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June 29, 2010

Cold and colder

Ultimamente, tenho pensado em um poema do poeta galês Dylan Thomas que diz o seguinte:


Do not go gentle into that good night,
Old age should burn and rave at close of day;
Rage, rage against the dying of the light.

Though wise men at their end know dark is right,
Because their words had forked no lightning they
Do not go gentle into that good night.

Good men, the last wave by, crying how bright
Their frail deeds might have danced in a green bay,
Rage, rage against the dying of the light.

Wild men who caught and sang the sun in flight,
And learn, too late, they grieved it on its way,
Do not go gentle into that good night.

Grave men, near death, who see with blinding sight
Blind eyes could blaze like meteors and be gay,
Rage, rage against the dying of the light.

And you, my father, there on the sad height,
Curse, bless, me now with your fierce tears, I pray.
Do not go gentle into that good night.
Rage, rage against the dying of the light.

Mas porque? Eu não sei explicar. Talvez a luz esteja morrendo. Talvez esteja brotando uma melancolia pela aproximação das trevas. Vejo ao longe o horizonte que outrora era infinito tornar-se ameaçador. Trovões ecoam no céu e raios estalam à distância.

Lembro-me daqueles dias de sol que, como todo dia cálido de verão, era sujeito a chuvas mas no final a tempestade cedia. Ah noites estreladas e povoadas de sorrisos. Hoje são apenas lembranças, quem sabe até mesmo fantasias.

Eu não sirvo pra ser poeta. Então vou parar com o falso lirismo. Não há lirismo na melancolia, apenas lágrimas...que não existem.

January 21, 2009

Yes we can...can we?

Ontem assisti na CNN a posse do Obama. Impressionante todo o aparato de segurança, impressionante o tanque de guerra que chamam de "Presidential Limo", impressionante toda a super-produção do evento. Mas tudo isso já era esperado.

O que me decepcionou mesmo foi o discurso do novo "comandante em chefe" dos US and A. Eu achei chatíssimo, sem um "punch" que poderia se esperar de um político que atraiu tanto carisma. Pelo contrário, tratou-se de 18 (sim, dezoito) minutos de um falatório burocrático e sem graça.

Não era daqueles que esperava frases antológicas como no discurso de John F. Kennedy ou Franklin Roosevelt mas...pelo menos um pouco de sal nesse texto oras! O tal de Barack fez história sendo o primeiro "african-american" a ocupar o cargo de mandatário máximo do país e, além de tudo, mandando de volta pro shithole de onde veio simplesmente o presidente dos EUA que conseguiu ser mais impopular que Richard Nixon...e ele rodou por Impeachment!

Lendo o Twitter da Phê me dei conta do fato engraçado: da mídia buscando encontrar água no deserto através de uma tentativa de encontrar alguma coisa marcante no discurso de posse "do homi". Rede Globo, CNN. BBC e o raio que o parta: TODOS tentaram, ninguém convenceu. Certo falou um dos comentaristas políticos do canal americano: "Este se trata de mais um discurso que será rapidamente esquecido."

Em tempo, a quem não leu ou ouviu o texto ou porque não pode, ou porque mora em uma redoma em Plutão, eu dou uma chance de se redimir: ao final deste post vou deixar o link para a "obra" na íntegra para que vocês tirem suas próprias conclusões.

Link para o texto na íntegra.

December 30, 2008

Auld Lang Syne

É isso ai meus caros leitores. Este ano foi pro saco. 2008 está nos extertores (bela palavra, não?). Um ano que começou tão bem com uma fuga transatlântica, depois tornou-se moroso e dolorosamente igual a 2007 e no apagar das luzes fui surpreendido com uma reviravolta.

Naturalmente, como se trata (provavelmente) do último post do ano, venho aqui fazer um balanço deste primeiro ano completo de blog. Verdade que este blog iniciou-se em 2007 mas o parto ocorreu no meio do ano então posso dizer que este ano foi o primeiro ano completo que este blog completou.

