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August 24, 2008

Dreamcatcher

Olhando pra tràs as vezes nos damos conta de coisas que as vezes tomamos como banalidades diárias vêm afetando nossas vidas. Não irei ser tão direto, eu acho, ou tão preto no branco mas antes que me perguntem: não é disso que estou falando.


Me dei conta que fazem dez anos que, pela primeira vez, segui para a Pedra do Arpoador e comecei a perceber que não pertenço a esta costa. Sentado no topo do monolito de pedra vendo as vagas se chocarem contra si, tive a sensação de que eu não fazia parte daquele cenário. De que eu era totalmente inadequado àquilo tudo. Por mais bela que fosse a paisagem que se descortinava a minha frente, e acreditem, era uma tarde belíssima, e por mais agradável que pudesse estar o clima algo dentro de mim dizia: este não é o seu lar.

Mas como minha experiência em visitar outros lugares era muito mais limitada do que é hoje, esta idéia passou como um sussurro pelos ouvidos mas se enraizou na cabeça. Ao passo que fui conhecendo outros lugares, outras culturas, outros modos de pensar e afins eu fui criando bases que no final só corroboravam com aquela brisa que me mostrou que meu lugar não é aqui.

Desde então muito foi feito, muito suor, lágrimas, tentativas, fracassos sempre com o objetivo final de se alcançar o graal. Hoje, dez anos depois, ainda estou aqui. Longe de casa, e com um sentimento de inveja daqueles que conseguiram cumprir o que durante todo esse tempo eu tenho tentado e nunca conseguido: ir embora.

Tenho a sensação que estas pessoas estão se apropriando deste meu ideal, deste meu sonho enquanto fico aqui em uma luta quase que quixotesca em busca do retorno ao lar que nunca vem. Mas sendo como sou não desisto e vou continuar até o dia em que eu deixar de existir.

February 25, 2008

Over the hills and far away

Segunda feira de manha. Existe momento maior de ressaca na semana? Duvido. Escrevo após ler o jornal onde pude ler sobre a derrota do Botafogo, e a subsequente e ridícula choradeira do técnico da equipe e do presidente do clube, e sobre a entrega dos Oscares (vulgo homens carecas, dourados e pelados).

Não irei comentar sobre a partida de futebol visto que irei causar feridas profundas (...not!) em minha ampla (...not!) base de leitores, além de provocar comentários inflamados que virão a causar somente uma queda no nível dos comentários sempre pertinentes daqueles que habitam este espaço.

Já sobre os Oscares só alguns comentários: o Javier Bardem parecia que tinha fugido do zoológico, ou que era um primo do elo perdido. Me irritou sobre maneira o apresentador (Jon Stewart) pronunciar de maneira esquisita o nome da Cate Blanchett...quem não sabe o que estou falando que veja no VocêTubo. Falando da atriz australiana, por mais que a Tilda Swinton seja excepcional ainda acho que a atuação dela em "I'm not there" valeria mais a premiação.

Uma constatação positiva: a Björk não apareceu e isso é digno de sorrisos e suspiros de alívio. De resto, é o resto. O canal E! mostrou as futilidades de sempre antes, durante e depois da cerimônia. E sobre a transmissão do evento em si só um comentário final: ainda bem que existe o SAP.

Mas voltando. Este não é um post sobre o Oscar. Deixo isso para as especialistas (vocês sabem quem são), quero falar de ressaca. Antes que perguntem: não enchi a cara ontem. Não bebi após gargalhar com a vitória do Flamengo nem com as pérolas do cartola alvinegro dizendo que o "Botafogo é time de macho".

Estou de ressaca com as memórias de dias não muito distantes, onde estava em casa. Em um lugar em que podia sentir em cada milímetro do meu corpo que eu pertencia àquilo tudo. Saio na rua, olho ao redor e sinto uma total e irrestrita incompatibilidade com o ambiente que me cerca, com o céu sobre minha cabeça, com o vento quente que bate no meu rosto.

Não desprezo o lugar onde estou agora, mesmo porque existem coisas aqui que me ajudam a aliviar essa sensação de incompatibilidade, existem pessoas que tornam isso um pouco mais tolerável. Mas por mais fantástico que as outras pessoas achem que é tudo isso que nos cerca eu acho que está na hora de juntar as coisas se seguir adiante de volta ao lar, de onde não deveria ter saído.

February 09, 2008

Country roads

Piscar de olhos. Um microssegundo...foi a duração do sonho. Pensava a respeito certa noite enquanto vagava pela fria noite Berlinense. Lembrava que apesar de estar em casa andando às margens do Spree sabia que, mais cedo ou mais tarde, a dura realidade bateria à minha porta. E ela bateu.

Acordei. A bela noite Berlinense já é memória, a vivacidade e o contraponto que impõe a Alexanderplatz nada mais é do que uma imagem gravada em minha mente. Berlim é um espetáculo para olhos atentos, não possui o esplendor de Paris ou mesmo a leveza de Roma mas a capital alemã tem de sobra é caráter e uma atmosfera encantadora. Ao parar em um gradio junto à Parisierstrasse mal poderia imaginar que algumas décadas antes, aquela bela cidade foi palco de batalhes sangrentas e ferozes. Hoje a cidade conserva cicatrizes do conflito como marcas de tiros em algumas edificações e memoriais espalhados pela cidade.

Ao parar às magens do Spree olhei para o céu. Ele estava diferente do que estava acostumado no Brasil: outras estrelas eram visíveis e outras estavam em outros pontos da esfera celeste. Me senti como uma criança vendo o mar pela primeira vez: era um admirável mundo novo que se abria diante de meus olhos.

