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June 01, 2010

The shore

Contrariando o que foi pedido por alguns, eu volto (de novo) a escrever aqui. Novamente, não sei se voltarei a ser frequente mas de qualquer forma já é alguma coisa.

Muito se passou desde que parei de ser frequent-poster aqui. Mas agora volto a escrever pelo mesmo motivo que escrevia antes. Vocês que já liam (ou olharam os posts antigos) sabem do que estou falando.

Não me sinto confortável em ser tão direto quanto era antes mas vou tentar, me utilizando de imagens...quem sabe dá certo.

Sentado no cais no entardecer vejo você partir. Decerto que você não tem mais o mesmo significado que tinha pra mim mas nunca deixará de ser especial. Vejo você se afastar lentamente na imensidão escura enquanto as luzes na costa vão pouco a pouco se acendendo. Mas não para mim. Apesar do colar de pérolas do litoral, estou nas sombras. Não choro por ti, choro pelo que sua partida representa. O quanto queria estar partindo para o outro lado da imensidão. Me sinto amarrado, prisioneiro deste lugar.

Tenho a sensação de que ainda existem assuntos a resolver por aqui, espero que se reolvam logo para que possa voar alto e longe...bem longe. Quero me sentir livre. Quem sabe te encontrarei ou aqui, para irmos juntos, ou lá para comçarmos juntos. Quem é você? Onde é "lá"? Eu não sei. Sei que aprendi muito nesse tempo que estive com você mas chegou a hora de partir. Eu sabia que esse dia iria chegar...e ele veio.

Agora estou à beira do cais. A brisa fresca do mar lava meu rosto enquanto a escuridão vai dominando o mar. Não a vejo mais, tudo está escuro. O coração aperta. Mas não sinto o choro no rosto.

Olho para o céu onde as primeiras estrelas aparecem. Em breve o céu estará diferente. Em breve será uma outra costa e não estarei só. Estarei com você, quem quer que seja.

May 24, 2008

Another Day

Quebrando um pouco a temática dos últimos textos, vou tentar não me deixar afetar pela melancolia e falar sobre outra coisa. Mesmo porque, com o declínio do número de comentários que tenho percebido nos últimos dias, tenho notado que muita gente tem enchido o saco de ler o blog. Não os culpo mas agradeço mais ainda aqueles que tem me acompanhado aqui através das trevas que dominam a mim e, por conseguinte, a este espaço.

Antes que vocês me perguntem eu já respondo: nada mudou. Existe apenas uma sensação de que estou tratando o blog de maneira errada e talvez sendo explícito demais em meus posts. Essa semana sem atualização serviu para iniciar um pensamento acerca do que devo dizer aqui, como fazê-lo e o porque. Verdade que não assino meus posts mas a maioria esmagadora das pessoas sabem quem sou mas, como a Tatiana reparou e me fez reparar também, muitas pessoas passam por aqui e lêem meus posts. O que me faz chegar a conclusão de que este blog está sendo algo extremamente focado em poucas coisas, coisas que afetam a mim, autor-charlatão do blog, e em conseqüência afetam minhas divagações no blog.

Estive lendo meus posts antigos aqui. Eu "filosofava" acerca das coisas mais variadas, inclusive sobre o nada (um dos meus posts preferidos diga-se de passagem) mas desde algum tempo, os céus se fecharam sobre meu teclado. Não pretendo fazer posts alegres, mesmo porque não sei fingir tão bem assim mas vou tentar readquirir um pouco do senso de humor que foi se perdendo gradativamente ao longo dos meses.

Aproveitando a deixa dada por mim mesmo vou aqui falar sobre a inspiração pura e simples. Acontece comigo, e com muita gente na verdade, os chamados "períodos criativos" do dia. Onde, como o nome diz, estamos mais capazes a criar novas manifestações artísticas, construir invenções, criar um nome para uma ilhota perdida a leste das Ilhas Faröe ou mesmo dar um apelido para o cachorro imbecil e f*lho da p*ta do vizinho que insiste em latir todas vez que se chega em casa lá pelas 4 da manhã.

