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June 29, 2010

Cold and colder

Ultimamente, tenho pensado em um poema do poeta galês Dylan Thomas que diz o seguinte:


Do not go gentle into that good night,
Old age should burn and rave at close of day;
Rage, rage against the dying of the light.

Though wise men at their end know dark is right,
Because their words had forked no lightning they
Do not go gentle into that good night.

Good men, the last wave by, crying how bright
Their frail deeds might have danced in a green bay,
Rage, rage against the dying of the light.

Wild men who caught and sang the sun in flight,
And learn, too late, they grieved it on its way,
Do not go gentle into that good night.

Grave men, near death, who see with blinding sight
Blind eyes could blaze like meteors and be gay,
Rage, rage against the dying of the light.

And you, my father, there on the sad height,
Curse, bless, me now with your fierce tears, I pray.
Do not go gentle into that good night.
Rage, rage against the dying of the light.

Mas porque? Eu não sei explicar. Talvez a luz esteja morrendo. Talvez esteja brotando uma melancolia pela aproximação das trevas. Vejo ao longe o horizonte que outrora era infinito tornar-se ameaçador. Trovões ecoam no céu e raios estalam à distância.

Lembro-me daqueles dias de sol que, como todo dia cálido de verão, era sujeito a chuvas mas no final a tempestade cedia. Ah noites estreladas e povoadas de sorrisos. Hoje são apenas lembranças, quem sabe até mesmo fantasias.

Eu não sirvo pra ser poeta. Então vou parar com o falso lirismo. Não há lirismo na melancolia, apenas lágrimas...que não existem.

March 21, 2009

Soar

Sabe quando você está tanto tempo preso no mesmo lugar que ele começa a sufocar? Sabe quando você precisa trocar de ares e sumir para um lugar bem distante deixando tudo pra trás? Pois então. Lendo o meu último post aqui cheguei a conclusão de que estou precisando de um desaparecimento desses.

Sei que o ideal seria a mudança definitiva: pegar minhas coisas e ir de vez para algum lugar bem longe mas eu sei que agora não é o momento, é preciso resolver algumas coisas por aqui antes do salto.

Engraçado, acho que é a primeira vez que um post meu causa maior impacto em mim mesmo que nos leitores. O post anterior me fez pensar, sonhar e imaginar. Incrível como coisas que aparentemente são pequenas podem nos fazer tão bem. Não me refiro ao post em si, mas ao que ocorre nele, como as ações que cito conseguem me fazer melhorar.

Tenho a impressão de estar acorrentado a este lugar. Tenho a impressão de sempre que tento ir embora, algo acontece que me impede de seguir o meu plano de vida. Mas agora, diferentemente de antes, existe uma esperança de que finalmente rompa estes grilhões que me seguram nesta terra. Acredito que sei porque fui impedido de ir embora e acredito que essa razão não existe mais. Quem tinha que conhecer aqui eu já conheci (a pessoa sabe quem é) e agora é uma questão de tempo. Até lá eu vou batalhando para periodicamente ir refrescando a cabeça em terras distantes e lá está o lugar que, em breve, chamarei de lar. E não estarei só, podem ter certeza disso.

February 07, 2009

The seasons

I wanted to write something different here instead of the late "things that annoy me in the american thoughts" kind of thingy so I decided to give it a try.

First I'd like to bitch about the weather: I absofucking-lutely HATE this "hot and sunny" situation we've got here. It's very unconfortable, you get sweaty and smelly, you cannot work well, the city gets crowded and even morre messy, people feel that they should share their bad music taste with everyone else (just like their lunch at the beach but that's a whole different story worth a whole new post only for itself) and so-forth.

What I wished? Cold sunny days with snowy days in between. People well dressed with their coats and gloves in a clean, organized and lively place. Guess it ain't so hard is it? When I wrote that a few places came to my mind such as Berlin and London but I know that there are others (far from here, naturally).

Ah yes, since I touched the subject and I'm bitching with everything, why not start my annual anti-carnaval thoughts? Last year I had the luck of being VERY far away from here so, for me, it was just a few days in the Alps, and Vienna, with some good food (and drinks) enjoying the civilized world with some civilized people. Brazil and the festivities were just an exotic echo from across the ocean that meant absolutely nothing to me.

This year, unless a miracle happens, I'll be exposed to this madness: bad loud music, bad traffic, bad hot weather...so adding it up: it pretty much sucks ass. I envy those with tickets to civilzed places, or who are already there, since they'll see this madness from the distance. Like this bad movie that you watch on tv: when you get bored all you have to do is change the channel. Simple and straight forward.

Anyhow, my fellow three readers (and my comment count from the previous two posts confirms that) I've better get going. I don't want to write anymore so buh bye. À bientôt!

PS: Postura "a la Carlos Lacerda" é foda hein? É cada uma que eu ouço...fala sério.
PS2: Cette photo est de la Potsdammer Platz à Berlin.


February 02, 2009

Seeds of utopia

Engraçado como são as coisas né? O nadador olímpico e multi-destruidor de recordes Michael "Waterworld" Phelps foi pego fumando maconha. Houve uma grande comoção nos EUA quanto a isso que culminou em um pedido oficial de desculpas por parte do atleta.

Isto, como diriam os próprios americanos, se trata de uma situação "nerve wracking". Acompanhem meu raciocínio: o sujeito não deve ter vida alguma. Deve ser obrigado a treinar 30 horas por dia, 10 dias por semana num tanque de água para que possa baixar seu tempo nos 217 metros com um pé só cantando músicas do AC/DC em 0,000001 segundo. Ok, é o trabalho dele. O Sr Phelps vive, e muito bem disso, mas se ele em um momento de saco cheio quiser fumar um wonder-joint que seja, quem somos nós pra "point fingers"?

Especialmente se este "nós" é a sociedade americana que vive em um país que possui a maior e mais poderosa indústria pornográfica do mundo, que movimenta mais que o PIB de alguns países. Tão grande que, segundo a imprensa local, está solicitando um pacote bilionário de ajuda ao Congresso dos EUA para que a indústria não quebre. Detalhe: até agora quem fez isso foram agremiações do porte de GM, Ford, Citigroup, AIG e outros grêmios empresariais.

