressado o Piccadilly Circus e seu tumulto diário.

Sei la porque isso veio à cabeça, talvez porque eram quase 4 da manhã e o sono não vinha. Talvez não viesse porque não quisesse deixar de "estar" nesses lugares. Tente, então, acessar alguns deles via Google Earth e sua nova ferramenta "über-maxi-turbo-giga-power-express-extended-macro-big-brother" que consiste em vc ter visões panorâmicas de 360 graus de vários pontos em determinadas cidades. Tentei com Paris...não adiantou, afinal você pode estar vendo aquelas imagens mas não se está lá: você está no outro lado do Altântico, morrendo de saudades. O Google Earth não te dá a brisa, nem me faz ir até a Rua de Grenelle comprar um jornal e depois ir abastecer a geladeira no Franprix. Ele não me deixa descer Montmartre comendo um sanduiche desviando da horda de japoneses que estão lá nos finais de semana (e durante também, porque não?). Enfim, por mais "enxerido" que sejam estes programas, nada MESMO substitui estar lá.

Já passou de 4 e meia e o sono ainda não veio. Mas que tipo de tortura é essa? Minha cabeça não me deixa dormir e me leva a lugares que guardo com saudade, além do que citei ai em cima. Me leva ao convivio de pessoas das quais sinto falta, me relembra de amores que se perderam mas que jamais foram esquecidos. Como se fosse uma viagem dentro de minhas próprias memórias mas que a certa altura mudou de forma. Comecei a ver lugares onde nunca tinha ido e pessoas que nunca tinha visto. Estranhei tudo isso, afinal onde era aquilo e quem eram essas pessoas? E afinal de contas, quando diabos eu vou conseguir dormir? Estava morrendo de sono mas não conseguia dormir de jeito nenhum.

Decidi tentar na marra e deitei na cama. Assim que terminei de me cobrir, fechei os olhos. Quando os abri de novo a noite tinha passado. Já passava de 10 da manhã. Será que sonhei ? Será que já estava dormindo? Para onde eu fui levado no final do sonho? Quem eram aquelas pessoas? Eu não sei, mas tenho a sensação que não foi a primeira vez que elas passaram pela cabeça.

May 31, 2008

Wherever you are

1am. After a long tiring day at the office I decided, after spending some quality time at a café nearby, I decided to sit at the spanish steps. I still had a bottle of wine in my hands. It's a nasty habit I've learned from the italians: always bring your own wine since cafés and restaurants hardly ever know your taste anyway (except the really expensive ones but that doesn't matter).

It was a chilly night and at this time of night nobody else was there, the famous Piazza di Spagna was empty leaving myself alone with my thoughts. Not a awhile ago I remember to be writing my blog back home scenes precisely like this one. Every single detail was there. I remember being able almost to hear the quiet sound of Amsterdam's channels, of the cheerful tunes of Munich's bierhauses.

But one thing I always felt about these texts: they couldn't give the readers a proper idea of how it felt to be truly living these moments. I've always had the idea that no matter how well I described things (which I didn't), they'd always be missing somenthing like the thrill of diving into the Inn Valley in the Alps to arrive at Innsbruck or the warm and relieving feel of the tears that insisted to fall when I saw the Eiffel Tower for the first time many years ago.

As my sight was lost in the long Via Condotti I realized something: in all of my posts I've never talked about this place. For some unknown reason I left Rome forgotten in my posts. It's interesting because I've written about many things, situations and places but never talked about this beautiful place, for some the cradle of western civilization.

Unfair! Oops..guess I just let my thoughts slip through my mouth...think I said it out loud. But I decided to fix that and write a new post there about this place, it's people and my experience here which is being much more than fantastic.

2:30am. I run out of wine, but I feel like having some more. Guess the roman air requires you to have your wine always close. I think I'll stop by a café on my way back home. Before leaving, I walked towards la fontana de la barcaccia, to drop a dime as I always do when I stop by the steps. When I threw the coin I noticed that someone was watching me bacause I could make out a face through the water reflexion. As I turned back I could see this blue-eyed brunette woman smiling at me and looking at me so sweetly that I felt she was no stranger.

