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August 03, 2008

Sounds like desolation

The brisk late night breeze touches my face with it's fresh dance in the air. It's late night and I've just woken up. The landscape is a beautiful blend of the strengh and peace of the mountain landscape and the dynamic emptiness of the oceanview. My ears are filled with the constant noise of the waves colliding against the rocks in the distance and the whistle of the soft winds coming from the sea.


In this magnificent scenery I find myself utterly alone. There's nothing in the distance that can show that there's any sort of human presence more than my own. The nature seems intouched and totally dominates this world around me. The grim cloudy skies look a tad unfriendly from the ground and the thundering flashes seen in the distance show that soon enough, a storm will break turning this peaceful landscape into a disaster scene.

I find myself standing on a flat rock from where I can see almost as far as the horizon lets me. Albeit the cold breeze, I'm no feeling uncomfortable whatsoever, at least with what concerns thermal comfort, naturally. Because this loneliness is disturbing the mind immensely in a way that it struggles to make out it's truly nature. The damage inflicted by it cannot be seen even from the rock I'm standing. Everything seems so grim and lonely from here that I really cannot see the sun anymore.

It's a disconcerting thing, you know. Je sais que le soleil existe, ou existait, mais je commence a croire qu'il, peut être, n'existe plus. Peut être, le problème est devenu si grand que je ne peux pas voir ce qu'il y a après les montagnes. La tête ne crois pas au soleil, le coeur n'a plus d'éspoir. Non. La situation que si présente est absolutment nuageuse et sans aucune oportunité de changement.

Le tonnerre est devenu plus proche, son bruit peut être écoute plus fortement. La tempête est presque ici. Les vents ont changé, ils sont devenu plus agressifs...il fait froid maintenant. Il commence à pleuvoir.

Olho ao meu redor e tudo permanece seco e sinistro como antes da vinda da tempestade. Parece que só eu sinto a ventania chocando-se conta o corpo, parece que só eu sinto a chuva cair violentamente sobre mim, parece que só eu sinto o frio a flor da pele.

Ao meu redor a paisagem permanece em sua paz e lugubricidade imutáveis. É como se eu estivesse em uma bolha de tempestade. De repente olho pra cima e descubro que de fato não chove sobre mim, muito menos que existe algum tipo de rajada de vento se chocando contra meu corpo. O que existe apenas são lágrimas e o som dos meus gritos contra as vagas e as montanhas.

June 24, 2008

Perpendicular Waltz

Talento. A wikipédia define como:


"Talento, vocação ou dom é também o nome que se dá a habilidades artísticas. Assim, afirma-se que tal pessoa tem talento para a música, ou talento culinário, ou talento para lidar com crianças, por exemplo.
(...)
Atualmente, usa-se o termo talento para designar habilidades inatas das pessoas, ou capacidade natural para realizar determinadas atividades."

Louva-se aquele que possui talento. Nada mais justo afinal ela possui um dom: seja ele qual for. Alguns são úteis como o dom de escrever, de liderar massas (esse muito interessante), o da fala e afins. Outros são inúteis como o de abrir garrafas de cerveja com os dedos dos pés ou de falar correntemente de trás pra frente.

Dizem os otimistas que todos nós possuimos estes talentos, cada um foi ungido com um na concepção. Está no nosso DNA. Eu discordo totalmente dessa afirmação. Existem, sim, pessoas que são totalmente desprovidas de qualquer capacidade desejável ou não (hellooo!) e que conseguem, por força de habilidade social, ocultar o fato por meio de artifícios como palavras soltas durante a fala (hellooo!) ou uma aparência desejável (no way =p).

Mas me considero um "cheerful pessimist" (thanks Cesar). Ou seja: acredito que aqueles desprovidos de talentos naturais podem desenvolver algum tipo e que este seria quase (eu disse quase) tão bom quanto aqueles que fizeram absolutamente nada para possuí-lo. Lendo esta frase anterior me veio à cabeça um raciocínio: todos os talentos que enumerei como inúteis são aprendidos, ou seja, os "dons" fúteis são adquiridos ao longo do tempo, o que torna mais sombrio ainda o meu pessimismo.

