Segunda feira de manha. Existe momento maior de ressaca na semana? Duvido. Escrevo após ler o jornal onde pude ler sobre a derrota do Botafogo, e a subsequente e ridícula choradeira do técnico da equipe e do presidente do clube, e sobre a entrega dos Oscares (vulgo homens carecas, dourados e pelados).
Não irei comentar sobre a partida de futebol visto que irei causar feridas profundas (...not!) em minha ampla (...not!) base de leitores, além de provocar comentários inflamados que virão a causar somente uma queda no nível dos comentários sempre pertinentes daqueles que habitam este espaço.
Já sobre os Oscares só alguns comentários: o Javier Bardem parecia que tinha fugido do zoológico, ou que era um primo do elo perdido. Me irritou sobre maneira o apresentador (Jon Stewart) pronunciar de maneira esquisita o nome da Cate Blanchett...quem não sabe o que estou falando que veja no VocêTubo. Falando da atriz australiana, por mais que a Tilda Swinton seja excepcional ainda acho que a atuação dela em "I'm not there" valeria mais a premiação.
Uma constatação positiva: a Björk não apareceu e isso é digno de sorrisos e suspiros de alívio. De resto, é o resto. O canal E! mostrou as futilidades de sempre antes, durante e depois da cerimônia. E sobre a transmissão do evento em si só um comentário final: ainda bem que existe o SAP.
Mas voltando. Este não é um post sobre o Oscar. Deixo isso para as especialistas (vocês sabem quem são), quero falar de ressaca. Antes que perguntem: não enchi a cara ontem. Não bebi após gargalhar com a vitória do Flamengo nem com as pérolas do cartola alvinegro dizendo que o "Botafogo é time de macho".
Estou de ressaca com as memórias de dias não muito distantes, onde estava em casa. Em um lugar em que podia sentir em cada milímetro do meu corpo que eu pertencia àquilo tudo. Saio na rua, olho ao redor e sinto uma total e irrestrita incompatibilidade com o ambiente que me cerca, com o céu sobre minha cabeça, com o vento quente que bate no meu rosto.
Não desprezo o lugar onde estou agora, mesmo porque existem coisas aqui que me ajudam a aliviar essa sensação de incompatibilidade, existem pessoas que tornam isso um pouco mais tolerável. Mas por mais fantástico que as outras pessoas achem que é tudo isso que nos cerca eu acho que está na hora de juntar as coisas se seguir adiante de volta ao lar, de onde não deveria ter saído.
February 25, 2008
Over the hills and far away
February 18, 2008
Rock me Amadeus
Afternoon at downtown Vienna. The cloudy skies above Stephansplatz were giving one of Vienna's landmarks (the Stephansdom in case you don't know) a grim character: a misleading one. This impressive gothic church, consacrated at 1147 AD, towering 136 meters above the square is everything but grim. It's colourful rooptops and the flamboyant architectural details state that this place of worship was made to impress and it works damn well.
Right next to the church, a group of street artists were performing a very weird dance, I cannot describe it to you fellow readers because I just wouldn't know where to begin.
As I walked around the busy streets of downtown Vienna I felt that the bad impression I had of the city when I first went to the Belvedere was very unfair. The decadent-old-eastern-Europe feeling of the Südbanhof area was totally different from the charming old architecture of this area. As I passed by these old buildings and the beautifully preserved monuments I started to feel Vienna's true nature and character: it's a mature city but not an old one. Austria's capital is an open minded middle aged person. I'd say that the city's character matches Austria's famous artist Falco (when at his peak naturally).
I didn't have any plans that day, all I wanted to do was to walk around Vienna without any particular place to go. If I could see a building that was able to get my attention, I'd walk towards it. And so I found the Sisi Museum at the Hofburg. I wasn't much surprised, actually I thought that it took too long for me to find anything Sisi-related, since plenty of people go to Vienna to be where she went.
As I walked through the palace I ended up in the beautiful Heldenplatz where I saw the sunset behind Vienna's historical buildings. As the night slowly came and the city lights started to show I realized that the dream was close to an end. Vienna was my last stop and I didn't want to cross the pond back "home", after all I was at home so what's the point, right?
With that idea in my mind I walked towards the Museumsquartier with its beautiful squares and buildings but that thought just would gte out of my mind. As I walked towards the U-Bahn the air became somewhat sweet and tender, I'm not able to explain but it felt like something was telling me that I was right: I was "home".
PS: Now for the yet famous super-quick-travel-tips, featuring Vienna
PS1: Like Gustav Klimt? Go to the Belvedere, they even have one Van Gogh there.
PS2: Don't judge Vienna for the Südbanhof area.
PS3: Schoss Schönbrunn: if you go snickers are a must.
PS4: Like classical music? Mozarthaus is the place to go.
PS5: Don't be on a diet since Austria is famous for their food, specially stuff with chocolate and marzipan.