I had the weird impression of déjà vu so I decided to ask her if we've seen each other before (using my lousy italian). She answered me:

"Oui, nous avons nous rencontré plusieurs fois à plusieurs places de plusieurs manières. Tu me trouveras dans ton poche et dans ton coeur aussi."
(Yes, we've met many times at many places on many ways. You'll find me inside your pocket and also inside your heart.)

I was puzzled. Why would she speak french if I asked her in italian and I was in Rome! I had nothing else to do: I reached my pocket and I felt something: it was the paper from my dream. How on Earth did it end up in there? It was folded in half and had "Je t'aime" written on it.

When I showed it to her she smiled and held my hands. Never before I felt such warm, delicate and soft hands in my life. After that she took my right hand and moved it towards her face. When it did she just said:

"Je suis réel."
(I am real.)

When I heard that I started crying like I never did in my life. I wasn't loud, it was a resolute cry of relief, liberating years of frustration imprisoned deep inside me.

While my tears were cascading though my face she took my hand again and said:

"Je suis réel mais tu ne m'as jamais connu...encore. Cette vie ici est réel aussi mais pas maintenant. C'est un rêve mais je ne te quitterai jamais mon amour et ne désespère pas: nous nous trouverons à la vie réel au futur...proche. Moi je existe aussi, je ne suis pas partie de ton imagination. J'éxiste et je te cherche tous les jours."
(I am real but you never met me...yet. This life here is real as well but not now. This is a dream but I'll never leave you, love and do not despair: we will find each other in real life...soon. As for me I also exist, I'm not part of your imagination. I exist and and I look for you everyday.)

After she said that, while I was still crying she came closer and kissed me. It was different the the one in the other dream: this time everything moved really fast turning reality into a typhoon of thoughts and feelings and when I felt that it was time to go back I could see her face and hear she saying:

"Je suis toujours avec toi."
(I'm always with you.)

After she said that the inevitable happened: I woke up...again. I noticed something weird this time: my face was red and swollen and my pillow was wet. The tears...they were real.

Je dédie ce texte à toi...partout où tu es.

May 04, 2008

Now I'm here

São 4 da manhã e estou recolhido à cama. Giro de um lado pra outro em busca do sono que não vem. Em seu lugar uma sensação de angústia, um vazio...a solidão. Ela que tem me dado crises de insônia nos últimos dias volta a incomodar com maior veemência.


Impossibilitado de dormir, me levanto e venho a este púlpito me expressar, mesmo que brevemente, sobre o ocorrido. O silêncio agudo que me cerca transforma meus pensamentos em gritos que são proferidos a plenos pulmões. Agonia que outrora era surrurrada ao pé do ouvido agora ensurdece. O escuro duro e frio me cerca, me mostrando de forma crua e áspera o poder que a solidão possui.

O silêncio ensurdece, a escuridão cega. Mal posso ouvir as teclas do teclado, estas mais parecem sussurros que se perdem madrugada adentro. São como os pedidos de ajuda que Ariel fazia enquanto ainda conseguia fazê-los. São como as memórias de um passado fugaz e que, a cada dia, encontra-se mais distante. Cada vez mais as poucas lembranças de que, um dia, a solidão não existia vão se confundindo com o passado. Vão perdendo, aos poucos, a nitidez pictórica e factual tornando-se cada vez mais imagens turvas de algo que, por breves períodos de tempo, foi o mais perto que cheguei de ter o coração em paz.

February 29, 2008

Stargazer

Quatro da manhã. Meus olhos se abrem. Sobre mim, o teto branco observa. Não consigo enxergar muito bem, meus óculos estão sobre a mesa na cabeceira. Tateando sobre ela os encontro e posiciono no meu rosto. A vida lá fora está imóvel, hibernando até a alvorada que se avizinha.

