Olhando pra tràs as vezes nos damos conta de coisas que as vezes tomamos como banalidades diárias vêm afetando nossas vidas. Não irei ser tão direto, eu acho, ou tão preto no branco mas antes que me perguntem: não é disso que estou falando.
Me dei conta que fazem dez anos que, pela primeira vez, segui para a Pedra do Arpoador e comecei a perceber que não pertenço a esta costa. Sentado no topo do monolito de pedra vendo as vagas se chocarem contra si, tive a sensação de que eu não fazia parte daquele cenário. De que eu era totalmente inadequado àquilo tudo. Por mais bela que fosse a paisagem que se descortinava a minha frente, e acreditem, era uma tarde belíssima, e por mais agradável que pudesse estar o clima algo dentro de mim dizia: este não é o seu lar.
Mas como minha experiência em visitar outros lugares era muito mais limitada do que é hoje, esta idéia passou como um sussurro pelos ouvidos mas se enraizou na cabeça. Ao passo que fui conhecendo outros lugares, outras culturas, outros modos de pensar e afins eu fui criando bases que no final só corroboravam com aquela brisa que me mostrou que meu lugar não é aqui.
Desde então muito foi feito, muito suor, lágrimas, tentativas, fracassos sempre com o objetivo final de se alcançar o graal. Hoje, dez anos depois, ainda estou aqui. Longe de casa, e com um sentimento de inveja daqueles que conseguiram cumprir o que durante todo esse tempo eu tenho tentado e nunca conseguido: ir embora.
Tenho a sensação que estas pessoas estão se apropriando deste meu ideal, deste meu sonho enquanto fico aqui em uma luta quase que quixotesca em busca do retorno ao lar que nunca vem. Mas sendo como sou não desisto e vou continuar até o dia em que eu deixar de existir.