No meu caso, minha mente é caótica. As vezes possuo rompantes criativos durante o dia, que são quase sempre tomados por impulsos súbitos a rabiscar coisas aleatórias no caderno ou escrever sobre mim mesmo ou mesmo sobre memórias do passado (sim, normalmente eles são notoriamente egoístas). Mas posso dizer que o meu período criativo predominante é o da madrugada. Na verdade diria que ele começa um pouco antes da meia-noite e dira até o sono me impedir de pensar direito, o que varia dependendo de diversos fatores como sono prévio, atividades exercidas durante o dia e coisas afins. Isso explica porque a maioria dos posts no blog são de madrugada. Ou pelo menos eram, hoje, como disse, tudo é um caos. Agora mesmo, não são nem 6 horas da tarde e estou aqui escrevendo com um belo por do sol na janela onde se pode ver os morros ganharem um contorno alaranjado que vai desaparecendo rapidamente dando lugar ao céu azul profundo e estrelado (na medida do possível, afinal estou em uma cidade) que, ao longo das horas, vai se escurecendo até tornar-se algo próximo ao ébano.

Esse por do sol que lá fora se extingue provoca outros sentimentos e atiça outras lembranças da memória e percebo que eles irão afetar minha escrita caso continue este post. Então, para evitar algo no espírito de repeteco eu me despeço.

February 29, 2008

Stargazer

Quatro da manhã. Meus olhos se abrem. Sobre mim, o teto branco observa. Não consigo enxergar muito bem, meus óculos estão sobre a mesa na cabeceira. Tateando sobre ela os encontro e posiciono no meu rosto. A vida lá fora está imóvel, hibernando até a alvorada que se avizinha.

Ao acordar senti um vazio rasgando o espírito. Meu primeiro reflexo foi o de ir a janela e observar as estrelas buscando conforto em sua beleza distante. Distantes, belas mas incrivelmente frias. Elas estavam ali, como velas acesas no firmamento tentando, de certa forma, me mostrar o caminho...

Que caminho você deve estar se perguntando? O caminho para encontrar a única estrela no céu que pode acender o coração. Mas existe um número quase infinito de pontos brilhantes no céu, como descobrir este único que não é como os outros?

Essa pergunta me assombra faz algum tempo e não faço idéia de como respondê-la. Não faço idéia de como interpretar essa indicação e encontrar minha estrela na imensidão. Me assusta também outro questionamento: quais as chances de encontrar uma estrela em um universo quase que infinito e sabendo que não tenho a capacidade de enxergar todas as luzes celestes?

Fui invadido por uma sensação de tontura, como seu o chão sob meus pés tivesse desaparecido assim como as esperanças em encontrá-la. Uma sensação horrível se sucedeu. A sensação de estar condenado em uma busca eterna e infrutífera que iria me consumir plenamente.

O vento chacoalha as árvores, o pensamento é interrompido. No horizonte a alvorada se avizinha. Com o apagar das luzes eu resolvi me recolher novamente, vencido pelo cansaço e por uma sensação de estar sem norte.

Um pássaro canta sozinho ao longe sob os primeiros raios de sol do dia, uma lágrima escorre, os olhos se fecham.


'Twas noontide of summer,
And mid-time of night;
And stars, in their orbits,
Shone pale, thro' the light
Of the brighter, cold moon,
'Mid planets her slaves,
Herself in the Heavens,
Her beam on the waves.
I gazed awhile
On her cold smile;
Too cold—too cold for me—
There pass'd, as a shroud,
A fleecy cloud,
And I turned away to thee,
Proud Evening Star,
In thy glory afar,
And dearer thy beam shall be;
For joy to my heart
Is the proud part
Thou bearest in Heaven at night,
And more I admire
Thy distant fire,
Than that colder, lowly light.

"Evening Star" - Edgar Allan Poe (1827)

January 03, 2008

Midsummer Night's Dream

Never have I seen such dark skies. Don't remember noticing how many shining pearls the night has. The moon with it's many colours gave the dark room a cold yet meaningful glow. Like a candle it refuses to let darkness cover everything between four walls.

I'm standing on the window on this warm summer night. The streets are empty: it's 3am. The windows of the neighboring buildings tell me that there are few people like myself: insomniac. The bed doesn't seem so cozy, the pillow not has good as it used to be.

The streets are lit but all you can hear are the trees breathing with the wind, I can almost hear the thoughts of other insomniacs like myself. A needle touching the ground can be loud like a jet plane but you don't have these at this time of the night. The world seems frozen, waiting for the dawn of a new day when people will wake up and fill the world with life again.

But don't be fooled. There's life in this frozen world of late night. When everything seems to be black and white, pay closse attention to the discreet signs that life gives us: the smell of the flowers, the tree branches moving... It's around us also during the day but their delicate beauty isn't noticed.

Perhaps some people can't sleep because of their fascination for this delicate beauty, perhaps in some sort of way their minds think that it's a waste to get disconnected from the outside world when it shows us this almost hidden spectacle.

Who knows?