Ao acordar senti um vazio rasgando o espírito. Meu primeiro reflexo foi o de ir a janela e observar as estrelas buscando conforto em sua beleza distante. Distantes, belas mas incrivelmente frias. Elas estavam ali, como velas acesas no firmamento tentando, de certa forma, me mostrar o caminho...

Que caminho você deve estar se perguntando? O caminho para encontrar a única estrela no céu que pode acender o coração. Mas existe um número quase infinito de pontos brilhantes no céu, como descobrir este único que não é como os outros?

Essa pergunta me assombra faz algum tempo e não faço idéia de como respondê-la. Não faço idéia de como interpretar essa indicação e encontrar minha estrela na imensidão. Me assusta também outro questionamento: quais as chances de encontrar uma estrela em um universo quase que infinito e sabendo que não tenho a capacidade de enxergar todas as luzes celestes?

Fui invadido por uma sensação de tontura, como seu o chão sob meus pés tivesse desaparecido assim como as esperanças em encontrá-la. Uma sensação horrível se sucedeu. A sensação de estar condenado em uma busca eterna e infrutífera que iria me consumir plenamente.

O vento chacoalha as árvores, o pensamento é interrompido. No horizonte a alvorada se avizinha. Com o apagar das luzes eu resolvi me recolher novamente, vencido pelo cansaço e por uma sensação de estar sem norte.

Um pássaro canta sozinho ao longe sob os primeiros raios de sol do dia, uma lágrima escorre, os olhos se fecham.


'Twas noontide of summer,
And mid-time of night;
And stars, in their orbits,
Shone pale, thro' the light
Of the brighter, cold moon,
'Mid planets her slaves,
Herself in the Heavens,
Her beam on the waves.
I gazed awhile
On her cold smile;
Too cold—too cold for me—
There pass'd, as a shroud,
A fleecy cloud,
And I turned away to thee,
Proud Evening Star,
In thy glory afar,
And dearer thy beam shall be;
For joy to my heart
Is the proud part
Thou bearest in Heaven at night,
And more I admire
Thy distant fire,
Than that colder, lowly light.

"Evening Star" - Edgar Allan Poe (1827)

February 14, 2008

Drink up me 'earties, yo ho

"Por favor, mais uma." É o que mais ouvi falar e foi o que mais falei na capital da Bavária. Como um australiano me disse uma vez "A Alemanha é um lugar estranho: quando menos se percebe, uma cerveja aparece na sua mão." E é a mais pura verdade. As vezes me perguntava de onde aquela caneca tinha surgido mas não me importava pois a qualidade da bebida era excelente.

Não é a mesma coisa que você comprar uma garrafa de cerveja alemã no mercado, além do gosto ser diferente o ambiente faz toda diferença e nisso Munique faz toda a diferença.

A noite avançava na cervejaria onde, na companhia de outros viajantes, bebia várias canecas de diferentes cervejas locais. A conversa fluia alegre e todos queriam saber sobre os lugares de onde as pessoas vieram. Era uma sensação interessante, de fazer parte de algo muito maior. Eu não era apenas brasileiro mas fazia parte de uma comunidade realmente global. Canadenses, australianos, americanos, alemães, todos em uma mesma mesa rindo, contando piadas e bebendo (claro, afinal é Munique). Foi uma bela sensação, que dificilmente senti em Pindorama talvez devido à falta do caráter cosmopolita das terras Tupiniquins.

Ao sair da cervejaria resolvi ir a pé de volta ao albergue, era perto mas não tão perto assim. Enquanto os outros conversavam, já sob efeito de muita bebida, eu caminhava olhando tudo que se passava ao meu redor. Eram altas horas da madrugada alemã e ainda podia-se ver pessoas nas ruas saindo das cervejarias, outras parando para comer alguma coisa e outras simplesmente, como eu, apreciando a paisagem.