Eu explico: se aqueles sem nenhum tipo de talento (self pointing fingers) precisam adquirir algum para se sobressair em alguma coisa e se algumas pessoas buscam aprender o tipo de coisa que citei, isso reduz mais ainda o contingente daqueles "destalentados" que buscam aprender algo que preste.

Vejo a vida exatamente como isso: a busca pelo aprendizado de algo que preste pois de porcaria estou de saco cheio. Isso é fácil de aprender. Não é preciso esforço algum: esse tipo de coisa vem a você. É incrível! Ah sim...e dificilmente se esquece das porcarias que se aprende na vida. É como se o cérebro gostasse desse tipo de "memória fácil".

Mas faz parte da natureza do corpo humano, e por conseguinte do homem. Nosso corpo gosta de coisas fáceis: sentar no sofá e ver TV, por exemplo. A mente humana idem: por mais que a pessoa aceite positivamente mudanças, o "agora" por ser conhecido, ou seja mais fácil de lidar pois já se pode prever como funciona, é mais agradável e desejado mesmo que inconscientemente.

Ou seja, somos todos um bando de preguiçosos, alguns preguiçosos talentosos e outros, infelizmente não. E estes precisam vencer a preguiça para tentar se aproximar daqueles agraciados.

April 12, 2008

Eclipse


Darkness

I had a dream, which was not all a dream.
The bright sun was extinguished, and the stars
Did wander darkling in the eternal space,
Rayless, and pathless, and the icy earth
Swung blind and blackening in the moonless air;
Morn came and went -and came, and brought no day,
And men forgot their passions in the dread
Of this their desolation; and all hearts
Were chilled into a selfish prayer for light;
And they did live by watchfires -and the thrones,
The palaces of crowned kings -the huts,
The habitations of all things which dwell,
Were burnt for beacons; cities were consumed,
And men were gathered round their blazing homes
To look once more into each other's face;
Happy were those which dwelt within the eye
Of the volcanoes, and their mountain-torch;
A fearful hope was all the world contained;
Forests were set on fire -but hour by hour
They fell and faded -and the crackling trunks
Extinguished with a crash -and all was black.
The brows of men by the despairing light
Wore an unearthly aspect, as by fits
The flashes fell upon them: some lay down
And hid their eyes and wept; and some did rest
Their chins upon their clenched hands, and smiled;
And others hurried to and fro, and fed
Their funeral piles with fuel, and looked up
With mad disquietude on the dull sky,
The pall of a past world; and then again
With curses cast them down upon the dust,
And gnashed their teeth and howled; the wild birds shrieked,
And, terrified, did flutter on the ground,
And flap their useless wings; the wildest brutes
Came tame and tremulous; and vipers crawled
And twined themselves among the multitude,
Hissing, but stingless -they were slain for food;
And War, which for a moment was no more,
Did glut himself again; -a meal was bought
With blood, and each sate sullenly apart
Gorging himself in gloom: no love was left;
All earth was but one thought -and that was death,
Immediate and inglorious; and the pang
Of famine fed upon all entrails -men
Died, and their bones were tombless as their flesh;
The meagre by the meagre were devoured,
Even dogs assailed their masters, all save one,
And he was faithful to a corse, and kept
The birds and beasts and famished men at bay,
Till hunger clung them, or the drooping dead
Lured their lank jaws; himself sought out no food,
But with a piteous and perpetual moan,
And a quick desolate cry, licking the hand
Which answered not with a caress -he died.
The crowd was famished by degrees; but two
Of an enormous city did survive,
And they were enemies: they met beside
The dying embers of an altar-place
Where had been heaped a mass of holy things
For an unholy usage: they raked up,
And shivering scraped with their cold skeleton hands
The feeble ashes, and their feeble breath
Blew for a little life, and made a flame
Which was a mockery; then they lifted up
Their eyes as it grew lighter, and beheld
Each other's aspects -saw, and shrieked, and died - 
Even of their mutual hideousness they died,
Unknowing who he was upon whose brow
Famine had written Fiend. The world was void,
The populous and the powerful was a lump,
Seasonless, herbless, treeless, manless, lifeless - 
A lump of death -a chaos of hard clay.
The rivers, lakes, and ocean all stood still,
And nothing stirred within their silent depths;
Ships sailorless lay rotting on the sea,
And their masts fell down piecemeal; as they dropped
They slept on the abyss without a surge - 
The waves were dead; the tides were in their grave,
The Moon, their mistress, had expired before;
The winds were withered in the stagnant air,
And the clouds perished! Darkness had no need
Of aid from them -She was the Universe!