Além da sacanagem, literalmente, os EUA possuem a indústria bélica mais vultosa com um "PIB" (aspas devido ao mau uso da sigla) trilionário. Eu disse TRI-lionário. As indústrias de armas americanas, além de venderem pro DoD (Department of Defence) americano, despejam sua produção nos quatro cantos do globo. E o dano que este material faz é muito maior que qualquer baseado que um atleta de vinte e poucos anos pode fazer com seu baseado.

Não julgo a atitude do Phelps. Certo ou errado neste caso simplesmente não vem ao caso porque a vida é dele e o corpo é dele, então quem somos "nós" prá recriminá-lo? Os jovens americanos precisam de heróis? Quem sabe é bom que eles saibam que heróis, por mais perfeitos que possam parecer, são seres humanos que por natureza são imperfeitos...como cada um de nós.

Sou um pessoa que não possui um grande ídolo no qual eu tento espelhar minha vida, possuo sim um número restritíssimo de pessoas que admiro e, sinceramente, não creio que a possibilidade de algum ter fumado maconha vá fazê-la menos "digna de minha admiração".

Acho uma pena que, especialmente na "nação mais poderosa do mundo", tenhamos jovens que precisam de figuras tão "perfeitas" que lhes dêem a noção do que é certo e errado. Que precisem de super-homens para que possam elas ganharem discernimento. É uma pena pois mostra que cada vez mais os pais, que a meu ver deveriam ser os primeiros heróis de uma criança, estão faltando com uma das lições mais básicas que têm que ser dadas a um jovem.

Enfim, isto aqui não é um compêndio de pedagogia, muito menos quero tentar catequisar alguém com o que penso. Não pretendo recriminar ninguém, não cabe a mim julgar como as pessoas educam seus filhos afinal, como devem estar pensando os contrariados pelo texto, eu (ainda) não os tenho.

E no tocante a hipocrisia já notória da sociedade estadunidense, é duro que o cara que representou o país mundo afora sendo um vencedor (coisa que os americanos simplesmente idolatram) não esteja imune a toda essa babaquice que emana de determinadas pessoas do lugar que se auto-denomina "land of the free".


January 11, 2009

Ensaio

Antes de mais nada, queria me retratar a meus amados e fiéis leitores. Eu não esqueci do blog, estava apenas em um período, digamos, sabático. Ou seja, estava com um puta bloqueio criativo (que ainda existe mas agora me deu vontade de escrever) e por isso não estava com saco de falar.

Hoje, vou começar descrevendo um episódio que aconteceu no mercado esta semana. Lá estava eu, pacificamente, vagando no corredor das bebidas quando sou abordado por uma vendedora (se não era vendedora era algo do gênero, enfim, se não é passou a ser agora), que me oferece uma taça de vidro de cerveja caso compre duas cervejas "Petra". Eu fiz minha já famosa casa de escroto e fulminei: "Não gosto dela mas obrigado.". Não satisfeito, depois de dispensar tão secamente a moça, busquei uma garrafa da cerveja alemã "Spaten" que estava com um preço convidativo. Ao fazer isso, uma terceira pessoa que observava disparou: "Eh..ele não ta de sacanagem com a cerveja dele."

O que isso me fez pensar? Simples. Porque as pessoas se contentam com o medíocre ao invés de buscar algo melhor? Porque as pessoas bebem 10 Skols ao invés de 2 Paulaners? Pra ficar bêbado? Nah...que ótimo, vc fica chapado e na manha seguinte ganha de brinde uma dor de cabeça. Qual o ponto de discussão? Eu explico: estou questionando porque as pessoas preferem tomar o caminho mais fácil, mesmo sabendo que este pode levar ao ordinário, ao invés de outro que, apesar de não ser tão simples no final acaba por trazer uma realização muito maior.

Pode-se pensar em várias situações que ilustram este meu questionamento, uma clássica é o caso de determinandos relacionamentos. Porque determinadas pessoas estão juntas? Pra não ficarem sozinhas? Que ótimo, não? No final, o que era mais fácil acaba por condenar duas pessoas à solidão mesmo estando acompanhadas. Não irei explicar o paradoxo do que disse mas acho que não vou precisar mesmo. Porque não buscar a pessoa certa? Ou uma pessoa que simplesmente faça sentido? É mais difícil do que "catar" (expressão originária do Paulistês) qualquer coisa que passe pela frente? Certamente, ter critério tem disso, mas no final a recompensa vale.

Acabei de reler este post do início ao fim e cheguei a uma conclusão: acho que é a primeira vez que consigo fazer uma analogia com cerveja levar a algum raciocício mais filosófico. Acho que to melhorando...ou não *risos falsos*

November 21, 2008

Shuffle

Engraçado como arrumar o armário nos remete a algumas situações que tinhamos, aparentemente, apagado da cabeça.

Hoje, depois de quase ser soterrado por uma avalanche de papel, eu resolvi tomar vergonha na cara e arrumar o meu armário ou pelo menos deixa-lo de um jeito que não arrisque a vida de quem tentar abri-lo. O plano era separar o lixo e jogar fora (na última vez que fiz isso eu joguei fora o equivalente ao meu peso em papel...e não é exagero) o que era inútil e arrumar o resto.

Muito bem. Comecei a ver os papéis. O que serve e o que não serve? Achei de tudo: de trabalhos do primeiro período até uma nota fiscal de uma casa de câmbio em Roma. Literalmente tinha de tudo no armário. Mas, o processo seletivo não foi tão lógico quanto parece.

Me utilizando do exemplo acima, o que vocês acham que eu descartei? Bingo! O trabalho do primeiro período da ECO. Porque? Porque quando peguei a notinha, aquele pedaço de papel já todo ferrado me vi novamente nas cercanias do Vaticano buscando desesperadamente uma casa de câmbio porque na Itália dólares americanos não servem de muita coisa. Me veio a cabeça a imagem de um lindo sábado de sol no inverno romano com as ruas cheias de gente barulhenta (afinal, estamos na Itália) e de carros fazendo mais barulho ainda com suas estridentes buzinas.