Ao passar por Marienplatz pude perceber como tudo aquilo era bonito e bem cuidado. Senti uma ponta (mais para iceberg) de inveja. Gostaria muito que o povo da minha cidade tivesse o zelo que os bávaros tinham com sua capital, todos os prédios limpos, sem um milímetro de pixação, nem meio cartaz colado e nenhum outdoor escondendo suas fachadas, realmente uma beleza. "Ah se o Rio fosse assim..." pensei alto, chamando atenção dos que estavam comigo, mas como ninguém entendeu (visto que português é língua morta fora dos países lusófonos) apenas ouvi risadas e uma piada "Olha só..o cara está tão bêbado que só consegue falar sua língua." achei graça e ri também, afinal talvez não estivessem tão errados assim.

Descendo a Neuhauser Strasse, cheguei em Karlsplatz. Uma pela praça que, após uma reforma agregou várias interferências modernas em sua arquitetura clássica, bem típico da Alemanha atual. Lá pude perceber que podia ver a lua, sob uma fina névoa, refletida em um dos elementos de aço da praça. "Devia ter trazido a câmera", pensei mas depois lembrei que não seria uma boa idéia. Mas logo depois lembrei que a imagem já estaria gravada para sempre em minha mente e, por isso, não precisava de câmera.

É verdade, não precisava de câmera. Afinal câmeras registram apenas imagens que podem transmitir sensações mas uma câmera não transporta o aroma suave da madrugada de Munique, ou o som dos passos tranquilos na Maximilianstrasse ou a sensação de bem estar por estar, finalmente, em um lugar que realmente gostava e me sentia parte dele.

PS: Munich travel tips
PS1: Rathaus-Glockenspiel - Se quiserem ir preparem-se para lidar com multidões, mas como os sinos não demoram muito não tem problema.
PS2: Andar de Karlsplatz (Stachus para os bávaros mais xiitas) até a Hofbräuhaus vale a pena.
PS3: Gosta de carros? BMW Welt e não se fala mais nisso.
PS4: Gosta de esportes? Olympiapark. Do lado do BMW Welt.
PS5: Futebol? Allianz Arena. Parece um pneu gigantesco.
PS6: Não deixem de ir ao Deutsches Museum. É muito divertido.
PS7: Se gostarem de história e tiverem estômago forte vão a Dachau.
PS8: Cerveja ao ar livre com boa comida? Viktualienmarkt e de quebra encham suas garrafas nas fontes do lugar: a água é limpa.
PS9: Se tiverem um pouco mais de tempo vão ao castelo Neuschwanstein. Walt Disney se inspirou nele para criar o da Disneyland.
PS10: Existe vida em Munique para os que não bebem, tentem suco de maçã.
PS11: Se você não gosta de porco, ai fica difícil, mas experimente mesmo assim.
PS12: O chucrute (sauerkraut para os locais) alemão é outro mundo.
PS13: Nem adianta procurar a cervejaria do Putsch de Munique. Ela foi destruída na guerra.
PS14: Mas a cervejaria onde nasceu o NSDAP (vulgo partido nazista) existe: Hofbräuhaus.
PS15: Visitem a Frauenkirche e vejam a pegada do diabo. (ele calça 41 pelo jeito)
PS16: Nem tentem procurar sinais nazistas em Munique: foram todos retirados.
PS17: "Não existe alcoolismo em Munique, apenas algumas pessoas com distúrbios alimentares."
PS18: A foto é da Altes Rathaus em Marienplatz. E, como sempre, não é minha.

January 03, 2008

Midsummer Night's Dream

Never have I seen such dark skies. Don't remember noticing how many shining pearls the night has. The moon with it's many colours gave the dark room a cold yet meaningful glow. Like a candle it refuses to let darkness cover everything between four walls.

I'm standing on the window on this warm summer night. The streets are empty: it's 3am. The windows of the neighboring buildings tell me that there are few people like myself: insomniac. The bed doesn't seem so cozy, the pillow not has good as it used to be.