Lord Byron (George Gordon Byron) - 1816


PS: Esse poema tem uma história interessante. Foi escrito em 1816 que foi chamado de "o ano sem verão" que foi causado por uma anomalia atmosférica provocada pela erupção do Monte Tambora, nas Índias Ocidentais, que lançou na atmosfera uma quantidade absurda de poeira implicando em um bloqueio anormal dos raios solares.

December 14, 2007

Estrada para a perdição

Aeroporto de Congonhas, zona sul de São Paulo, em um assento próximo ao portão 6 de embarque. Depois de quase 1h e meia de atraso o vôo é chamado:

"Atenção senhores passageiros do vôo Varig 2445 com destino ao Rio de Janeiro, aeroporto Santos Dumont, favor procederem ao portão 6 para o embarque imediato."

Era a minha chamada. Esperei um pouco sentado já que sempre existe uma pequena demora a embarcar e o posicionamento na fila era irrelevante já que meu lugar era marcado mesmo. Mas isso parece que não entra na cabeça das pessoas. A mentalidade brasileira de amar filas sempre fala mais alto. Já tinha gente na frente do portão formando fila desde muito tempo antes da chamada...ninguém merece!

Quando a fila começou a andar, me levantei e fui para o final dela. Logo embarquei (não irei dar grandes detelhes sobre coisas como prefixo de aeronave e afins já que isso não interessa a vocês, caros leitores) e após um cumprimento-padrão do chefe de cabine, me dirigi ao meu assento: 17A, na janela naturalmente.

Após o embarque encerrado, desliguei meu celular e aguardei a partida. Depois de 15 minutos de demora devido ao "tráfego aéreo" (desculpa padrão das empresas aéreas ultimamente, como não tenho como comprovar coloquei as aspas), iniciamos o taxi para a pista.

Minutos depois estávemos na cabeceira.

"Tripulação, preparar para a decolagem"

Foi a deixa para os motores da aeronave darem sinal de vida e começarem a berrar. Ganhamos velocidade e prontamente nos descolamos do solo. Adeus São Paulo, até breve.

Após a decolagem uma ligeira turbulência até o nivel de cruzeiro onde foi feito o serviço de bordo: acima da média para a ponte aérea nesses tempos bicudos, by the way.

Minutos depois o comandante anuncia: "Senhores passageiros, devido às más condições meteorológicas no Rio de Janeiro, estamos efetuando uma órbita de espera. Quando o tempo melhorar iniciaremos a aproximação."

Realmente a coisa estava feia lá embaixo. Aeroporto fechado e tudo mais. Comecei a me preparar psicologicamente para o pouso no Galeão, como já fiz mil vezes mas que não era o plano daquele dia.

"Senhores passageiros, as condições meteorológicas sobre o Aeroporto Santos Dumont melhoraram um pouco, sendo assim iniciaremos a aproximação a este aeroporto.", anunciou o comandante.

Pensei que fosse o fim dos problemas mas na verdade a montanha-russa estava apenas começando. Ao entrarmos na camada de nuvens, fomos recebidos por vários raios que iluminavam a noite la fora como se fosse dia. Ventava impiedosamente e com bastante violencia. Uma chuva torrencial lavava a janela e a única coisa que se via lá fora era a asa do avião e um clarão a cada raio que passava. A turbulência não perdoava. Jogava o avião de um lado para o outro como se fosse de brinquedo.

Dentro da cabine um silêncio sepulcral. Podia-se ouvir uma agulha caindo no chão se não fosse o rugido dos motores. A tripulação estava recolhida aos seus lugares, devido ao procedimento de pouso.