Voltando ao clima de final de festa (vocês sabem..quando estão todos bêbados e o desgraçado do sujeito-metido-a-dj-que-escolhe-as-músicas coloca Whisky a go-go só pra expulsar os incautos da casa de festa.), o que foi este ano moribundo? Pra mim foi um ano de experiências que me fizeram abrir os olhos em relação a posturas a serem tomadas na vida. Minha fuga para além-mar me serviu para arejar meus pensamentos e me fez ter certeza do que quero e, por conseguinte, do que não quero.

Durante o ano, após meu retorno para o lado de cá, percebi o quanto foi importante esta abertura de horizontes. Decisões foram tomadas, ações foram planejadas e processos tomaram forma tudo visando um objetivo único mas que não é uno. Rogo que percebam a sutileza que difere estas duas palavras. Não irei explica-la agora mas, caso seja de seu interesse, pensem a respeito.

Neste ano conheci pessoas novas sendo que muitas delas não eram totalmente desconhecidas, conheci mais a fundo outras que se tornaram parte do meu dia-a-dia, resolvi brigas antigas, não criei novas, impus a minha vontade, cedi outras vezes...ou seja, foi um exercício de descobrimento e equilíbrio. Muito provavelmente o segundo veio por conseqüência do primeiro.

Este ano, como é a vida, não foi apenas composto por temas leves e fáceis. Foi demasiado árduo, especialmente em determinadas questões levantadas ao longo destes últimos 12 meses e pela estranha e recorrente sensação de não pertencer ao lugar onde estou. Sendo que esta última sensação, que se tornou certeza, só faz se fortalecer ao longo do tempo.

E o que será de 2009? O ano começa já diferente de como se iniciou 2008, decerto que desta vez não irei pegar uma carona para a borda nordeste do Atlântico nos primeiros meses do ano (a não ser que algo totalmente inesperado ocorra...quem sabe, né?) mas existem fatores novos que me fazem olhar para o ano que se avizinha com um ar de ineditismo. Espero que aquilo que se iniciou de positivo em 2008 floresça em 2009 e que dê frutos tão desejados e importantes.

A todos aqueles que tiveram a paciência de aguentar este blog durante 2008 meu muito obrigado e que a paciência de vocês seja mantida em 2009, afinal um blog onde o autor fala com as paredes não tem lá muita graça. Eu fico por aqui e caso não poste nada aqui até o dia 1º (o que só vai ocorrer caso eu tenha algum tipo de epifania), gostaria de desejar a todos que visitam este espaço um feliz ano novo, com muito bla bla bla e clichês diversos pra todos. E antes que me perguntem: sem piadinhas escrotas típicas desta época do ano advindas de minha parte.

PS: Caso você esteja bêbado e quiser pagar de gringo, eis a música que os caras cantam no ano novo:

Should old acquaintance be forgot,
and never brought to mind ?
Should old acquaintance be forgot,
and old times since ?

CHORUS:
For auld lang syne, my dear,
for auld lang syne,
we'll take a cup of kindness yet,
for auld lang syne.

And surely you’ll buy your pint cup !
And surely I’ll buy mine !
And we'll take a cup o’ kindness yet,
for auld lang syne.

CHORUS

We two have run about the slopes,
and picked the daisies fine ;
But we’ve wandered many a weary foot,
since auld lang syne.

CHORUS

We two have paddled in the stream,
from morning sun till dine ;
But seas between us broad have roared
since auld lang syne.

CHORUS

And there’s a hand my trusty friend !
And give us a hand o’ thine !
And we’ll take a right good-will draught,
for auld lang syne.

CHORUS

November 29, 2008

Fire in the basement

Final de período. Nada melhor que agora para fazer um balanço do que foi o período de 2008/2 na minha, na nossa idolatrada, amada, xingada, odiada, detestada salve-salve ECO. Ah..quantas emoções escrotas tivemos neste período não é, meninos e meninas? Quantas disciplinas inúteis tivemos que cursar...quantos trabalhos inúteis e morosos tivemos e ainda temos que concluir para que em um ato de auto-libertação possamos bradar aos quatro ventos: que tudo se acabou.