O que o trabalho da ECO me lembra? Um maldito corolário de aulas que não serviram de nada que me entediavam até os limites da consciência humana e acima de tudo: simbolizava o fim do começo de uma transição que ainda está em andamento. Mudança essa que não terminou e não sei como vai acabar. Se vai dar certo ou não. Quem sabe, num futuro próximo, eu não guarde os trabalhos da ECO graças a boas lembranças de uma fase feliz da vida.

Mas, no momento, esta fase não merece ficar pra posteridade e vai pro lixo. No final, joguei muito pouca coisa fora, a maioria delas trabalhos antigos de épocas inglórias da vida. As boas lembranças ficaram, e agora estão todas em um mesmo lugar reservado só pra elas. Como se fosse um "memory bag" onde tudo aquilo que me remete a boas lembranças está guardado.

Mas nem tudo está salvo: existem coisas que, devido a atos extremos de raiva, foram destruídas. Não estou sendo metafórico, "destruídas" é a palavra que melhor qualifica o que fiz com elas. Mas o seu extermínio teve a sua finalidade: let it go. Porque estas lembranças boas, em especial, traziam consigo uma faceta amarga.

Hoje, descartei algumas lembranças e mantive outras. Joguei muita coisa fora mas foi pouco. Em breve chegará o dia em que jogarei pouca coisa fora e será muito.

November 12, 2008

A moment for reflection.

Estou de ressaca. Não bebi uma gota de álcool antes que venham me acusar de estar bebendo muito. Estou de ressaca de ir a universidade. Quem me conhece sabe a minha estória mas ultimamente esta aversão está atingindo níveis estratosféricos. Não chego na hora faz tempo, quando chego eu freqüentemente sou tomado por um sono avassalador e quando isso não ocorre sou tomado por uma falta de paciência ímpar.

Nada contra o meu curso nem contra a minha faculdade. Sei de todas as limitações que ela oferece, afinal, depois de tanto tempo na estrada a gente tem que aprender alguma coisa né? Mas estou de saco cheio dessa rotina enfadonha e frustrante. Cansado de ver meus velhos amigos ascendendo profissionalmente enquanto estou nos bancos da escola. A vida é uma questão de escolhas, como diriam os livros de auto-ajuda, mas as vezes nossas escolhas dão no saco.

Quisera eu estar com uma vida profissional, quisera eu estar com boas saudades da universidade assim como as vezes eu tenho da escola. Queria que a graduação fosse um tempo passado, boas lembranças que um tempo que já se foi. Hoje vivo na marra. Estou focado no objetivo que é terminar o meu curso da melhor maneira possível, que me renda mais frutos afinal depois de tanto tempo, eu preciso levar dessa fase da minha vida o máximo de bagagem que puder carregar. Ainda bem que tenho braços fortes.

Amanha é dia de mais uma aula. Certamente irei chegar atrasado, certamente vou desejar a cada segundo que aquela exposição de 4 horas (sim, quatro) termine logo e que a aula subseqüente também acabe. Que eu possa sair daquele ambiente e que aquele dia se torne um dia a menos que me separa da formatura. Não tenho ilusões de que a vida venha a ser um mar de rosas. Não sou ingênuo a esse ponto, muito menos idiota.

Mas pelo menos terei a sensação de que a vida finalmente está seguindo sem me sentir preso em uma sensação horrível de viver num loop infinito ou, remetendo os tempos da Poli, resolvendo o Problema da Parada da Máquina de Turing dessa fase da minha vida.

Falando em loop infinito, a questão da universidade não é a unica coisa que se repete por um tempo excessivo, existe a outra questão já abordada demais aqui que não é falada abertamente por hora pra não matar de tédio meu grande (cof cof) público e evitando que eu seja taxado de "sem assunto".

November 05, 2008

Rien a dire

Je n'ai aucune inspiration pour écrire quelque chose ici maintenant mais je veux vous laisser une p'tite sélection de poèmes. Oui je sais que ce post ne sera pas populaire (mais ce blog n'est pas de toute façon) mais c'est que je veux vous laisser maintenant.

Le regard singulier d'une femme galante
Qui se glisse vers nous comme le rayon blanc
Que la lune onduleuse envoie au lac tremblant,
Quand elle y veut baigner sa beauté nonchalante ;

Le dernier sac d'écus dans les doigts d'un joueur ;
Un baiser libertin de la maigre Adeline ;
Les sons d'une musique énervante et câline,
Semblable au cri lointain de l'humaine douleur,

Tout cela ne vaut pas, ô bouteille profonde,
Les baumes pénétrants que ta panse féconde
Garde au coeur altéré du poète pieux ;

Tu lui verses l'espoir, la jeunesse et la vie,
- Et l'orgueil, ce trésor de toute gueuserie,
Qui nous rend triomphants et semblables aux Dieux !
(Charles Baudelaire - Le vin du solitaire)




En lui envoyant une pensée

Au temps où vous m'aimiez (bien sûr ?),
Vous m'envoyâtes, fraîche éclose,
Une chère petite rose,
Frais emblème, message pur.

Elle disait en son langage
Les " serments du premier amour ",
Votre coeur à moi pour toujours
Et toutes les choses d'usage.

Trois ans sont passés. Nous voilà !
Mais moi j'ai gardé la mémoire
De votre rose, et c'est ma gloire
De penser encore à cela.

Hélas ! si j'ai la souvenance,
Je n'ai plus la fleur, ni le coeur !
Elle est aux quatre vents, la fleur.
Le coeur ? mais, voici que j'y pense,

Fut-il mien jamais ? entre nous ?
Moi, le mien bat toujours de même,
Il est toujours simple. Un emblème
A mon tour. Dites, voulez-vous

Que, tout pesé, je vous envoie,
Triste sélam, mais c'est ainsi,
Cette pauvre négresse-ci ?
Elle n'est pas couleur de joie,

Mais elle est couleur de mon coeur ;
Je l'ai cueillie à quelque fente
Du pavé captif que j'arpente
En ce lieu de juste douleur.

