Showing posts with label caliban. Show all posts
Showing posts with label caliban. Show all posts

August 26, 2008

Mist


"
Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
- Foi poeta, sonhou e amou na vida. _
Sombras do vale, noites da montanha,
Que minh’alma cantou e amava tanto,
Protejei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe um canto!"



Não sou o poeta que escreveu estas palavras acima, muito menos sou poeta algum. Não busco o lirismo simplemsnete porque sou incapaz de faze-lo surgir nestas páginas. Valho-me então da dor do poeta de verdade para simbolizar de alguma forma a minha. Valho-me da desilusão dele para tentar fazer uma alegoria da minha. Decerto que mesmo que escolhesse a dedo centenas de poesias, nenhuma seria capaz de explicar com exatidão o turbilhão que se instaurou. Não que me considere melhor ou mais profundo que os poetas, jamais. Simplesmente porque eles escreviam sobre si mesmos e eu, como não sou nenhum poeta, logo sem nenhum talento para escrever poesias que me sirvam, tomo emprestado as palavras de outrem.

Novamente recorro a Álvares de Azevedo como aquele que pinta a alegoria que se traduz na imagem mais próxima do meu estado de espírito (odeio essa expressão).

Ampliando estes reclames eu digo que quem deveria escrever hoje aqui não era eu e sim minha faceta mais obscura. Aquela que anda vagando pelas sombras sempre observando cada passo, cada pensamento e cada ato de minha parte. Resolvi tentar dar voz novamente a ele mas de maneira controlada, tentando traduzir o que ele sussurra em meus ouvidos.

A maior questão sobre esta decisão é que sei que se colocar suas palavras, mesmo que filtradas pelo pensamento pseudo-lógico, estarei expondo demais minhas feridas aqui, e não sei se estou preparado pra isso. Na verdade até comecei a escrever o que ele me dizia mas parei, apaguei tudo. Estava, de fato, me expondo demais. Já acho que falo demais aqui. Este blog não nasceu com o objetivo de ser um palanque onde coloco minhas questões, mesmo que pseudo-ocultadas por alegorias repetitivas, pseudo-oníricas e de mau gosto. Me pergunto como as pessoas têm paciência de ler este blog sendo que meus asssuntos não variam em nada. É sempre a mesma ladainha. Inclusive eu estoume repetindo novamente.

Está vendo? Você não tem capacidade de fazer mais nada. É um completo inútil, está com o espírito paralizado por todo esse peso que se deposita sobre si. Está imóvel, congelado. Seu coração está ferido, você está ferido e isso é óbvio. Que tentativa fajuta é essa sua de tentar se ocultar neste espaço? Me diga? Você além de burro, é ingênuo também? Além de ingênuo, será que você é um idiota? Deve ser, pra continuar postando aqui e sempre se valendo de comentários para aliviar a sensação de desconforto e seguir em frente...você é patético. Fica ai falando mas no final você é um frouxo. Pura e simplesmente um frouxo que vai morrer abraçado em seu enorme e inútil romantismo e em sua igualmente imprestável obsessão por aquilo que é certo. Vai morrer sozinho no alto de sua pseudo-inteligência e de sua dita "cultura". Patético. Enquanto isso, as pessoas normais, que não são tão tudo isso que você acha que pode ser estão ai. E sabe da maior? Elas conseguem o que você não consegue. Engraçado né? Quem é melhor afinal? Você ou eles? Pense nisso, meu caro. Vou me retirar, você tem muito o que refletir.

Com sua força inexorável, ele tomou conta de minhas ações acima. Resolvi não resistir e deixei fluir tudo que ele achava que deveria ser dito. Sem objeções, nem filtros apesar de tudo que disse antes d'ele tomar posse de minha mente e de meus atos.

Me retiro agora. Preciso tentar achar algum sentido nas coisas e tentar encontrar algum alívio em algum lugar. Já que eu sei que a solidão, essa nunca me abandona e cada dia que passa eu sinto que ela jamais irá me abandonar.

July 14, 2008

The distance

Time...something that has a plethora of meanings no matter which language you pick to define it. It's most widely used imagetic representation is the timeglass. But these days I feel that I've got no need to actually see or draw of photograph one to feel that time is passing by pretty quickly.

I can feel it with my gut. Pure and simply like that. I feel that the old clichés about it are mostly true. Time is like Mercury with it's swift winged feet running through our lives bringing us farther from youth and closer to the dawn of existance. There is no easier way to say it: I'm feeling very old. Perhaps due to the fact that I'm mostly around people younger than me and that friends my age are on a different stage in their lives while I had to take "a step back in order to move forward". I know that I had to pay a price for my decision and I don't regret what I did.