Mas ainda não podemos celebrar a quebra dos grilhões que nos impede de navegar livres pelos mares bravios que banham nossa e outras costas. Não, meus caros leitores. Ainda existem libações a serem feitas. Mas, com a graça de Allah e de Zeus não falta muito para que possamos soltar o espírito de liberdade que está enclausurado dentro de nós.

O que foram estes quase seis meses finais de 2008? Eu respondo. Foram uma sucessão de aulas irritantes, sem sentido, monótonas, sonolentas, cansativas, inúteis e além de tudo isso: péssimas. Eu cito alguns highlights do período, evitando de se citar nomes como é de meu feitio.

A presença de um certo aluno de minha turma na ECO que, segundo o Sr Pecis, faz evadir-se de mim todo sentido de humanidade que uma pessoa possa ter. Mas é claro, meus amigos. O sujeito é inconveniente, mais burro do que uma samambaia e, como é do feitio de quase todas as criaturas que habitam a instituição: acha que sua opinião vale de alguma coisa. Porra, meu amigo, você é um completo e irrestrito imbecil quem se importa com suas opiniões sem fundamento? Ninguém, repetindo pra frisar N-I-N-G-U-É-M, dá a mínima. O episódio em uma aula que citei em um post mais antigo dá fundamento a minha afirmação.

Outro highlight é a insistência que determinados professores têm em passar um zilhão de trabalhos absolutamente INÚTEIS que devem seguir um monte de regras igualmente INÚTEIS para que possamos entregar em um prazo quase sempre muito elástico e que no final não valem porra nenhuma ou pior: aqueles feitos por alunos retardados como os citados acima são mais reconhecidos do que o seu, apesar de o seu estar muito melhor e...ah sim...ter sido feito com alguém que entenda como se faz contas de somar sem usar os dedos.

Outra coisa que vale ser lembrada é a proliferação da existência, na verdade eles sempre existiram só que agora o convívio com essas pessoas se tornou maior, dos chamados "forever virgins". Que são aquelas pessoas que se acham suuuuuper legais porque no meio de uma discussão sobre o poder da mídia nas massas subjugadas pelo capitalismo pós-moderno vomitam nomes de autores como Deleuze, Foucault (super-hit da ECO), Melman ou o pedantíssimo Nietzsche. Essas pessoas, agora já no dito "ciclo profissional", estão sempre trajando roupas pseudo-intelectual-moderninho-yuppie e seus óculos quadrados com hastes largas e as vezes com cores esdrúxulas.

Eu admito, meus caros, que este final de período me deixou especialmente irritado e particularmente de saco cheio de ver esses tipos. Pela quantidade seguida de vezes que desferi meus "petardos" (bela desculpa pra usar a palavra!) contra a ECO e sua fauna (porque a maioria dos que estão lá não são gente) percebe-se que a paciência terminou. Agora tento colocar meus pés lá o mínimo possível, pelo menos até 2009. O que será do ano que vem? Sei lá. Só sei de uma coisa, ainda vou pelo menos ter o prazer de contar com os laços que nasceram la e que transcenderam aquele antro de tipos bizarros e auto-indulgentes.

November 12, 2008

A moment for reflection.

Estou de ressaca. Não bebi uma gota de álcool antes que venham me acusar de estar bebendo muito. Estou de ressaca de ir a universidade. Quem me conhece sabe a minha estória mas ultimamente esta aversão está atingindo níveis estratosféricos. Não chego na hora faz tempo, quando chego eu freqüentemente sou tomado por um sono avassalador e quando isso não ocorre sou tomado por uma falta de paciência ímpar.

Nada contra o meu curso nem contra a minha faculdade. Sei de todas as limitações que ela oferece, afinal, depois de tanto tempo na estrada a gente tem que aprender alguma coisa né? Mas estou de saco cheio dessa rotina enfadonha e frustrante. Cansado de ver meus velhos amigos ascendendo profissionalmente enquanto estou nos bancos da escola. A vida é uma questão de escolhas, como diriam os livros de auto-ajuda, mas as vezes nossas escolhas dão no saco.