A-t-elle besoin d'autres preuves ?
Acceptez-la pour le plaisir.
J'ai tant fait que de la cueillir,
Et c'est presque une fleur-des-veuves.
(Paul Verlaine - À madame X)




Au lever de l'aurore,
Sur le lit de l'amour,
Zéphir caressait Flore
Plus belle qu'un beau jour.
Une jeune bergère
Auprès d'un noir cyprès,
A l'écho solitaire
Vint conter ses regrets.

Doux oiseaux de ces rives,
Pleurez, Tyrcis est mort ;
Tourterelles plaintives,
Gémissez de mon sort.
Quittez, roses nouvelles,
Vos riantes couleurs,
Et vous, échos fidèles,
Répétez mes douleurs.

Le rossignol sauvage
Venait du fond des bois
Suspendant son ramage
Écouter son hautbois.
Les vents alors paisibles
Murmuraient doucement,
Et les ruisseaux sensibles
Coulaient plus lentement.

Tyrcis le vrai modèle
Des bergers amoureux,
Discret, tendre et fidèle
Rendait mes jours heureux.
Avec des violettes
Il tressait des festons,
De rubans et d'aigrettes
Il ornait mes moutons.

Errez à l'aventure,
A la merci des loups ;
Désormais la nature
Doit prendre soin de vous.
Voici ma dernière heure,
Adieu, pauvre troupeau ;
Il faut bien que je meure,
Tyrcis est au tombeau !

(Jean-Jacques Rousseau - Romance)


October 06, 2008

Breathing Again

Sucesso. Palavra bastante comum por ai, e quase sempre mal usada. Está sempre presente nas frases-clichê de aniversário, acompanhada de outras como: paz, saúde, amor e afins. Está presenta na capa de 12 em cada 10 livros de auto-ajuda e habita todas as preces dos religiosos (junto com as mesmas palavras das frases-clichê de aniversário).

Não pretendo entrar em uma discussão filosófica sobre o que ele seria, caso você, caro leitor, esteja realmente interessado nessa questão sugiro a ida a uma livraria (não precisa ser boa visto que livros sobre sucesso e auto-ajuda são encontrados até na banca-da-rua-de-cima-que-você-achava-que-só-vendia-revista-de-sacanagem) e se fartar com as vastíssimas opções do "cardápio".

Bom mas voltando ao tema. Escrevo pois sinto que ele se distancia cada vez mais deste relapso autor que vos fala (bela frase, não?). Estou em uma fase da vida na qual deveria estar já mais adiante "no meu caminho". Olho ao meu redor e vejo aqueles que cresceram comigo como parentes e amigos mais antigos já trilharem seus caminhos e estarem "aonde eu queria estar". Seja no ramo profissional seja nos outros "setores da existência humana".

Sei que, pelo menos no lado profissional, este atraso foi por culpa minha. Demorei para mudar meu rumo mas tinha que ter certeza do que estava fazendo. Sabia que iria pagar um preço mas as vezes ele me parece muito pior do que parecia 2 anos atrás. Mas não me arrependo, fiz bons amigos onde estava e fiz ótimos onde estou. Ganhei uma visão nova das coisas, meio que completando as experiências de mundo que já tinha mas... Ainda sim, me sinto atrasado. Quase como se fosse uma criança-grande vendo os "amiguinhos" virarem adultos enquanto ele ainda é uma criança (e com a vida "extra-campo" mais parada que a de um garoto pré-adolescente, diga-se de passagem). Claro que eu queria já estar formado, trabalhando daquilo que quero, ganhnando meu dinheiro, estando com alguém e bla bla bla mas...a formatura virá em breve (espero), e com ela a porrada "lá fora" quebra de vez. Estou ciente disso mas essa vida mais ou menos é que está cansando.

Bom, como eu disse 10 segundos atrás, a formatura pelo menos virá logo (paleeeeeeeeze), emprego a gente corre atrás mas o "extra-campo" ah esse ai ta complicado. Prometi a mim mesmo não ser explícito aqui sobre isso. Eu sei que mesmo se fosse não teria muito problema já que poucos lêem este blog, muito mais agora com minhas atualizações se tornando raras, mas eu mantenho minha promessa.

De qualquer forma ainda tenho esperanças, mesmo que elas estejam definhando no meio da torrente de coisas ruins que me afoga todos os dias. Bom, chega por hoje. Não quero que este post seja deprimente, como são os posts aqui normalmente. Mas é isso. Vou me retirar já que essa vida de ECO me obriga a dormir cedo e acordar cedo e já estou caindo de sono.

August 26, 2008

Mist


"
Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
- Foi poeta, sonhou e amou na vida. _
Sombras do vale, noites da montanha,
Que minh’alma cantou e amava tanto,
Protejei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe um canto!"



Não sou o poeta que escreveu estas palavras acima, muito menos sou poeta algum. Não busco o lirismo simplemsnete porque sou incapaz de faze-lo surgir nestas páginas. Valho-me então da dor do poeta de verdade para simbolizar de alguma forma a minha. Valho-me da desilusão dele para tentar fazer uma alegoria da minha. Decerto que mesmo que escolhesse a dedo centenas de poesias, nenhuma seria capaz de explicar com exatidão o turbilhão que se instaurou. Não que me considere melhor ou mais profundo que os poetas, jamais. Simplesmente porque eles escreviam sobre si mesmos e eu, como não sou nenhum poeta, logo sem nenhum talento para escrever poesias que me sirvam, tomo emprestado as palavras de outrem.

Novamente recorro a Álvares de Azevedo como aquele que pinta a alegoria que se traduz na imagem mais próxima do meu estado de espírito (odeio essa expressão).

Ampliando estes reclames eu digo que quem deveria escrever hoje aqui não era eu e sim minha faceta mais obscura. Aquela que anda vagando pelas sombras sempre observando cada passo, cada pensamento e cada ato de minha parte. Resolvi tentar dar voz novamente a ele mas de maneira controlada, tentando traduzir o que ele sussurra em meus ouvidos.