The other problem well known by people who know me outside this virtual window also increases with the idea that old age is coming and fast. I don't want to talk much more on the subject but it felt awful going to grandma's this weekend with the entire family together and their boyfriends/girlfriends. Even my 16 year old cousin brought hers. Gosh that felt like I was in my late 50s eating chips on my underwear in a couch watching tv in a dark room all alone. And the looks on their faces wondering why I'm never with someone. That really was disconcerting or, in more french terms, felt like shit.

Time passes swiftly and we don't even notice. And when you do and you're as frustrated as I am, it feels like you wasted your life away and that's precisely the feeling that lies inside my mind.

April 18, 2008

Shades of Gray

Tenho tentando frequentemente atualizar esse blog com mais frequência mas, sei la porque, eu não tenho conseguido assunto pra escrever. Já escrevi, inclusive, sobre a falta de assunto, ou seja, até esse tema já se esgotou. Hoje estou atualizando meio que na marra com a letra de uma música que só presta se for cantada pelo Johnny Cash (RIP). É uma música triste, bem cinzenta que remete a um lugar que estou em alma.


I hurt myself today
To see if I still feel
I focus on the pain
The only thing that's real
The needle tears a hole
The old familiar sting
Try to kill it all away
But I remember everything

[Chorus:]
What have I become
My sweetest friend
Everyone I know goes away
In the end
And you could have it all
My empire of dirt
I will let you down
I will make you hurt

I wear this crown of thorns
Upon my liar's chair
Full of broken thoughts
I cannot repair
Beneath the stains of time
The feelings disappear
You are someone else
I am still right here

[Chorus:]
What have I become
My sweetest friend
Everyone I know goes away
In the end
And you could have it all
My empire of dirt
I will let you down
I will make you hurt

If I could start again
A million miles away
I would keep myself
I would find a way

Hurt - Performed by Johnny Cash

Sem mais lirismos, bastante ausentes ultimamente, maneirismos e frescuras vou encerrando mais uma postagem. Peço desculpas pelo tom áspero da postagem mas foi impossível atingir um grau de humor mínimo que justificasse e sustentasse algo mesmo que fosse o sarcasmo.

April 12, 2008

Eclipse


Darkness

I had a dream, which was not all a dream.
The bright sun was extinguished, and the stars
Did wander darkling in the eternal space,
Rayless, and pathless, and the icy earth
Swung blind and blackening in the moonless air;
Morn came and went -and came, and brought no day,
And men forgot their passions in the dread
Of this their desolation; and all hearts
Were chilled into a selfish prayer for light;
And they did live by watchfires -and the thrones,
The palaces of crowned kings -the huts,
The habitations of all things which dwell,
Were burnt for beacons; cities were consumed,
And men were gathered round their blazing homes
To look once more into each other's face;
Happy were those which dwelt within the eye
Of the volcanoes, and their mountain-torch;
A fearful hope was all the world contained;
Forests were set on fire -but hour by hour
They fell and faded -and the crackling trunks
Extinguished with a crash -and all was black.
The brows of men by the despairing light
Wore an unearthly aspect, as by fits
The flashes fell upon them: some lay down
And hid their eyes and wept; and some did rest
Their chins upon their clenched hands, and smiled;
And others hurried to and fro, and fed
Their funeral piles with fuel, and looked up
With mad disquietude on the dull sky,
The pall of a past world; and then again
With curses cast them down upon the dust,
And gnashed their teeth and howled; the wild birds shrieked,
And, terrified, did flutter on the ground,
And flap their useless wings; the wildest brutes
Came tame and tremulous; and vipers crawled
And twined themselves among the multitude,
Hissing, but stingless -they were slain for food;
And War, which for a moment was no more,
Did glut himself again; -a meal was bought
With blood, and each sate sullenly apart
Gorging himself in gloom: no love was left;
All earth was but one thought -and that was death,
Immediate and inglorious; and the pang
Of famine fed upon all entrails -men
Died, and their bones were tombless as their flesh;
The meagre by the meagre were devoured,
Even dogs assailed their masters, all save one,
And he was faithful to a corse, and kept
The birds and beasts and famished men at bay,
Till hunger clung them, or the drooping dead
Lured their lank jaws; himself sought out no food,
But with a piteous and perpetual moan,
And a quick desolate cry, licking the hand
Which answered not with a caress -he died.
The crowd was famished by degrees; but two
Of an enormous city did survive,
And they were enemies: they met beside
The dying embers of an altar-place
Where had been heaped a mass of holy things
For an unholy usage: they raked up,
And shivering scraped with their cold skeleton hands
The feeble ashes, and their feeble breath
Blew for a little life, and made a flame
Which was a mockery; then they lifted up
Their eyes as it grew lighter, and beheld
Each other's aspects -saw, and shrieked, and died - 
Even of their mutual hideousness they died,
Unknowing who he was upon whose brow
Famine had written Fiend. The world was void,
The populous and the powerful was a lump,
Seasonless, herbless, treeless, manless, lifeless - 
A lump of death -a chaos of hard clay.
The rivers, lakes, and ocean all stood still,
And nothing stirred within their silent depths;
Ships sailorless lay rotting on the sea,
And their masts fell down piecemeal; as they dropped
They slept on the abyss without a surge - 
The waves were dead; the tides were in their grave,
The Moon, their mistress, had expired before;
The winds were withered in the stagnant air,
And the clouds perished! Darkness had no need
Of aid from them -She was the Universe!