Quisera eu estar com uma vida profissional, quisera eu estar com boas saudades da universidade assim como as vezes eu tenho da escola. Queria que a graduação fosse um tempo passado, boas lembranças que um tempo que já se foi. Hoje vivo na marra. Estou focado no objetivo que é terminar o meu curso da melhor maneira possível, que me renda mais frutos afinal depois de tanto tempo, eu preciso levar dessa fase da minha vida o máximo de bagagem que puder carregar. Ainda bem que tenho braços fortes.

Amanha é dia de mais uma aula. Certamente irei chegar atrasado, certamente vou desejar a cada segundo que aquela exposição de 4 horas (sim, quatro) termine logo e que a aula subseqüente também acabe. Que eu possa sair daquele ambiente e que aquele dia se torne um dia a menos que me separa da formatura. Não tenho ilusões de que a vida venha a ser um mar de rosas. Não sou ingênuo a esse ponto, muito menos idiota.

Mas pelo menos terei a sensação de que a vida finalmente está seguindo sem me sentir preso em uma sensação horrível de viver num loop infinito ou, remetendo os tempos da Poli, resolvendo o Problema da Parada da Máquina de Turing dessa fase da minha vida.

Falando em loop infinito, a questão da universidade não é a unica coisa que se repete por um tempo excessivo, existe a outra questão já abordada demais aqui que não é falada abertamente por hora pra não matar de tédio meu grande (cof cof) público e evitando que eu seja taxado de "sem assunto".

November 05, 2008

Rien a dire

Je n'ai aucune inspiration pour écrire quelque chose ici maintenant mais je veux vous laisser une p'tite sélection de poèmes. Oui je sais que ce post ne sera pas populaire (mais ce blog n'est pas de toute façon) mais c'est que je veux vous laisser maintenant.

Le regard singulier d'une femme galante
Qui se glisse vers nous comme le rayon blanc
Que la lune onduleuse envoie au lac tremblant,
Quand elle y veut baigner sa beauté nonchalante ;

Le dernier sac d'écus dans les doigts d'un joueur ;
Un baiser libertin de la maigre Adeline ;
Les sons d'une musique énervante et câline,
Semblable au cri lointain de l'humaine douleur,

Tout cela ne vaut pas, ô bouteille profonde,
Les baumes pénétrants que ta panse féconde
Garde au coeur altéré du poète pieux ;

Tu lui verses l'espoir, la jeunesse et la vie,
- Et l'orgueil, ce trésor de toute gueuserie,
Qui nous rend triomphants et semblables aux Dieux !
(Charles Baudelaire - Le vin du solitaire)




En lui envoyant une pensée

Au temps où vous m'aimiez (bien sûr ?),
Vous m'envoyâtes, fraîche éclose,
Une chère petite rose,
Frais emblème, message pur.

Elle disait en son langage
Les " serments du premier amour ",
Votre coeur à moi pour toujours
Et toutes les choses d'usage.

Trois ans sont passés. Nous voilà !
Mais moi j'ai gardé la mémoire
De votre rose, et c'est ma gloire
De penser encore à cela.

Hélas ! si j'ai la souvenance,
Je n'ai plus la fleur, ni le coeur !
Elle est aux quatre vents, la fleur.
Le coeur ? mais, voici que j'y pense,

Fut-il mien jamais ? entre nous ?
Moi, le mien bat toujours de même,
Il est toujours simple. Un emblème
A mon tour. Dites, voulez-vous

Que, tout pesé, je vous envoie,
Triste sélam, mais c'est ainsi,
Cette pauvre négresse-ci ?
Elle n'est pas couleur de joie,

Mais elle est couleur de mon coeur ;
Je l'ai cueillie à quelque fente
Du pavé captif que j'arpente
En ce lieu de juste douleur.

A-t-elle besoin d'autres preuves ?
Acceptez-la pour le plaisir.
J'ai tant fait que de la cueillir,
Et c'est presque une fleur-des-veuves.
(Paul Verlaine - À madame X)




Au lever de l'aurore,
Sur le lit de l'amour,
Zéphir caressait Flore
Plus belle qu'un beau jour.
Une jeune bergère
Auprès d'un noir cyprès,
A l'écho solitaire
Vint conter ses regrets.