A maior questão sobre esta decisão é que sei que se colocar suas palavras, mesmo que filtradas pelo pensamento pseudo-lógico, estarei expondo demais minhas feridas aqui, e não sei se estou preparado pra isso. Na verdade até comecei a escrever o que ele me dizia mas parei, apaguei tudo. Estava, de fato, me expondo demais. Já acho que falo demais aqui. Este blog não nasceu com o objetivo de ser um palanque onde coloco minhas questões, mesmo que pseudo-ocultadas por alegorias repetitivas, pseudo-oníricas e de mau gosto. Me pergunto como as pessoas têm paciência de ler este blog sendo que meus asssuntos não variam em nada. É sempre a mesma ladainha. Inclusive eu estoume repetindo novamente.

Está vendo? Você não tem capacidade de fazer mais nada. É um completo inútil, está com o espírito paralizado por todo esse peso que se deposita sobre si. Está imóvel, congelado. Seu coração está ferido, você está ferido e isso é óbvio. Que tentativa fajuta é essa sua de tentar se ocultar neste espaço? Me diga? Você além de burro, é ingênuo também? Além de ingênuo, será que você é um idiota? Deve ser, pra continuar postando aqui e sempre se valendo de comentários para aliviar a sensação de desconforto e seguir em frente...você é patético. Fica ai falando mas no final você é um frouxo. Pura e simplesmente um frouxo que vai morrer abraçado em seu enorme e inútil romantismo e em sua igualmente imprestável obsessão por aquilo que é certo. Vai morrer sozinho no alto de sua pseudo-inteligência e de sua dita "cultura". Patético. Enquanto isso, as pessoas normais, que não são tão tudo isso que você acha que pode ser estão ai. E sabe da maior? Elas conseguem o que você não consegue. Engraçado né? Quem é melhor afinal? Você ou eles? Pense nisso, meu caro. Vou me retirar, você tem muito o que refletir.

Com sua força inexorável, ele tomou conta de minhas ações acima. Resolvi não resistir e deixei fluir tudo que ele achava que deveria ser dito. Sem objeções, nem filtros apesar de tudo que disse antes d'ele tomar posse de minha mente e de meus atos.

Me retiro agora. Preciso tentar achar algum sentido nas coisas e tentar encontrar algum alívio em algum lugar. Já que eu sei que a solidão, essa nunca me abandona e cada dia que passa eu sinto que ela jamais irá me abandonar.

August 24, 2008

Dreamcatcher

Olhando pra tràs as vezes nos damos conta de coisas que as vezes tomamos como banalidades diárias vêm afetando nossas vidas. Não irei ser tão direto, eu acho, ou tão preto no branco mas antes que me perguntem: não é disso que estou falando.


Me dei conta que fazem dez anos que, pela primeira vez, segui para a Pedra do Arpoador e comecei a perceber que não pertenço a esta costa. Sentado no topo do monolito de pedra vendo as vagas se chocarem contra si, tive a sensação de que eu não fazia parte daquele cenário. De que eu era totalmente inadequado àquilo tudo. Por mais bela que fosse a paisagem que se descortinava a minha frente, e acreditem, era uma tarde belíssima, e por mais agradável que pudesse estar o clima algo dentro de mim dizia: este não é o seu lar.

Mas como minha experiência em visitar outros lugares era muito mais limitada do que é hoje, esta idéia passou como um sussurro pelos ouvidos mas se enraizou na cabeça. Ao passo que fui conhecendo outros lugares, outras culturas, outros modos de pensar e afins eu fui criando bases que no final só corroboravam com aquela brisa que me mostrou que meu lugar não é aqui.

Desde então muito foi feito, muito suor, lágrimas, tentativas, fracassos sempre com o objetivo final de se alcançar o graal. Hoje, dez anos depois, ainda estou aqui. Longe de casa, e com um sentimento de inveja daqueles que conseguiram cumprir o que durante todo esse tempo eu tenho tentado e nunca conseguido: ir embora.

Tenho a sensação que estas pessoas estão se apropriando deste meu ideal, deste meu sonho enquanto fico aqui em uma luta quase que quixotesca em busca do retorno ao lar que nunca vem. Mas sendo como sou não desisto e vou continuar até o dia em que eu deixar de existir.

July 21, 2008

Line of thoughts

Call me posh, cocky or something like that if you like but today I'll elaborate on my memories from distant places which have a place in my heart. The thing is, as you who keep reading this blog for a while know, I've got a very strong feeling of being in the wrong place where I stand.

Don't get me wrong. Rio is a beautiful city, one of the most beautiful ones I've ever been to, my family is here and so are most of my dear friends but the city doesn't have the "it" that makes me feel home. Sure the people are (sometimes) nice and joyful yadda yadda, the skies are blue most of the days (like today), the beaches look good (fair enough) and you don't actually need to have the annoying routine of removing your coat every damn time you get indoors...fine.

But (there's always plenty of those, right?) I cannot do things I really cherish and value most like walking in the streets at 3 am without the risk of being murdered/robbed/raped/abducted or having my organs stolen and sent to Dubai, or wear a very nifty Breitling watch without happening any of the things I quoted above.

Also, I like the idea of seasons. It sucks to be stuck in a place where you only have two seasons: warm and rainy and less warm and less rainy. Where you cannot wear stuff like an overcoat without drowning in your own sweat.

Also it feels like we're inside a bubble or something. It's amazing how apart from the world we are when here. Things happen out there but they take ages to reach here, when they do reach. It's like we're in a distant planet where light from Earth takes years to arrive.

And there's another very important yet abstract and very personal thingy: the atmosphere. The way this place feels and I react to it. I simpy don't react well to this place it just doesn't feel right. Yeah I know that you probably think that I went nuts of that I'm a bloody arrogant bastard but that's not it.

I've had this "home" kind of feeling a few times but not always. It's not because of the way it sounds when you say that your home is, for instance, London (but it does sound very cool). No. It's very hard to explain, words don't reach it properly, at least not mine.