The streets are lit but all you can hear are the trees breathing with the wind, I can almost hear the thoughts of other insomniacs like myself. A needle touching the ground can be loud like a jet plane but you don't have these at this time of the night. The world seems frozen, waiting for the dawn of a new day when people will wake up and fill the world with life again.

But don't be fooled. There's life in this frozen world of late night. When everything seems to be black and white, pay closse attention to the discreet signs that life gives us: the smell of the flowers, the tree branches moving... It's around us also during the day but their delicate beauty isn't noticed.

Perhaps some people can't sleep because of their fascination for this delicate beauty, perhaps in some sort of way their minds think that it's a waste to get disconnected from the outside world when it shows us this almost hidden spectacle.

Who knows?

December 15, 2007

Going with the flow

Millenium Bridge. It's a chilly spring night over the Thames. As I face the river with it's swift waters I begin to wonder if my heart was taken away by the flow.

Since I was young I could notice clearly my life moving forward in every single side of it except one. It's been a long way from the noisy warm streets of Rio to this quiet and chilly evening at London. I always did what I had to do to reach my goals and here I am, with a good job, living in the city I fell in love at first sight years ago, with my friends at both sides of the pond and a few scattered at some other distant places but...

Why am I facing down this modern bridge looking at the clear dark waters of this water-way? Why did I chose this particular bridge? There are so many others in here...

A loud noise broke my thoughts. The Big Ben announced: it's midnight, about 26 minutes to the last tube departure of the day from Saint Paul's station nearby. I didn't care much, because I wasn't in a hurry, I could take the long walk home of taking one of the night buses that serve the city...I wasn't in a mood for a cab ride.

I dediced to return to my thoughts...why this bridge? Perhaps that it shared one strange coincidence with me: no matter how we are we're always incomplete. I always felt this way towards this particular bridge: very modern but lacking one thing which is personality. I don't lack personality, I lack something else, something that can make this quiet and chilly London evening a warm and colourful one.

Oh yes...there are no words to describe properly, they're not enough. I feel the feelings taking control of me.

It's a bit past midnight, guess I'll drop by the pub for a pint, alone this time...I need to think. Better hurry..otherwise it will be too late for that.

As I walk towards the end of the bridge my thoughts tookover. I was walking in the air..at least that's what I felt. Time was meaningless now but I kept walking without paying attention to nothing. "It's fine" I thought "The bridge is empty anyway.". But I was wrong. A few seconds after the idea came across my mind I bumped into a woman. I apologized and helped her with her things, which she dropped because of me.

I introduced myself and we started talking and walking towards the other side of the bridge, the one that I wasn't supposed to be going, as we talked I felt charmed by her eyes and her voice. I invited her for a coffee, she agreed with the condition that she picked the place. I agreed since it didn't really matter where we would be.

As we walked a cold breeze started blowing, it was London's famous unstable weather. I offered her my jacket and she took it. The wind blew away the clouds showing a gorgeous crescent I started looking above and she noticed:

"Why are you looking up like that?"
"Sorry but I'm fascinated my the moon. I never get tired of looking."

After hearing that she looked a bit surprised but kept the date, apparently she changed her mind regarding the place and she took me to this small cafe with some tables at some sort of terrace at the second floor where the crescent was shining over us warming our hearts and giving hope to those who were looking or just making the night view of London even more beautiful.

December 06, 2007

Blind storms

Olhos cerrados, o mundo se cala. Boca fechada, o mundo escurece. Ouvidos fechados, o mundo desaparece. A chuva cai, o doce som se espalha nas ruas mudas. O aroma se desprende do chão e enche as narinas...olfato...o único sentido que ainda resiste.

Todos os outros quatro sentidos minguaram. Atrofiaram por absoluta falta de uso. Estou trancafiado em uma sala escura, prisioneiro de um sentimento de vazio que parece não ter fim. Ao longe existe uma janela bastante estreita. Não existem barras, afinal o prisioneiro não pode enxergar a saída nem ouvir alguma boa alma o chamar.