Doux oiseaux de ces rives,
Pleurez, Tyrcis est mort ;
Tourterelles plaintives,
Gémissez de mon sort.
Quittez, roses nouvelles,
Vos riantes couleurs,
Et vous, échos fidèles,
Répétez mes douleurs.

Le rossignol sauvage
Venait du fond des bois
Suspendant son ramage
Écouter son hautbois.
Les vents alors paisibles
Murmuraient doucement,
Et les ruisseaux sensibles
Coulaient plus lentement.

Tyrcis le vrai modèle
Des bergers amoureux,
Discret, tendre et fidèle
Rendait mes jours heureux.
Avec des violettes
Il tressait des festons,
De rubans et d'aigrettes
Il ornait mes moutons.

Errez à l'aventure,
A la merci des loups ;
Désormais la nature
Doit prendre soin de vous.
Voici ma dernière heure,
Adieu, pauvre troupeau ;
Il faut bien que je meure,
Tyrcis est au tombeau !

(Jean-Jacques Rousseau - Romance)


October 28, 2008

Oligarchy

Ah a política... é a primeira vez em muito tempo que não vejo um desgosto tão grande com o resultado de uma eleição como vejo nesses últimos dias. É uma sensação esquisita. Não que o candidato derrotado fosse, com certeza, ser perfeito mas era uma esperança. Talvez essa seja a palavra-chave. O discurso diferente do derrotado com mais sobriedade tentando evitar um bate-boca inútil e "indo direto às propostas" encontrou ouvidos entre muita gente.

Mas ele não venceu...por 55 mil votos. Pouco né? Mas quase 1 milhão de pessoas não votaram! Mas é claro, argumentam estes, eu trabalho muito a semana toda e mereço enforcar o meu feriado. Muito bem, mas depois não venham chorar o leite derramado. E àqueles que votaram no vencedor: a frase vale pra vocês também.

Bom, saindo dessa polêmica e entrando em assuntos mais mundanos. Impressionante como as mulheres são. Reclamam que homem nenhum presta, que somos todos uma raça de cafajestes e bla bla bla. Muito bem. MAS...se somos "todos iguais", porque escolhem tanto?

Ah ta...isso não é bem assim. Tá certo. Então porque vocês escolhem justamente aqueles que vocês SABEM que vão usá-las, pisar em suas cabeças, magoa-las e todo o "pacote"? Sinceramente...eu não sei mais. Também não vou advogar em causa própria dizendo que sou a prova dessa situação grotesca onde "os piores sempre sobrevivem". Quem me conhece sabe o que penso disso.

Bom, chega de ficar falando pro vento. Pouco adianta, essa preferência vai continuar assim não é? Anyway, vou-me já pois a inspiração e a vontade de escrever morreram.

September 04, 2008

Inquisition

Não é do meu feitio colar aqui textos completos de outras fontes, mas eu deixo aqui no post de hoje um texto que saiu na Revista da Folha em Outubro de 2004:



Elas preferem os cretinos

Fogo morro acima, água morro abaixo e mulher quando quer, ninguém segura. O provérbio, grosso, é tão verdadeiro quanto dizer que, para os homens, mais importante do que sair com uma garota é poder contar vantagem para os amigos depois. Toda mulher sabe ser dura na queda, mas, quando cisma de dar mole, vai com tudo para cima. Um cara pode correr a maratona para impressionar uma mulher e mesmo assim ficar com a tocha olímpica na mão. Para elas, basta uma voltinha no quarteirão que o trouxa entrega o ouro, a prata e o bronze.

O mundo é injusto, mas nunca a nosso favor. E a mulher, assim como a sorte, prefere os cretinos. A última frase não é minha, mas de Bertolt Brecht, dramaturgo alemão que viveu em cabarés, cercado de atrizes bonitas que o achavam um homem excepcional, mas não a ponto de ser levado para a cama, que isso é prêmio reservado aos idiotas. Pergunte a qualquer uma o que acha dos homens com quem saiu e a tese estará confirmada: é tudo palhaço.