Lord Byron (George Gordon Byron) - 1816


PS: Esse poema tem uma história interessante. Foi escrito em 1816 que foi chamado de "o ano sem verão" que foi causado por uma anomalia atmosférica provocada pela erupção do Monte Tambora, nas Índias Ocidentais, que lançou na atmosfera uma quantidade absurda de poeira implicando em um bloqueio anormal dos raios solares.

April 06, 2008

Beneath the waves

Imaginem como seria o céu noturno sem nuvens e sem estrelas. Imaginem o firmamento negro e lúgubre da noite impiedosa e solitária. Este é o cenário que me circunda.


Vou ao convés ao nada consigo enxergar. Não existe nada no céu acima de mim. Estranhamente não existem estrelas para me guiar no meu caminho, muito menos a lua para me dar alguma noção de direção. Sinto que estou a horas a deriva neste lugar e, incrivelmente, a alvorada não se avizinha.

É uma eterna madrugada fria e solitária. O único som que ouço é o das vagas indo de encontro ao casco da embarcação. De resto um silêncio só comparável com a solidão vivida ali.

Entro na cabine e busco as cartas de navegação...onde será que estava? Que lugar era esse onde não existe nada no céu e onde jamais amanhece? Como fui parar ali? Porque estava ali? Nada fazia sentido.

Lembrei-me de minha velha bússola e, com seu auxílio, resolvi aproar o barco para o oeste. Não que isso faria alguma diferença já que o ar estava imóvel.

Mas uma pergunta não saía de minha cabeça: como fui parar ali? Lembro de estar estudando minha rota na cabine com a ajuda das cartas e que, por algum motivo, acabei pegando no sono e quando acordei estava preso nesse lugar estéril, sombrio e solitário.

Dias se passaram...dias que viraram semanas... a vida se tornou insuportável a bordo do barco. Já cogitava em medidas extremas para por fim àquela vida preso naquele lugar. Até que, depois de muito auto-convencimento, resolvi amarrar uma corda no meu pescoço e depois no mastro do barco mas quando iria amarrar a corda em mim fui tomado por uma sensação de pavor que me deixou paralisado. Não tinha coragem para dar cabo de minha própria vida. Um instinto inexplicável de auto-preservação surgiu e me impediu que fizesse o pior.

Em desespero, comecei a berrar e em um impulso me atirei no mar em uma tentativa inútil de tentar me afogar nas calmas águas que circundavam o veleiro. Após inumeras tentativas resolvi permanecer na água agarrado a escada na parte de trás do casco. O tempo passava, a exaustão tomava conta do corpo já castigado até que minhas forças expiraram e nao pude mais me apoiar no barco.

Senti o mar me envolvendo pouco a pouco. As águas ficavam cada vez mais frias ao meu redor e tudo ficava cada vez mais escuro. Nunca pensei que era possivel um lugar tão escuro quanto aquele. Era como se uma enorme sombra se materializasse e tomasse posse do meu corpo. Antes que pudesse imaginar tudo estava acabado. O fim tinha finalmente me encontrado.

