Meio dia de segunda-feira. O sol lá fora já indica: a manhã terminou. O dia começa, lentamente, a definhar até a hora de seu óbito diário lá pelas 5 da tarde. Olho pra dentro e não vejo muito, vejo apenas uma vontade enorme de continuar sentado em minha cadeira olhando para o vazio. Vontade de ignorar todos meus compromissos e obrigações do dia e ficar aqui, sozinho comigo mesmo, chafurdando em minha própria melancolia. Vontade de me trancafiar em mim mesmo, me isolando assim, de tudo aquilo que me cerca..de tudo aquilo que potencializa a amplia o sentimento vigente.
Mas não irei fazer nada disso. Contrariando minha vontade irei, em instantes, continuar cumprindo meus deveres diários. Porque? Além do senso de responsabilidade e de culpa, sinto que preciso do convívio dos meus amigos. Porque? Simples. Se me entregar à solidão sei que irei enveredar mais profundamente nos tortuosos caminhos da loucura e da depressão e temo que não consiga achar o caminho de volta. Minha solidão imposta pela vida, não pode se tornar em solidão auto-imposta. Tenho plena consciência disso. Sei que preciso levar a vida adiante por mais difícil que possa ser.
Mas sei que sozinho eu não tenho mais como. Minhas forças sucumbem ao poder da autocrítica feroz simbolizada por meu alterego Caliban (viva as aulas de literatura...me serviram pra alguma coisa) e ao vazio do coração e do espírito. Por isso venho de público agradecer àqueles que me apóiam, me ouvem, me fazem rir, me deixam puto da vida, vem a mim precisando de igual ajuda e confiam em mim...vocês sabem quem são.