Já vi uma amiga, linda, burguesa, pegar trem sozinha para Itaquera, de minissaia, só para prestigiar a churrascada do eleito, feio que nem a dor da morte. Ficou por lá, foi dada como desaparecida pela família. O caso durou apenas uma semana, o suficiente para a zona leste inteira saber do ocorrido, tamanho o estardalhaço promovido pela luta de classes do casal.

Um colega professor, nerd de dar dó, casado de usar coleira, foi a Manaus para uma palestra e se deparou, no saguão do hotel, com uma aluna de São Paulo que enfrentou 11 horas de vôo só para ver no que ia dar. Viu e deu. Determinação como essa só é comum quando desce uma pomba-gira básica.

Toda mulher está sujeita a esses arroubos. O problema é que isso sempre ocorre com o babaca errado. Poucas podem jactar-se de jamais ter tropeçado no último degrau da escala humana. Não importa o motivo: momento de fraqueza, auto-sabotagem, curiosidade mórbida, seca brava, coma alcoólico, perversão inconfessável. Tanto faz.

O fato é que toda mulher um dia se verá nos braços de um imbecil, aos trancos e barrancos com um trolha qualquer. É uma síndrome que batizei de pico de curva hormonal feminina. Em determinado momento, dentro de um período relativo de abstinência, sem se dar conta, a mulher é pega por uma vertigem irracional e se atraca com o primeiro que aparece. Nunca sou eu.

Acho que maiores comentários de minha pessoa sobre o texto são desnecessários pois ele já fala demais a meu ver. Mas convido vocês, leitores a darem seus pitacos sobre esse texto do Marco Antônio Araújo, da Folha de São Paulo. Se eu disser que não me identifiquei com ele estaria mentindo afinal, eu o postei na íntegra no meu blog. Mas enfim, fico por aqui, vou ver o maxi-fuderengo discurso do McCain..ou ver House o que tiver mais fácil.

August 19, 2008

Scramble

Pardon pour le temps que je n'écrit pas au blog. J'ai travaillé beaucoup ces derniers jours et je n'ai eu pas le temps de vous parler quelque chose ici. Mais, aussi, je n'ai rien de nouveau à vous dire. Je peux parler seulement des choses qui je déjà parle presque tous les jours: la solitude, la tristesse etc. Mais je n'ai pas oublié le Polyphonic, mais non. J'aime bien écrire ici en parlant à vous tous les choses qui se passent dans ma tête mais c'était vraiment difficile d'écrire quelque chose.

Je sais que presque tous mes lecteurs vont critiquer le choix de la langue de ce post mais maintenant c'est ma volonté. Mais ils n'ont rien perdu. Je suis sûr de ça.

Danke wieder für das Besuchen dieses Blogs und I hofft, dass Sie hier an jedes Mal bald zurückkommen. Und seien Sie bitte sicher, dass ich halte, neue Sachen hier zu schreiben, wenn Inspiration kommt, natürlich.

Só espero que esta não tarde. Creio que ela está sendo bloqueada novamente por algumas questões que assolam a mente. Pra se ter uma idéia, escrevi este post milhares de vezes e nenhuma delas serviu. Nenhuma foi minimante original e boa. E antes que perguntem (tá eu duvido que alguém se importe): eu não guardo estes textos que "nunca viram a luz do dia". Eu simplesmente os apago e eles deixam de existir. Simples assim. Se estes textos que "são aprovados" são ruins, vocês imaginem os que ficam pelo caminho... Sendo muito franco vocês nada perderam. Enfim, chega de enrolação. Até o próximo post.

July 28, 2008

L'autre côté

Continuo aqui fazendo meu pseudo-diário de minha estada aqui na capital paulista. Inspirado pelo post no blog, e movido pela insistência de um amigo, fui comer o tal do cachorro quente com purê antes de "sair de balada". Ou como dizemos nós cariocas, ir pra night.

Muito bem. O lugar escolhido era famoso entre o pessoal daqui e a prova disso era a grande fila que se fazia em frente ao casarão que abriga a lanchonete nas imediações da Avenida Paulista. Era uma noite de céu claro e tempo frio: 10 graus. Todos estavam com seus casacos, que por algum motivo as pessoas daqui chamam de camisa, e aguardavam seus recheados sanduíches. Pedi o meu e aguardei. Rapidamente ele estava comigo...era o teste final.