Fui acometido naquele momento por uma sensação que foi como um cobertor quente: estava em casa. Oficialmente, minha casa estava a um oceano de distância mas não era assim que eu me sentia.

Não existe lugar como nosso lar e eu finalmente tinha voltado para casa. Mas...era preciso ir embora... Como já me disseram eu estava apenas reconhecendo o terreno. Um dia eu volto..e fico.

PS: Diquinhas turísticas de Berlim:
PS1: Tour grátis "New Berlin" recomendado.
PS2: Tour grátis "Alternate Berlin" idem
PS3: Subam o domo do Reichstag. É de graça mas cheguem cedo.
PS4: Checkpoint Charlie é fake.
PS5: Visitem o Museu Judaico
PS6: Idem para o Memorial do Holocausto
PS7: Idem para o Portal de Brandemburgo
PS8: Bebam a Berliner Weisse. Eu gosto mais da vermelha.
PS9: Andem a pé pela Museuminsel passando pela Universidade Humboldt e estiquem para o Französicher Dom
e a Opera House.
PS10: Cuidado com as bolhas nos pés.
PS11: Vão a Alexanderplatz de dia e de noite e deem uma volta nas vizinhanças.
PS12: Vão à Potsdamerplatz e passeiem por la: parece Tóquio.
PS13. Vão à Potsdam
PS14: Vão a Sachsenhausen...isso é: se tiverem estômado pra isso.
PS15: Estádio Olimpico e afins: vão.
PS16: Não subam a torre de TV. É caro e não vale a pena.
PS17: Berlin rocks.
PS18: A foto é da Alexanderplatz e seu Weltzeituhr.
PS19: A foto não é minha.
PS22: (pê ésses 20 e 21 nos comentários) Não existe nada de errado com os alemães, muito menos com as alemãs..ah...as alemãs...
PS23: Acabei de notar que não falei do muro. Pois bem, visitem a East Side Gallery. Mais informações no Google.

November 28, 2007

Unstable

Escrevo com um fiapo de inspiração. Escrevo com o cansaço tomando conta. Então sobre o que falar? E porque diabos estou escrevendo se estou no bagaço?

Respondendo à primeira pergunta: não sei sobre o que vou falar. Provavelmente este post será mais um post sobre coisas aleatórias, é só isso que tenho conseguido "fabricar" por aqui nos últimos tempos. Não vou falar sobre a "aula" da Iguana simplesmente porque a raiva não me permite que não tenha nenhuma reação que não seja uma vontade incontrolável de jogar meu teclado pela janela e como não quero isso não vou me alongar.

Porque diabos estou escrevendo? Excelente pergunta...não tem outra mais fácil não? Quisera eu ter o lirismo do Raffaele, a pseudo-intelectualidade do Pedro, o humor mordaz (my favourite) da Phê, a irreverência da Carla, a falta de compromisso do Luiz, o talento em escrever 30 páginas sobre o gelo derretendo como o Pedro Eler, a leveza da Vivian...mas eu sou eu. Meu blog é caracterizado por ser errático e, porventura, depressivo. Porque? Porque ele é escrito por mim e reflete meu estado de espírito.

Mais um post errático..mais um post desinteressante, talvez por isso esteja perdendo leitores (que já não eram muitos!). Não os culpo, acessar a internet e este blog para ler um cara falando merda, as vezes em uma língua que não domina é demais mesmo.

Que palavra utilizaria para caracterizer este blog? Amargo? Errático (já usada neste post à exaustão)? Er...não sei...quem souber que mande o chute.

September 01, 2007

Metalinguagem


O que é um blog? Seria uma plataforma de propagação de idéias? Uma vitrine onde a pessoa expões suas visões e idéias? Uma maneira de es expressar? Uma maneira de "provar" pros outros que você é capaz de escrever linhas e mais linhas sobre o nada? Uma tentativa de provar para si mesmo que você é capaz de, com seus textos, atrair a atenção alheia?

O que diferenciaria um blog de..um fotolog por exemplo ou de um perfil de orkut? Você pode postar fotos no blog assim como se pode em um fotolog, e pode-se comentar em um blog assim como se faz no fotolog... No blog você expõe suas idéias assim como pode ser feito no orkut, e no blog você pode preencher seu perfil pessoal assim como no orkut.

A meu ver os blogs acabaram por ficarem restritos a "quem gosta de escrever", ou é pseudo-intelectual ou qualquer outra coisa do gênero. O que é uma pena pois vejo os blogs como algo mais completo do que o orkut e o fotolog. Os dois ultimos acabam por ser primariamente meios de observar a vida alheia com menor ênfase às ideias que a pessoa tem na cabeça enquanto os blogs passaram a ser vitrines mentais das pessoas, uma maneira de dividir com outras pessoas suas idéias e visões com uma preocupação menor sobre o que se passa na vida alheia.

Claro que existem blogs que são "experts" nisso mas, nesse caso, são focados em serem uma espécie de paparazzi virtual onde o único objetivo é expor a vida alheia, principalmente a de "celebridades" (com ou sem aspas).

Assim como existem (raras) comunidades de orkut onde se discute sobre vários assuntos mínimente relevantes, ou seja: temos de tudo um pouco.

Talvez a diferença entre blogs, fotologs e orkut seja a proposta de cada um, ou sua finalidade, ou o tipo de pessoa que freqüenta cada ambiente ou mesmo uma combinação destes três fatores ou nenhum deles...quem sabe?

Expressas:

PS: Nhá Benta de chocolate é o que há.
PS 2: Mistério ecoíno vigente: quem substituirá o Saboga?
PS 3: Todo poder aos Ecoblogs!