PS6: Stephansdom is worth the visit.
PS7: So is Peterskirche.
PS8: Austrian beer isn't as good as the bavarian one but still pretty decent.
PS9: Don't be afraid of the Döner Kebap joints. But don't pay more than 3 euros for one.
PS10: Try Imbiss too.
PS11: Falco is still big in Austria, so expect to see his face somewhere.
PS12: When crossing the street watch for the bikes...and trams...and cars...and buses.
PS13: If you understand a bit of german you notice that the austrian accent is very funny.
PS14: Euro 2008? Austria's team sucks.
PS15: Prader: worth a visit.
PS16: Vienna Opera House: gorgeous!
PS17: In case you don't know or remember Falco here he is:
PS18: The above picture is of Vienna's Opera House and it isn't mine.
PS19: I know nobody is going to see this new addon to this post but I totally forgot about this Falco video. It shows a lot of Vienna. The song is called Vienna Calling (naturally):
PS20: RIP Falco ( 19/02/1957 - 06/02/1998)
February 14, 2008
Drink up me 'earties, yo ho
"Por favor, mais uma." É o que mais ouvi falar e foi o que mais falei na capital da Bavária. Como um australiano me disse uma vez "A Alemanha é um lugar estranho: quando menos se percebe, uma cerveja aparece na sua mão." E é a mais pura verdade. As vezes me perguntava de onde aquela caneca tinha surgido mas não me importava pois a qualidade da bebida era excelente.
Não é a mesma coisa que você comprar uma garrafa de cerveja alemã no mercado, além do gosto ser diferente o ambiente faz toda diferença e nisso Munique faz toda a diferença.
A noite avançava na cervejaria onde, na companhia de outros viajantes, bebia várias canecas de diferentes cervejas locais. A conversa fluia alegre e todos queriam saber sobre os lugares de onde as pessoas vieram. Era uma sensação interessante, de fazer parte de algo muito maior. Eu não era apenas brasileiro mas fazia parte de uma comunidade realmente global. Canadenses, australianos, americanos, alemães, todos em uma mesma mesa rindo, contando piadas e bebendo (claro, afinal é Munique). Foi uma bela sensação, que dificilmente senti em Pindorama talvez devido à falta do caráter cosmopolita das terras Tupiniquins.
Ao sair da cervejaria resolvi ir a pé de volta ao albergue, era perto mas não tão perto assim. Enquanto os outros conversavam, já sob efeito de muita bebida, eu caminhava olhando tudo que se passava ao meu redor. Eram altas horas da madrugada alemã e ainda podia-se ver pessoas nas ruas saindo das cervejarias, outras parando para comer alguma coisa e outras simplesmente, como eu, apreciando a paisagem.
Ao passar por Marienplatz pude perceber como tudo aquilo era bonito e bem cuidado. Senti uma ponta (mais para iceberg) de inveja. Gostaria muito que o povo da minha cidade tivesse o zelo que os bávaros tinham com sua capital, todos os prédios limpos, sem um milímetro de pixação, nem meio cartaz colado e nenhum outdoor escondendo suas fachadas, realmente uma beleza. "Ah se o Rio fosse assim..." pensei alto, chamando atenção dos que estavam comigo, mas como ninguém entendeu (visto que português é língua morta fora dos países lusófonos) apenas ouvi risadas e uma piada "Olha só..o cara está tão bêbado que só consegue falar sua língua." achei graça e ri também, afinal talvez não estivessem tão errados assim.
Descendo a Neuhauser Strasse, cheguei em Karlsplatz. Uma pela praça que, após uma reforma agregou várias interferências modernas em sua arquitetura clássica, bem típico da Alemanha atual. Lá pude perceber que podia ver a lua, sob uma fina névoa, refletida em um dos elementos de aço da praça. "Devia ter trazido a câmera", pensei mas depois lembrei que não seria uma boa idéia. Mas logo depois lembrei que a imagem já estaria gravada para sempre em minha mente e, por isso, não precisava de câmera.
É verdade, não precisava de câmera. Afinal câmeras registram apenas imagens que podem transmitir sensações mas uma câmera não transporta o aroma suave da madrugada de Munique, ou o som dos passos tranquilos na Maximilianstrasse ou a sensação de bem estar por estar, finalmente, em um lugar que realmente gostava e me sentia parte dele.
PS: Munich travel tips
PS1: Rathaus-Glockenspiel - Se quiserem ir preparem-se para lidar com multidões, mas como os sinos não demoram muito não tem problema.
PS2: Andar de Karlsplatz (Stachus para os bávaros mais xiitas) até a Hofbräuhaus vale a pena.
PS3: Gosta de carros? BMW Welt e não se fala mais nisso.
PS4: Gosta de esportes? Olympiapark. Do lado do BMW Welt.