O cachorro quente em si é ótimo mas ainda não me acostumei com o conceito de colocar purê nele. Sei la..a idéia é toda esquisita. Ele junto com os molhos formam um tipo de argamassa que diminui bastante a sujeirada que se faz quando se come um cachorro quente cheio de molho.

Outro capítulo a parte da vida noturna de São Paulo são as "baladas". Nesse final de semana fui a uma na Vila Olympia. Um lugar muito bom com um bar enorme no piso superior, com sofás e mesas, e no andar de baixo se encontrava a pista. O conceito de consumação não existe aqui: você paga pra entrar e o resto se paga por fora, ou seja, sua noite maltrata muito mais o bolso. E o povo daqui nesses lugares...parece que estou em outro planeta. Você troque os tradicionais marrentos-wannabe-lutadores pelos playboys com cara de pagodeiro e cabelos moldados com gel. As mulheres, muitas vezes bonitas, andavam pela casa aguardando o "bote" e enquanto ele não vinha, fazem caras e bocas enquanto conversam com as amigas.

Outro capítulo interessante nesta viagem foi a Liberdade. Pra quem não sabe, este é o bairro japonês daqui de São Paulo, onde encontra-se absolutamente qualquer coisa: de eletrônicos e bugigangas, até todo tipo de quitute japonês. Um dia bom para se ir lá é domingo devido a feira que acontece na Praça da Liberdade. Nela além das quinquilharias, você encontra barracas que vendem delícias como os hanamakis e os tempuras de camarão, além dos tradicionais sushi e yakisoba. O problema é que parece que a cidade inteira aparece por lá, logo é lotado, mas vale a pena a visita. E depois sugiro comprar um palito de melona: um sorvete coreano de frutas que tem a textura do chicabom..entendeu? Não? Então prove e chegue as suas conclusões.

De resto o de sempre: a luta contra o trânsito é inglória e nunca se consegue vencer sempre. O meu sotaque continua, as vezes, implicando em um sorrisinho de canto de boca por parte dos locais e o povo daqui é esquisito.
Logo estarei de volta ao Rio, onde o blog retorna a programação normal aprontando todas com uma galerinha do barulho, detonando uma verdadeira guerra contra o mau humor deixando o baixo astral de lado.

July 25, 2008

Milestone

De acordo com o dashboard do Blogger, este é o centésimo post que faço neste blog. E, irônicamente estou postando do "exílio". Mas porque esse nome? Porque dizem que cariocas em São Paulo são, na verdade, exilados. Interessante esta denominação. Da fato que aqui as coisas são diferentes que no Rio: existe uma rádio só pro trânsito e mesmo assim as vezes por mais voltas que você dê na cidade você SEMPRE vai parar nos lendários e insuportáveis engarrafamentos que atormentam aqueles que moram aqui.

Aqui as pessoas comem cachorro quente com purê...pois é...purê! O povo daqui é mesmo muito esquisito. É um tal de "meu", "mano" e "véi" pra tudo que é canto, sem falar na risadinha de canto de boca quando eles ouvem os cariocas chamarem, corretamente, aquele alimento básico de biscoito. Mas É biscoito oras! Aqui insistem em chamar de bolacha! Isso pra mim é quando o sujeito vira a mào na cara do outro.

Ah sim, já estava esquecendo de falar no tal do rodízio. Ele consiste em que em uma determinada hora do dia, carros com placas com finais determinados, não possam circular na área conhecida por "centro expandido". Muito bem. O problema é que se você, por exemplo, vai ao Shopping Morumbi, que é na Zona Sul, vai resolver algum problema lá e depois precisa voltar pra, digamos, a Paulista e o engarrafamento destruiu a sua programação de horários e é o seu dia no rodízio...bingo! Você está preso até a noite e não pode sair da Zona Sul. Porque? Porque pra ir pra qualquer outra região da cidade você tem que passar pela maldita área do rodízio. E mesmo assim o trânsito continua uma bosta fedida e horrenda.