December 31, 2007

From the remotes places of the Earth

Gostaria de, atraves desse blog, saudar alguns pontos do globo esquecidos onde o ano de 2007 já viu seu ocaso:

Feliz ano novo Kiribati! No pequeno arquipélago no Pacífico, o ano novo surgiu 3h e 42min atrás. O povo deste lugar remoto vai precisar de um feliz ano novo visto que a nação corre o risco de ser tragada pelo mar devido ao aquecimento global.

Feliz ano novo Ilhas Chatham! Ta ai um lugar que você lê o nome e diz: "Nunca ouvi falar nesse buraco e nunca vou colocar meus pés lá." Se você diz isso, tem razão. O arquipélago se encontra a cerca de 800kms a leste da Nova Zelândia...800 kms. Se a Nova Zelândia em si já é longe pra cacete, você imagina esse lugar. Pra quem não tem o que fazer e tiver vontade de catar no Google Earth eis as coordenadas:
43°59′17″S, 176°27′13″W. E a título de recordação: a população do lugar consiste em 609 pessoas. Viu Luiz? Você não mora tão longe assim.

Feliz ano novo Nukualofa! Essa cidade é um pouco maior. Capital da nação de Tonga com uma população de cerca de 22400 habitantes....uau! E a título de informação totalmente irrelevante: Nukualofa é cidade-irmã de Whitby, na Inglaterra. Estou pasmo...tragam um lexotan.

Feliz ano novo Yaren! Importante (??) distrito no sul da ilha de Nauru. Antigamente possuía o belo nome de Makwa, que parece um nome de algum tipo de curandeiro africano mas não se enganem! É o antigo nome de um distrito de Nauru...como eu pude viver até hoje sem saber disso?

Feliz ano novo Kingston! Não se confundam com a capital da Jamaica nem com a marca que fabrica pendrives. Este lugarejo é a capital das Ilhas Norfolk, Austrália. Suas principais atrações turísticas são: o cemitério, as ruínas das casas de militares ingleses e a capela de St. Barnabas. Ah sim, um detalhe importante: apesar de ser uma ilha, só se pode nadar com segurança em UMA praia! UMA! Vou ligar pra agencia de viagens agora pra passar minhas férias nesse paraíso!

Feliz ano novo Hobart! Junto dos lugares anteriores, Hobart é uma megalópole com 200000 habitantes. Afirma-se que metade da população é comporta de descendentes do Taz e a outra metade de pessoas que achavam que poderiam encontrá-lo na capital da Tasmânia e perderam o caminho de volta. O cidadão mais famoso do lugar atualmente mora em Malibu.

Feliz ano novo Adelaide! Cidade popularizada no Brasil pela corrida de Formula 1 que ocorria na cidade, mas sempre em um horário escroto. Além disso o nome foi utilizado em uma música ridícula que não vou citar a vocês agora.

Em alguns minutos será ano novo em Vladivostok. Sim, caros leitores. Esta cidade existe fora do tabuleiro de War, apesar de eu ter minhas dúvidas em relação a existência de lugares escrotos como Omsk, Dudinka e Tchita.

Durante o dia a "New Year's Wave" (thank you BBC) irá cruzar o mundo e a lugares marcantes como Jayapura, Surabaya, Thimphu, Baku, Panamaribo, Taiohae, Rarotonga, Adak e...Alofi.

Feliz ano novo pra eles! E pra nós também, porque não. Até 2008!

PS: Obviamente que não iria cair no clichê de fazer retrospectivas. Pra isso serve a Globo.
PS2: A foto acima é das Ilhas Chatham.

December 15, 2007

Going with the flow

Millenium Bridge. It's a chilly spring night over the Thames. As I face the river with it's swift waters I begin to wonder if my heart was taken away by the flow.

Since I was young I could notice clearly my life moving forward in every single side of it except one. It's been a long way from the noisy warm streets of Rio to this quiet and chilly evening at London. I always did what I had to do to reach my goals and here I am, with a good job, living in the city I fell in love at first sight years ago, with my friends at both sides of the pond and a few scattered at some other distant places but...

Why am I facing down this modern bridge looking at the clear dark waters of this water-way? Why did I chose this particular bridge? There are so many others in here...

A loud noise broke my thoughts. The Big Ben announced: it's midnight, about 26 minutes to the last tube departure of the day from Saint Paul's station nearby. I didn't care much, because I wasn't in a hurry, I could take the long walk home of taking one of the night buses that serve the city...I wasn't in a mood for a cab ride.

I dediced to return to my thoughts...why this bridge? Perhaps that it shared one strange coincidence with me: no matter how we are we're always incomplete. I always felt this way towards this particular bridge: very modern but lacking one thing which is personality. I don't lack personality, I lack something else, something that can make this quiet and chilly London evening a warm and colourful one.