Está sentado, em um canto de seu cárcere sentindo o vaporoso odor da chuva que rega o mundo no exterior de sua prisão.

Não existem algemas nem correntes neste lugar. Não existe carcereiro, padre ou qualquer tipo de vida humana ali além da sua. Está totalmente só. Abandonado em seus próprios pensamentos, com seus próprios tormentos e fantasmas.

Quisera ele estar lá fora sorrindo, vivendo aproveitando o mundo sob a chuva mas ele não pode. Seu coração foi ferido e aos poucos seu espírito está morrendo....sentido a sentido ele vai se voltando para si mesmo.

Talvez essa sua última chuva, talvez na proxima não a perceba mais. Talvez a tormenta seja o último resquício de vida que o mundo exterior dê a ele.

Este pensamento varou sua cabeça como um raio, se deu conta de que o fim está próximo, de que em breve será apenas uma carcaça abandonada no canto escuro de uma solitária.

O fim... não existe nada mais dentro dele...apenas um vazio que parece ser infinito. Forças ele não tem mais, só está vivo agora por absoluta teimosia, afinal ainda existe esperança de que um dia ele consiga recobrar tudo que perdeu. Existe a esperança de que o coração, um dia volte a bater.

A chuva parou. Nada mais pode ser sentido por ele. Uma lágrima escorre na face fria.

November 20, 2007

Endless

Silent steps on the eerie road. The darkest of nights surround me, like I've never seen before. The moon and the stars are elsewhere, the light vanished from this world. The only shadow there is lies inside of me. A decaying version of what used to be me but now, this thin self is about to turn into smoke.

The cold wind blows in this barren world, I can hear the dry tree branches move. I closed my eyes, in order to listen to that dead symphony. Death...it surely took by storm this place. Life fled with the stars, guided by the moon. They hid inside the only shadow left in this world and, with it, will become history.

I look back and see an endless path. I try to fugure out how long has it been since I started to walk down this road. How long has it been like this? At first the road was a promise of life and happiness but now...the road died...so did I.

I try to find the end of the way in the distance, but the darkness lies like a grim blanket preventing me to making out what's ahead. Perhaps it's better this way..who knows. What if the road went through the horizon? What would be the point of wandering forever in this dead place? At least these walls give me some sort of hope.

Hope...for now because it lies inside my dying soul and when the end reaches me, I'll be definetly alone and lost in this road to nowhere where not even life exists, where a sould cannot keep living, where the sky turns into a statement of death and sadness.

November 02, 2007

The Perfect Storm

Tarde da noite, o sono não vem e de repente veio a vontade de postar aqui. Mas postar sobre o que? Sobre a chuva que desabou nas redondezas e que foi fugaz? Pois bem...

Foi interessante ver as árvores balançando ferozmente a cada rajada de vento, o barulho da água batendo no chão, o cheiro de terra molhada...a chuva veio em boa hora, afinal o calor era infernal.

Choveu lá fora...mas a tormenta passou. As nuvens foram se dissipando e as estrelas timidamente apareceram no céu. Inclusive as que não são estrelas, são a morada de nossas esperanças e sonhos...se bem que creio que não existam nem estrelas nem não-estrelas suficientes mas, em um exercício de egoísmo, irei focar em mim mesmo.

Enquanto isso, no meu firmamento, o céu é plúmbeo, raios rasgam o céu com suas lâminas brilhantes, trovões retumbam e ecoam na paisagem devastada. Chove por anos, sem interrupções. A tormenta varre a terra, que outrora abrigou vida e hoje está estéril. Ao longe pode-se ver ruínas do que um dia já foi uma catedral, não um prédio que venera nenhuma divindade mas uma catedral em termos de magnitude.

Aquele prédio ja fora, em outras épocas, magnífico, colorido e pujante. Era o centro da vida naquele lugar, hoje só restam os fantasmas do passado radiante.

Que contraste, enquanto lá fora a chuva antecipou uma magnífica noite de estrelas, aqui dentro não existem estrelas, nem luar apenas um manto cinza que oculta a beleza do algo que já foi coalhado de esperanças e sonhos.