March 31, 2008

No More Lies

"Hope is the worst of all evils, for it prolongs the torments of men." (Nietzsche)

What is hope, fellow readers? Really...it's an honest question because, honestly, I don't know. Perhaps the crazy german dude who made the quote above is right. Perhaps hope is some sort of disease that some people have that in the end all that it does is making people suffer for days, months, years...in some cases their entire lifespan.

Hope numbs the spirit, takes you away from reality making you think that everything will be alright, that things will find their own way towards some sort of solution. Newsflash for you people with hope: it won't happen...period.

Things don't get solved for themselves, problems don't vanish out of the blue. Solutions sometimes show up simply because people work towards looking for them, even if, at times, they don't know they're actually doing that.

But, as we all know, the effort doesn't pay off all the time. Life is bloody unfair as we know and some people who really work hard towards a light in the end of the tunnel don't find it no matter how hard they look. Examples of such people? We know at least one, right? No need to mention the obvious.

Hope...such a weak illusion. So faint that it cannot cross Dante's hell gates, cannot survive in the heart of those who decide to face their despair of knowing that all of their efforts were useless and not knowing if their future ones will make any difference.

Hope...a sweet made-up world where everything is fair and that we all are going to get what we want even after a long struggle. This world has collapsed leaving only the hard, dark and cold real world ahead of me.

December 06, 2007

Blind storms

Olhos cerrados, o mundo se cala. Boca fechada, o mundo escurece. Ouvidos fechados, o mundo desaparece. A chuva cai, o doce som se espalha nas ruas mudas. O aroma se desprende do chão e enche as narinas...olfato...o único sentido que ainda resiste.

Todos os outros quatro sentidos minguaram. Atrofiaram por absoluta falta de uso. Estou trancafiado em uma sala escura, prisioneiro de um sentimento de vazio que parece não ter fim. Ao longe existe uma janela bastante estreita. Não existem barras, afinal o prisioneiro não pode enxergar a saída nem ouvir alguma boa alma o chamar.

Está sentado, em um canto de seu cárcere sentindo o vaporoso odor da chuva que rega o mundo no exterior de sua prisão.

Não existem algemas nem correntes neste lugar. Não existe carcereiro, padre ou qualquer tipo de vida humana ali além da sua. Está totalmente só. Abandonado em seus próprios pensamentos, com seus próprios tormentos e fantasmas.

Quisera ele estar lá fora sorrindo, vivendo aproveitando o mundo sob a chuva mas ele não pode. Seu coração foi ferido e aos poucos seu espírito está morrendo....sentido a sentido ele vai se voltando para si mesmo.

Talvez essa sua última chuva, talvez na proxima não a perceba mais. Talvez a tormenta seja o último resquício de vida que o mundo exterior dê a ele.

Este pensamento varou sua cabeça como um raio, se deu conta de que o fim está próximo, de que em breve será apenas uma carcaça abandonada no canto escuro de uma solitária.

O fim... não existe nada mais dentro dele...apenas um vazio que parece ser infinito. Forças ele não tem mais, só está vivo agora por absoluta teimosia, afinal ainda existe esperança de que um dia ele consiga recobrar tudo que perdeu. Existe a esperança de que o coração, um dia volte a bater.

A chuva parou. Nada mais pode ser sentido por ele. Uma lágrima escorre na face fria.

November 20, 2007

Endless

Silent steps on the eerie road. The darkest of nights surround me, like I've never seen before. The moon and the stars are elsewhere, the light vanished from this world. The only shadow there is lies inside of me. A decaying version of what used to be me but now, this thin self is about to turn into smoke.

The cold wind blows in this barren world, I can hear the dry tree branches move. I closed my eyes, in order to listen to that dead symphony. Death...it surely took by storm this place. Life fled with the stars, guided by the moon. They hid inside the only shadow left in this world and, with it, will become history.

I look back and see an endless path. I try to fugure out how long has it been since I started to walk down this road. How long has it been like this? At first the road was a promise of life and happiness but now...the road died...so did I.

I try to find the end of the way in the distance, but the darkness lies like a grim blanket preventing me to making out what's ahead. Perhaps it's better this way..who knows. What if the road went through the horizon? What would be the point of wandering forever in this dead place? At least these walls give me some sort of hope.

Hope...for now because it lies inside my dying soul and when the end reaches me, I'll be definetly alone and lost in this road to nowhere where not even life exists, where a sould cannot keep living, where the sky turns into a statement of death and sadness.

October 12, 2007

Shadows at night


Quatro da manhã. A noite é silenciosa e o céu está cravejado de estrelas. Vou andando de volta para casa, foi uma noite longa.