Oh yes...there are no words to describe properly, they're not enough. I feel the feelings taking control of me.

It's a bit past midnight, guess I'll drop by the pub for a pint, alone this time...I need to think. Better hurry..otherwise it will be too late for that.

As I walk towards the end of the bridge my thoughts tookover. I was walking in the air..at least that's what I felt. Time was meaningless now but I kept walking without paying attention to nothing. "It's fine" I thought "The bridge is empty anyway.". But I was wrong. A few seconds after the idea came across my mind I bumped into a woman. I apologized and helped her with her things, which she dropped because of me.

I introduced myself and we started talking and walking towards the other side of the bridge, the one that I wasn't supposed to be going, as we talked I felt charmed by her eyes and her voice. I invited her for a coffee, she agreed with the condition that she picked the place. I agreed since it didn't really matter where we would be.

As we walked a cold breeze started blowing, it was London's famous unstable weather. I offered her my jacket and she took it. The wind blew away the clouds showing a gorgeous crescent I started looking above and she noticed:

"Why are you looking up like that?"
"Sorry but I'm fascinated my the moon. I never get tired of looking."

After hearing that she looked a bit surprised but kept the date, apparently she changed her mind regarding the place and she took me to this small cafe with some tables at some sort of terrace at the second floor where the crescent was shining over us warming our hearts and giving hope to those who were looking or just making the night view of London even more beautiful.

November 20, 2007

Endless

Silent steps on the eerie road. The darkest of nights surround me, like I've never seen before. The moon and the stars are elsewhere, the light vanished from this world. The only shadow there is lies inside of me. A decaying version of what used to be me but now, this thin self is about to turn into smoke.

The cold wind blows in this barren world, I can hear the dry tree branches move. I closed my eyes, in order to listen to that dead symphony. Death...it surely took by storm this place. Life fled with the stars, guided by the moon. They hid inside the only shadow left in this world and, with it, will become history.

I look back and see an endless path. I try to fugure out how long has it been since I started to walk down this road. How long has it been like this? At first the road was a promise of life and happiness but now...the road died...so did I.

I try to find the end of the way in the distance, but the darkness lies like a grim blanket preventing me to making out what's ahead. Perhaps it's better this way..who knows. What if the road went through the horizon? What would be the point of wandering forever in this dead place? At least these walls give me some sort of hope.

Hope...for now because it lies inside my dying soul and when the end reaches me, I'll be definetly alone and lost in this road to nowhere where not even life exists, where a sould cannot keep living, where the sky turns into a statement of death and sadness.

September 13, 2007

The dark side of the moon


O horizonte está rubro, o zênite azulado quase negro. A cidade é inundada por uma bela luz avermelhada que anuncia: mais um dia está chegando ao fim, tal como uma supernova que nada mais é do que o último show de uma estrela antes de se extinguir para sempre.

Jamais ocorrerá novamente um dia como o que acabou. Podem haver outros mas nunca como o que se extinguiu.

Nessa hora do dia a rotina é a mesma: todos saem dos escritórios, universidades, escolas, cursos e afins ao mesmo tempo, o caos se instaura na via pública com congestionamentos e pessoas se acotovelando nos ônibus e no metrô. Todos pensando em suas vidas, nas preocupações do dia, do que deve ainda deve ser feito, planos para o futuro...

Existe uma sensação estranha de fim de festa no anoitecer, como se a natureza dissesse : "É isso ai pessoal, agora é hora de vocês irem embora."

Tenho essa visão do fim do dia: nada mais é do que um (belo) fim de festa. O fim de mais uma jornada, de mais um dia árduo (para muitos). Na verdade, a meu ver, não é só isso. Marca também o início de um período perigoso: a noite. A hora do dia em que estamos mais em contato com nós mesmos e que, muitas vezes, por conta desse contato acabamos por nos ferir mas ela também permite que aprendamos muito através de nossos pensamentos.

Essa sensação...me remete a um sentimento estranho, não sei identificá-lo. Talvez não saiba porque não é importante fazê-lo, importante é entender qual sua função. Talvez essa sensação salte aos olhos devido ao movimento introspectivo que essa hora do dia pode causar. Afinal a noite se aproxima, as ruas vão paulatinamente se esvaziando e a lua surge no horizonte. Não sei, talvez o anoitecer reforce a sensação de que o tempo está passando e não percebemos, de que a vida segue inexoravelmente. Não importa o que façamos: sempre haverá um anoitecer.