De repente ouço um barulho: o comandante desceu os flaps ao máximo, ou seja, precisaremos para o avião rapidamente, ou seja: as coisas não estão fáceis no Rio.

Ao passar as nuvens finalmente avisto a cidade. Uma visão que nunca me enjoa, impressionante como somos pequenos de lá de cima.

Aproximando no Santos Dumont, alinhamos à pista para o pouso. Aos que não conhecem, a aproximação final do Santos Dumont é feita sobre a água. E quando estavamos sobre a ponte Rio-Niterói o avião começou a balançar violentamente. Cada vez o chão estava mais perto e cada vez mais o avião balançava. Com a tempestade e os raios caindo criou-se um cenário de filme.

Quando finalmente avistei a cabeceira da pista o comandante arremessou a aeronave no solo a iniciou os procedimentos de frenagem (autobrakes + reverso) mas devido às condições meteorológicas e a uma nova diretriz da Varig, os freios foram utilizados à carga plena. O avião perdia velocidade mas tinha ciência de como a pista é curta. Só me tranquilizei totalmente depois que o reverso foi fechado: no último quarto da pista. Após o pouso o comandante foi aplaudido por todos, o que seria um ato meio brega mas naquelas condições foi plenamente justificado. Percebia-se o alívio nos rostos da tripulação, inclusive. Não foi um pouso fácil.

Ao chegar no saguão do aeroporto, consultei o painel de chegadas. Os vôos da TAM e de Gol que decolaram logo antes e depois de mim de São Paulo acabaram por pousar no Galeão. Foi um misto de sorte e de perícia do comandante eu estar ali no Santos Dumont.

November 02, 2007

The Perfect Storm

Tarde da noite, o sono não vem e de repente veio a vontade de postar aqui. Mas postar sobre o que? Sobre a chuva que desabou nas redondezas e que foi fugaz? Pois bem...

Foi interessante ver as árvores balançando ferozmente a cada rajada de vento, o barulho da água batendo no chão, o cheiro de terra molhada...a chuva veio em boa hora, afinal o calor era infernal.

Choveu lá fora...mas a tormenta passou. As nuvens foram se dissipando e as estrelas timidamente apareceram no céu. Inclusive as que não são estrelas, são a morada de nossas esperanças e sonhos...se bem que creio que não existam nem estrelas nem não-estrelas suficientes mas, em um exercício de egoísmo, irei focar em mim mesmo.

Enquanto isso, no meu firmamento, o céu é plúmbeo, raios rasgam o céu com suas lâminas brilhantes, trovões retumbam e ecoam na paisagem devastada. Chove por anos, sem interrupções. A tormenta varre a terra, que outrora abrigou vida e hoje está estéril. Ao longe pode-se ver ruínas do que um dia já foi uma catedral, não um prédio que venera nenhuma divindade mas uma catedral em termos de magnitude.

Aquele prédio ja fora, em outras épocas, magnífico, colorido e pujante. Era o centro da vida naquele lugar, hoje só restam os fantasmas do passado radiante.

Que contraste, enquanto lá fora a chuva antecipou uma magnífica noite de estrelas, aqui dentro não existem estrelas, nem luar apenas um manto cinza que oculta a beleza do algo que já foi coalhado de esperanças e sonhos.

October 25, 2007

Prophecy

Interessante ver que dois dias depois do meu post náutico, o mar resolve desabar sobre o Rio de Janeiro. Talvez eu tenha poderes com a tal criatura super-poderosa-que-rege-nossas-vidas-de-seja-la-onde-ela-estiver, ou foi uma coincidência mas prefiro acreditar no 1o caso (Phê is a non believeeeeeerrrrr).


Anyways, semana de cão, indas e vindas para pontos longínquos do Rio de Janeiro, sob condições extremamente adversas e...ainda estou no meu isolamento.

Amanhã...de volta à ECO para um dia de puuuuuuura emoção e divertimento "aos montes".

Vou ficando por aqui. A falta de inspiração não me permite prosseguir.