Bom, chega de São Paulo, depois eu posto mais sobre a cidade. Gostaria de aproveitar o final deste post para celebrar, ou só lembrar mesmo, o post centenário do blog. Quando comecei a escrever aqui faz quase um ano, eu não imaginei que tivesse saco pra passar dos dez posts, imaginem cem. Mas consegui e vou levando. Agradeço a vocês pela "audiência" e continuem ligados para em breve novos posts contando incríveis estórias com altas aventuras de muita gente bonita em clima de paquera!

PS: Estou ciente do conteúdo "narrador da sessão da tarde" que joguei no final do texto, mas ficou legalzinho pelo menos...eu acho.

July 06, 2008

Redundant

Sabe quando você chega a um ponto em que se está absolutamente refratário a determinadas pessoas, a determinados compromissos e tudo mais? Sabe quando você está de saco cheio e quer mandar qualquer um que encha a paciência caçar avestruzes pelados na Elbônia? Pois é. Estou assim mas, paradoxalmente, estou postando no blog e criando mais um laço comunicativo com vocês, meus quatro leitores!

Repararam que dessa vez eu me referi a vocês como quatro ao invés dos já tradicionais dois ou três? É simples. Devido ao sucesso jornalístico do Glutamatomonossódico (tudo junto mesmo) e do Pseudo-bloguer, acredito que eventualmente algum gato pingado, impulsionado pela curiosidade, tenha clicado aqui e tenha acessado este blog, parte integrante da já famosa máfia dos Ecoblogs.

Acredito que o Polyphonic não seja um bom material para ser dado como exemplo de blog, conforme foi feito com os anteriores. Não pela qualidade dos textos em si mas pelo conteúdo que é postado aqui. Ele não segue uma linha como acontece com os acima. Não. Mas enfim, eu não quero falar sobre isso.

Sobre o que eu quero falar então? Boa pergunta. Eu não sei ao certo. Estou só jogando conversa fora com vocês, mais pra estar falando sozinho mas vá lá e pensando nos ultimos acontecimentos.

Engraçado. Tenho reparado que não tenho mais conseguido atualizar o blog com freqüência. A questão não é só tempo mas também falta de assunto. No afã de não me repetir eu acabo por abortando posts que classifico como ruins ou "já postados de outra forma". Mas não temam meus três leitores (o quarto que respingou dos blogs da Fernanda e do Pedro já saiu deste blog a essa hora, eu presumo) eu não vou parar de escrever. Só preciso, de alguma forma, me inspirar com coisas novas pra escrever, descobrir uma nova fonte interna de temas para debater, discutir ou simplesmente fazer um monólogo sobre aqui. Mas uma coisa eu prometo: posts ruins como o dos clipes eu não faço mais. Aquilo foi um teste que provou ser um fracasso retumbante. Na verdade já até esperava por ele por se tratar de um post feito totalmente nas coxas, sem nenhum verniz.

Enfim, vou ver alguns episódios de Top Gear enquanto o dessa semana está sendo baixado. Eu recomendo esta série sobre carros da BBC pois ela não faz somente reviews destes mas também mostra seus apresentadores fazendo stunts extremamente...estúpidos! Como uma corrida de carros anfíbios através do Canal da Mancha. Ah sim...os carros anfíbios nada mais são do que carros normais adaptados para flutuação. Ah sim, esqueci de um detalhe: os carros foram adaptados...pelos próprios apresentadores. Tudo isso é regado com toneladas do mais cruel humor britânico, como a vez em que um dos apresentadores do programa demonstrou quando disse que "como todo bom carro alemão, o GPS deste aqui só mostra a Polônia." Não entendeu a piada? Lembrem-se de 2a Guerra. E pra quem ficou curioso, o carro era um protótipo de Golf com um motor de 12 cilindros, se não me engano.

Agora vocês devem estar se perguntando quem é bela que coloquei para abrir este post. Bom, o nome dela é Allison Stokke e ela é uma atleta de salto com vara (sem duplo sentido) e seria um excelente motivo para assistir o atletismo dos jogos olímpicos de Pequim...seria pois ela não se classificou. Mas pouco importa afinal, Londres 2012 está "logo ali".