PS5: Futebol? Allianz Arena. Parece um pneu gigantesco.
PS6: Não deixem de ir ao Deutsches Museum. É muito divertido.
PS7: Se gostarem de história e tiverem estômago forte vão a Dachau.
PS8: Cerveja ao ar livre com boa comida? Viktualienmarkt e de quebra encham suas garrafas nas fontes do lugar: a água é limpa.
PS9: Se tiverem um pouco mais de tempo vão ao castelo Neuschwanstein. Walt Disney se inspirou nele para criar o da Disneyland.
PS10: Existe vida em Munique para os que não bebem, tentem suco de maçã.
PS11: Se você não gosta de porco, ai fica difícil, mas experimente mesmo assim.
PS12: O chucrute (sauerkraut para os locais) alemão é outro mundo.
PS13: Nem adianta procurar a cervejaria do Putsch de Munique. Ela foi destruída na guerra.
PS14: Mas a cervejaria onde nasceu o NSDAP (vulgo partido nazista) existe: Hofbräuhaus.
PS15: Visitem a Frauenkirche e vejam a pegada do diabo. (ele calça 41 pelo jeito)
PS16: Nem tentem procurar sinais nazistas em Munique: foram todos retirados.
PS17: "Não existe alcoolismo em Munique, apenas algumas pessoas com distúrbios alimentares."
PS18: A foto é da Altes Rathaus em Marienplatz. E, como sempre, não é minha.
February 09, 2008
Country roads
Piscar de olhos. Um microssegundo...foi a duração do sonho. Pensava a respeito certa noite enquanto vagava pela fria noite Berlinense. Lembrava que apesar de estar em casa andando às margens do Spree sabia que, mais cedo ou mais tarde, a dura realidade bateria à minha porta. E ela bateu.
Acordei. A bela noite Berlinense já é memória, a vivacidade e o contraponto que impõe a Alexanderplatz nada mais é do que uma imagem gravada em minha mente. Berlim é um espetáculo para olhos atentos, não possui o esplendor de Paris ou mesmo a leveza de Roma mas a capital alemã tem de sobra é caráter e uma atmosfera encantadora. Ao parar em um gradio junto à Parisierstrasse mal poderia imaginar que algumas décadas antes, aquela bela cidade foi palco de batalhes sangrentas e ferozes. Hoje a cidade conserva cicatrizes do conflito como marcas de tiros em algumas edificações e memoriais espalhados pela cidade.
Ao parar às magens do Spree olhei para o céu. Ele estava diferente do que estava acostumado no Brasil: outras estrelas eram visíveis e outras estavam em outros pontos da esfera celeste. Me senti como uma criança vendo o mar pela primeira vez: era um admirável mundo novo que se abria diante de meus olhos.
Fui acometido naquele momento por uma sensação que foi como um cobertor quente: estava em casa. Oficialmente, minha casa estava a um oceano de distância mas não era assim que eu me sentia.
Não existe lugar como nosso lar e eu finalmente tinha voltado para casa. Mas...era preciso ir embora... Como já me disseram eu estava apenas reconhecendo o terreno. Um dia eu volto..e fico.
PS: Diquinhas turísticas de Berlim:
PS1: Tour grátis "New Berlin" recomendado.
PS2: Tour grátis "Alternate Berlin" idem
PS3: Subam o domo do Reichstag. É de graça mas cheguem cedo.
PS4: Checkpoint Charlie é fake.
PS5: Visitem o Museu Judaico
PS6: Idem para o Memorial do Holocausto
PS7: Idem para o Portal de Brandemburgo
PS8: Bebam a Berliner Weisse. Eu gosto mais da vermelha.
PS9: Andem a pé pela Museuminsel passando pela Universidade Humboldt e estiquem para o Französicher Dom e a Opera House.
PS10: Cuidado com as bolhas nos pés.
PS11: Vão a Alexanderplatz de dia e de noite e deem uma volta nas vizinhanças.
PS12: Vão à Potsdamerplatz e passeiem por la: parece Tóquio.
PS13. Vão à Potsdam
PS14: Vão a Sachsenhausen...isso é: se tiverem estômado pra isso.
PS15: Estádio Olimpico e afins: vão.
PS16: Não subam a torre de TV. É caro e não vale a pena.
PS17: Berlin rocks.
PS18: A foto é da Alexanderplatz e seu Weltzeituhr.
PS19: A foto não é minha.
PS22: (pê ésses 20 e 21 nos comentários) Não existe nada de errado com os alemães, muito menos com as alemãs..ah...as alemãs...
PS23: Acabei de notar que não falei do muro. Pois bem, visitem a East Side Gallery. Mais informações no Google.
October 14, 2007
Live from Baghdad
Espero voltar logo ao lar...
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar –sozinho, à noite–
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
(Gonçalves Dias, De Primeiros cantos,1847)