It's weird. I'm thinking now on Phê's idea that Brasília is her home, mostly because of her family and stuff like that. My feelings differ exactly there. I feel at home because it just feels right. Because I feel that those few special places were made for me. Of course they weren't but I feel that my mind and my heart were carved for these places and soon enough I will go back home.

In case you're wondering, the picture above is of the Grote Markt in Brussels, a pretty nice city to stop by if you like to drink a nice pint of beer, well Belgium is a nice country if you like to drink that..and to see churches..and museums...and good looking girls.

July 14, 2008

The distance

Time...something that has a plethora of meanings no matter which language you pick to define it. It's most widely used imagetic representation is the timeglass. But these days I feel that I've got no need to actually see or draw of photograph one to feel that time is passing by pretty quickly.

I can feel it with my gut. Pure and simply like that. I feel that the old clichés about it are mostly true. Time is like Mercury with it's swift winged feet running through our lives bringing us farther from youth and closer to the dawn of existance. There is no easier way to say it: I'm feeling very old. Perhaps due to the fact that I'm mostly around people younger than me and that friends my age are on a different stage in their lives while I had to take "a step back in order to move forward". I know that I had to pay a price for my decision and I don't regret what I did.

The other problem well known by people who know me outside this virtual window also increases with the idea that old age is coming and fast. I don't want to talk much more on the subject but it felt awful going to grandma's this weekend with the entire family together and their boyfriends/girlfriends. Even my 16 year old cousin brought hers. Gosh that felt like I was in my late 50s eating chips on my underwear in a couch watching tv in a dark room all alone. And the looks on their faces wondering why I'm never with someone. That really was disconcerting or, in more french terms, felt like shit.

Time passes swiftly and we don't even notice. And when you do and you're as frustrated as I am, it feels like you wasted your life away and that's precisely the feeling that lies inside my mind.

June 24, 2008

Perpendicular Waltz

Talento. A wikipédia define como:


"Talento, vocação ou dom é também o nome que se dá a habilidades artísticas. Assim, afirma-se que tal pessoa tem talento para a música, ou talento culinário, ou talento para lidar com crianças, por exemplo.
(...)
Atualmente, usa-se o termo talento para designar habilidades inatas das pessoas, ou capacidade natural para realizar determinadas atividades."

Louva-se aquele que possui talento. Nada mais justo afinal ela possui um dom: seja ele qual for. Alguns são úteis como o dom de escrever, de liderar massas (esse muito interessante), o da fala e afins. Outros são inúteis como o de abrir garrafas de cerveja com os dedos dos pés ou de falar correntemente de trás pra frente.

Dizem os otimistas que todos nós possuimos estes talentos, cada um foi ungido com um na concepção. Está no nosso DNA. Eu discordo totalmente dessa afirmação. Existem, sim, pessoas que são totalmente desprovidas de qualquer capacidade desejável ou não (hellooo!) e que conseguem, por força de habilidade social, ocultar o fato por meio de artifícios como palavras soltas durante a fala (hellooo!) ou uma aparência desejável (no way =p).

Mas me considero um "cheerful pessimist" (thanks Cesar). Ou seja: acredito que aqueles desprovidos de talentos naturais podem desenvolver algum tipo e que este seria quase (eu disse quase) tão bom quanto aqueles que fizeram absolutamente nada para possuí-lo. Lendo esta frase anterior me veio à cabeça um raciocínio: todos os talentos que enumerei como inúteis são aprendidos, ou seja, os "dons" fúteis são adquiridos ao longo do tempo, o que torna mais sombrio ainda o meu pessimismo.

Eu explico: se aqueles sem nenhum tipo de talento (self pointing fingers) precisam adquirir algum para se sobressair em alguma coisa e se algumas pessoas buscam aprender o tipo de coisa que citei, isso reduz mais ainda o contingente daqueles "destalentados" que buscam aprender algo que preste.

Vejo a vida exatamente como isso: a busca pelo aprendizado de algo que preste pois de porcaria estou de saco cheio. Isso é fácil de aprender. Não é preciso esforço algum: esse tipo de coisa vem a você. É incrível! Ah sim...e dificilmente se esquece das porcarias que se aprende na vida. É como se o cérebro gostasse desse tipo de "memória fácil".

Mas faz parte da natureza do corpo humano, e por conseguinte do homem. Nosso corpo gosta de coisas fáceis: sentar no sofá e ver TV, por exemplo. A mente humana idem: por mais que a pessoa aceite positivamente mudanças, o "agora" por ser conhecido, ou seja mais fácil de lidar pois já se pode prever como funciona, é mais agradável e desejado mesmo que inconscientemente.

Ou seja, somos todos um bando de preguiçosos, alguns preguiçosos talentosos e outros, infelizmente não. E estes precisam vencer a preguiça para tentar se aproximar daqueles agraciados.

May 24, 2008

Another Day

Quebrando um pouco a temática dos últimos textos, vou tentar não me deixar afetar pela melancolia e falar sobre outra coisa. Mesmo porque, com o declínio do número de comentários que tenho percebido nos últimos dias, tenho notado que muita gente tem enchido o saco de ler o blog. Não os culpo mas agradeço mais ainda aqueles que tem me acompanhado aqui através das trevas que dominam a mim e, por conseguinte, a este espaço.

Antes que vocês me perguntem eu já respondo: nada mudou. Existe apenas uma sensação de que estou tratando o blog de maneira errada e talvez sendo explícito demais em meus posts. Essa semana sem atualização serviu para iniciar um pensamento acerca do que devo dizer aqui, como fazê-lo e o porque. Verdade que não assino meus posts mas a maioria esmagadora das pessoas sabem quem sou mas, como a Tatiana reparou e me fez reparar também, muitas pessoas passam por aqui e lêem meus posts. O que me faz chegar a conclusão de que este blog está sendo algo extremamente focado em poucas coisas, coisas que afetam a mim, autor-charlatão do blog, e em conseqüência afetam minhas divagações no blog.