October 01, 2007

Noite adentro

"Little do men perceive what solitude is, and how far it extendeth. For a crowd is not company, and faces are but a gallery of pictures, and talk but a tinkling cymbal, where there is no love." (Francis Bacon)

Passos mudos pela noite. As luzes da cidade ao longe nada mais são do que estrelas coloridas junto ao horizonte. A lua está tímida, apenas uma tênue linha semicircular brilhava no céu.

O jornal estava certo, estava nos últimos dias da lua minguante.

Era uma noite agradável, uma brisa leve soprava e agitava levemente as águas do Sena. Estava cansado, afinal tinha sido um dia difícil no Cours Albert 1er. Nunca vi tanta gente reclamando em minha vida. Brasileiro é mal acostumado, e mal educado, sempre destratando aqueles que não atendiam suas ânsias como queriam. Passei o dia ouvindo impropérios, sendo alfinetado por olhares e sorrisos amarelos.

No final do dia, deixei a pasta com Mme Nevers, minha simpática secretária, e fui encontrar alguns amigos em um bar próximo ao escritório. Por incrível que pareça, nada ali me atraía. Estava absorto em meus pensamentos, estava surdo e cego. Interagia com as pessoas de maneira mecânica, ou seja, estava dependendo puramente de reflexos sociais.

Após sair de lá, fiz o que sempre gosto de fazer em momentos introspectivos como esse: andar. Lembrava-me do conselho de Julien que tinha me dito certa vez que o Sena sempre levava consigo suas preocupações.

Olhava para a vida passando pelas pontes que se seguiam, a Pont Neuf cheia de turistas como de costume, um grupo de universitários conversava acaloradamente na Pont de Tolbiac enquanto sob eles, o Sena corria rumo ao seu fim no Canal da Mancha.

Vaguei por horas às magens do rio, tentando fazer com que, de certa forma, ele lavasse o espírito e renovasse as esperanças de que tudo seria melhor.

Até que, inexplicavelmente, meus passos não eram mais mudos. Eles ecoavam na bela noite francesa, o som das vozes sumiu, as luzes da cidade feneceram e a lua se retirou. A única presença ali, além da minha, era a do vigilante e perene rio.

Segui minha caminhada noite adentro, meus passos se tornavam cada vez mais ensurdecedores e o rio se tornava mais silencioso até que o único som era o meu próprio, nem mesmo meus pensamentos eram audíveis.

A última coisa vinda do meu consciente que consegui ouvir foi uma constatação: "isso é, de fato, a solidão."

Uma maior solidão
Lentamente se aproxima
Do meu triste coração.

Enevoa-se-me o ser
Como um olhar a cegar,
A cegar, a escurecer.

Jazo-me sem nexo, ou fim...
Tanto nada quis de nada,
Que hoje nada o quer de mim.

(
Uma maior solidão - Fernando Pessoa)

September 04, 2007

Late night


Madrugada. Periodo de tempo que sucede a noite e antecede a manhã. Certo? Talvez. A madrugada para alguns consiste em um período do dia (as vezes o único) onde se consegue paz e silêncio. Muitos têm seus ápices criativos na madrugada, muitos enfrentam seus fantasmas, muitos olham para si mesmos, muitos olham pra fora, muitos sonham, muitos olham pras estrelas.

Você pode argumentar: "muitos dormem!". De fato, mas não seria o sono um veículo que permite o indivíduo olhar para si mesmo? Dizem que uma pessoa sonha todo dia, por mais que conscientemente ela diga que não o fez.

Eu acho que isso é verdade, afinal além de janela para a alma, os sonhos permitem que seja feita uma espécie de "limpeza" na mente, ou seja: uma sedimentação dos fatos ocorridos no dia que terminou.

A madrugada se aproxima, mas, infelizmente, não posso apoveitá-la...amanhã é dia de acordar cedo, afinal a vida continua.