Resolvi não ouvir música, como de costume, queria aproveitar o silêncio daquela madrugada agradável. Passos na escuridão, batidas ritmadas no chão como um relógio.

Eis que, percebo que não estou só. Existe alguém atrás de mim. Senti sua presença, era horrível e familiar. Não virei o rosto, não queria vê-lo mais uma vez.

- Eu sei que você me viu. --Diz a sombra-- Sei que você não tem coragem de olhar no meu rosto. Você é fraco, um perdedor. Por isso que ninguém te quer. Você me dá pena...covarde!

Olho para tras e não vejo ninguém. Atravesso a rua vazia e volto a ouvi-lo:

- Só assim pra você tentar olhar nos meus olhos não é? Tenho pena de você. O que você vai fazer agora? Chegar em casa e chorar na cama não é? Você é fraco...um completo idiota. Por isso que ninguém te quer. Porque você não merece nem a pena dos outros. Você não merece o amor, você só merece a dor e a solidão. Divirta-se com isso e acostume-se, pois ainda falta muito tempo pela frente.

Depois disso, não ouvi mais aquela voz. Mais a frente entrei em um taxi e fiquei pensando nisso. Quase esqueci de avisar o taxista para parar em frente à minha casa.

Chegando, depois do banho, fui dormir. Seinti uma vontade galopante de chorar até os olhos saltarem das órbitas, mas não consegui. Acabei por dormir com aquele discurso ecoando na cabeça e totalmente sem esperança.

September 03, 2007

Encontro com Caliban


"Cuidado, leitor, ao voltar esta página! Aqui dissipa-se o mundo visionário e platônico. Vamos entrar num mundo novo, terra fantástica, verdadeira ilha de Baratária de D. Quixote, onde Sancho é rei.[...] Quase depois de Ariel esbarramos em Caliban."

"A Razão é simples. É que a unidade deste livro e capítulo funda-se numa binomia. Duas almas que moram nas cavernas de um cérebro pouco mais ou menos de poeta escreveram este livro, verdadeira medalha de duas faces." (Alvares de Azevedo)



A porta se abre iluminando a sala escura. No fundo dela, recostado em uma cadeira, pode-se perceber uma figura sombria. Mal consegue se ver seu rosto, ele é apenas um vulto. Ao entrar no aposento, tal figura acende um cigarro e, impacientemente aguarda minha chegada. A cada passo dado, o piso geme e a sala escurece. Olho ao meu redor e vejo um ambiente não apenas escuro, mas tão funesto quanto aquele que me espera. Da janela aberta vem uma brisa gelada que causa arrepios mas que parece só perturbar a mim. Ao me aproximar, o homem dirige-se a mim com uma voz grave: "Sente-se".

Obedeci, e me sentei em frente a ele. Mesmo perto, aquele homem parecia não ter rosto, parecia etéreo como um fantasma naquele ambiente sombrio.

“Você me conhece” diz o homem. “Faço parte de você e estou sempre aqui observando seus atos.”
Não respondi mas não precisei de muito tempo para concordar com aquela figura. E ele continuou: - Estou aqui para lhe falar com clareza. Você está com um problema. Não negue, afinal eu faço parte do seu espírito, quando você vaga pelo dia estou sempre nas trevas tomando conta de você. Você conhece o meu nome então não é preciso que me apresente. O que você tem feito para resolver seus problemas? Eu respondo. Nada. Tudo que tem feito vem sendo infrutífero. Decerto que para algo tudo têm servido, mas não está cumprindo o propósito que fez você se mover. Porque? Porque você é um idiota e não me dá ouvidos quando deveria. Preste atenção, seu imbecil, ele não vai te ajudar em nada, muito menos eu, a diferença é que eu não irei te atrapalhar, ao contrario dele. Não vou realçar suas ditas qualidades. Digo “ditas qualidades” porque questiono se elas realmente existem, afinal se você as tivesse não estaria nessa situação. Você está sendo enganado por Ariel, ele sim planta esperanças infundadas e que, no final, quem se frustra é somente você. Escute, você não tem nada demais, nenhum atrativo, nada. Esqueça e aceite o inaceitável: de que isso pode não ter solução.

Ao terminar de falar, o homem começou a rir compulsivamente e o riso se transformou em uma gargalhada assustadora. Não tive reação. Aquele homem tinha me paralisado e antes que pudesse argumentar, ele se levantou, apagou seu cigarro e desapareceu na escuridão.