Estive lendo meus posts antigos aqui. Eu "filosofava" acerca das coisas mais variadas, inclusive sobre o nada (um dos meus posts preferidos diga-se de passagem) mas desde algum tempo, os céus se fecharam sobre meu teclado. Não pretendo fazer posts alegres, mesmo porque não sei fingir tão bem assim mas vou tentar readquirir um pouco do senso de humor que foi se perdendo gradativamente ao longo dos meses.

Aproveitando a deixa dada por mim mesmo vou aqui falar sobre a inspiração pura e simples. Acontece comigo, e com muita gente na verdade, os chamados "períodos criativos" do dia. Onde, como o nome diz, estamos mais capazes a criar novas manifestações artísticas, construir invenções, criar um nome para uma ilhota perdida a leste das Ilhas Faröe ou mesmo dar um apelido para o cachorro imbecil e f*lho da p*ta do vizinho que insiste em latir todas vez que se chega em casa lá pelas 4 da manhã.

No meu caso, minha mente é caótica. As vezes possuo rompantes criativos durante o dia, que são quase sempre tomados por impulsos súbitos a rabiscar coisas aleatórias no caderno ou escrever sobre mim mesmo ou mesmo sobre memórias do passado (sim, normalmente eles são notoriamente egoístas). Mas posso dizer que o meu período criativo predominante é o da madrugada. Na verdade diria que ele começa um pouco antes da meia-noite e dira até o sono me impedir de pensar direito, o que varia dependendo de diversos fatores como sono prévio, atividades exercidas durante o dia e coisas afins. Isso explica porque a maioria dos posts no blog são de madrugada. Ou pelo menos eram, hoje, como disse, tudo é um caos. Agora mesmo, não são nem 6 horas da tarde e estou aqui escrevendo com um belo por do sol na janela onde se pode ver os morros ganharem um contorno alaranjado que vai desaparecendo rapidamente dando lugar ao céu azul profundo e estrelado (na medida do possível, afinal estou em uma cidade) que, ao longo das horas, vai se escurecendo até tornar-se algo próximo ao ébano.

Esse por do sol que lá fora se extingue provoca outros sentimentos e atiça outras lembranças da memória e percebo que eles irão afetar minha escrita caso continue este post. Então, para evitar algo no espírito de repeteco eu me despeço.

May 04, 2008

Now I'm here

São 4 da manhã e estou recolhido à cama. Giro de um lado pra outro em busca do sono que não vem. Em seu lugar uma sensação de angústia, um vazio...a solidão. Ela que tem me dado crises de insônia nos últimos dias volta a incomodar com maior veemência.


Impossibilitado de dormir, me levanto e venho a este púlpito me expressar, mesmo que brevemente, sobre o ocorrido. O silêncio agudo que me cerca transforma meus pensamentos em gritos que são proferidos a plenos pulmões. Agonia que outrora era surrurrada ao pé do ouvido agora ensurdece. O escuro duro e frio me cerca, me mostrando de forma crua e áspera o poder que a solidão possui.

O silêncio ensurdece, a escuridão cega. Mal posso ouvir as teclas do teclado, estas mais parecem sussurros que se perdem madrugada adentro. São como os pedidos de ajuda que Ariel fazia enquanto ainda conseguia fazê-los. São como as memórias de um passado fugaz e que, a cada dia, encontra-se mais distante. Cada vez mais as poucas lembranças de que, um dia, a solidão não existia vão se confundindo com o passado. Vão perdendo, aos poucos, a nitidez pictórica e factual tornando-se cada vez mais imagens turvas de algo que, por breves períodos de tempo, foi o mais perto que cheguei de ter o coração em paz.

April 28, 2008

Lost message

Meio dia de segunda-feira. O sol lá fora já indica: a manhã terminou. O dia começa, lentamente, a definhar até a hora de seu óbito diário lá pelas 5 da tarde. Olho pra dentro e não vejo muito, vejo apenas uma vontade enorme de continuar sentado em minha cadeira olhando para o vazio. Vontade de ignorar todos meus compromissos e obrigações do dia e ficar aqui, sozinho comigo mesmo, chafurdando em minha própria melancolia. Vontade de me trancafiar em mim mesmo, me isolando assim, de tudo aquilo que me cerca..de tudo aquilo que potencializa a amplia o sentimento vigente.


Mas não irei fazer nada disso. Contrariando minha vontade irei, em instantes, continuar cumprindo meus deveres diários. Porque? Além do senso de responsabilidade e de culpa, sinto que preciso do convívio dos meus amigos. Porque? Simples. Se me entregar à solidão sei que irei enveredar mais profundamente nos tortuosos caminhos da loucura e da depressão e temo que não consiga achar o caminho de volta. Minha solidão imposta pela vida, não pode se tornar em solidão auto-imposta. Tenho plena consciência disso. Sei que preciso levar a vida adiante por mais difícil que possa ser.

Mas sei que sozinho eu não tenho mais como. Minhas forças sucumbem ao poder da autocrítica feroz simbolizada por meu alterego Caliban (viva as aulas de literatura...me serviram pra alguma coisa) e ao vazio do coração e do espírito. Por isso venho de público agradecer àqueles que me apóiam, me ouvem, me fazem rir, me deixam puto da vida, vem a mim precisando de igual ajuda e confiam em mim...vocês sabem quem são.

April 25, 2008

Tous les visages de l'amour

Clair de Lune - Claude-Joseph Vernet (1714 - 1789), in 1771


Premièrement je veux m'excuser à mes amis por écrire maintenant en français. Je sais que vous détestez que j'écris comme ça mais aujourd'hui je ne veux pas parler d'une autre manière.

Je n'avais pas l'intention d'écrire aujourd'hui parce que je l'ai fait hier, cet post n'a pas encore assez commentaires et j'avais pas d'idées pour créer un bon texte. Mais les choses changent et je veux vous parler d'amour.

Oui...je sais que parler sur l'amour en français est un cliché mais je vous assure que c'est une coïncidence. Mais qu'est-ce c'est ça qu'on appelle "amour"? C'est pas seulement un sentiment. Je trouve que ça est une chose qui donne la vie les couleurs, la musique... la vie sans l'amour est morte.

Le poète portugais Camões a bien dit ce qui est l'amour mais je vais essayer de parler de ça sur mon point de vue. Je ne parle pas de l'amour qui une mère a pour son fils, ou que une jeune fille a pour une grande amie..non. Je ne parle pas, aussi, de désire parce que ça n'est pas amour.

L'amour fait le coeur bruillant, fait la bouche devenir sèche...les yeux? Ah les yeux...ils se transforment en deux étoiles que...ah...

Nah...je ne veux plus écrire aujourd'hui. Pourquoi? Le sujet de ce texte. Parler sur l'amour me fait rappeler d'une chose qui j'ai besoin d'avoir mais la vie ne me donne pas n'importe l'éffort que je fait. Bien...c'est ça. À bientôt mes amis.

April 24, 2008

Goodnight Kiss

O alarme toca. No meu caso, meu celular toca...acho que tocar não é a palavra que define o que esse treco do tamanho de uma barra de chocolate faz. Acho melhor mudar o verbo: meu celular berra. É a alvorada de mais um dia, que não necessariamente significa renovação como se pode imaginar. No meu caso o raiar de um novo dia nada mais é que o reinício da tortura diária que se tornou minha rotina.

Em um primeiro reflexo estico o braço esquerdo para calar o maldito telefone que insiste em querer me retirar da cama que, nessas horas, está no auge de seu aconchego e implora que não seja abandonada. Vou tateando na mesa e finalmente encontro o dito aparelho e o silencio. Uma sensação de alívio toma conta e resolvi cochilar por mais alguns minutos.

Dez minutos depois eis que o maldito despertador travestido de celular toca novamente...toca não se descabela. Nessa segunda vez a impressão que tive é que ele foi mais estridente que a primeira vez. Pouco importa, era hora de me levantar. Busco na mesa meus óculos e, ao encontrá-los, os coloco e resolvo consultar meu relógio/celular (quantas utilidades esse aparelho possui não é?). Ao fazê-lo tenho uma constatação que me enche de alegria e ódio ao mesmo tempo e na mesma medida: hoje é sabado. Não deveria estar acordando cedo...este maldito aparelho não deveria ter berrado duas vezes mas o fez.

Resolvi, então, tirar os óculos e ficar mais um pouco na cama. Sinto uma sensação estranha, como se algo faltasse naquele momento. Em um esforço mental tento descobrir o que está causando essa sensação. Deduzi que essa sensação era decorrente do sonho que tive durante a noite. Cheguei a essa conclusão baseando-me em esperiências anteriores pois sempre que tinha um sonho bom onde não estava mais sozinho eu acordava com um vazio enorme mas, como não me lembrava direito o que se passara em minha mente naquela noite, provavelmente isso reduziu a sensação de solidão.

Reduziu não...pensando bem acho que ela foi mascarada. Talvez pela ignorância a que minha consciência resolveu se submeter provavelmente com o intuito de se auto defender da dor de estar incompleto.

Ainda na cama, resolvi seguir a linha de raciocínio que estava se formando. Essa sensação de vazio não era incomum, especialmente após sonhos ou eventos que se transcorrem ao redor. Na verdade ela sempre está presente, só que as vezes ela se camufla. Então porque dess...

O sono voltou. Minha consciência novamente capitulou entregando o controle da mente ao inconsciente que quase nunca consegue se manifestar de maneira concreta...quase.

March 24, 2008

Inner logic

Estamos cercados de códigos. Isso é um fato. Códigos de diversos tipos, tamanhos e cores. Mas como devemos nos portar diante deles e como devemos proceder para decodifica-los? Excelente pergunta. Caso você tenha vindo aqui buscando tais respostas, o Google te indicou o lugar errado.


Aqui perguntas não são respondidas, e sim feitas. E quase sempre tais questionamentos são feitos por mim mesmo sem deixar espaço para vocês, caros leitores, manifestarem os seus aqui. E explico o porque disso: este blog é um espaço quase que profundamente egoísta onde o trovador que vos fala permitindo que os incautos leitores comentem sobre as divagações que exponho aqui.

Mas voltando aos códigos: por algum motivo quando comecei a escrever este post me veio a cabeça a aula do Moha e seu texto do Derrick de Kerckhove e sua fala repetitiva do "cógnitív" (favor emular sotaque franco-marroquino). Porque? Não sei mas quando penso em código me vem a cabeça o código publicitário (favor inserir piada sobre Fred Tavares aqui), as piadinhas de nerd dos tempos de Poli e as mulheres.

Incrível como uma palavra pode trazer à tona coisas tão distintas separadas por tão pouco. Temas por vezes antagônicos que se juntam ou se aproximam em um tema em comum. Ou será que você acha que mulheres e coisas como "Existem 10 pessoas no mundo: as que sabem binário e as que não sabem." são próximas? De fato que não. Mas ambas são códigos que requerem habilidade para serem decodificados. Alguns são fáceis como as piadinhas idiotas e outros uma impossibilidade estatística como as mulheres. Sobre as últimas, mesmo o grande Sigmund Freud tentou e olha só no que deu...um sujeito que escreveu sobre o cara fantasiar com sua mãe.

Mulheres. O maior enigma de todos. Vejo inclusive uma proximidade entre elas e a enigmática frase da esfinge: "Decifra-me ou te devoro.". Como assim? Vocês devem estar se perguntando? Calma, eu explico e rogo às minhas leitoras que apaguem os fósforos e não queimem os sutiãs (ainda). Imaginem o sujeito com a missão de tentar agradar, ou ajudar ou coisa que o valha, uma mulher. Ai se usando de toda a habilidade adquirida com anos de convivência com a "espécie" ele faz o que acha certo e...


E ele se ferra. Leva um baita esporro, uma cara feia, a moça grita com o pobre e etc...o que aconteceu? O sujeito não decifrou o enigma e foi devorado.


Talvez Wilde esteja certo quando diz "women are made to be loved, not understood" ou em bom português "mulheres foram feitas para serem amadas, não compreendidas".

PS tardio: Assistam este curta:



Genial!